Rádio Najuá

Major Joas fala sobre trotes telefônicos passados à PM e aos Bombeiros

23/12/16 - 10h29 - Atualizado em 23/12/16 - 10h29

Edilson Kernicki, com reportagem de Tadeu Stefaniak e informações da EBC e da ALEP

Major Joas- Comandante da 8ª Cia
Uma brincadeira de mau gosto que pode custar a integridade de alguém, o trote ainda faz parte da rotina de policiais e bombeiros, que atendem diariamente a chamadas de falsa emergência. Por ano, os trotes chegam a ocasionar um prejuízo estimado em R$ 1 bilhão em todo o Brasil, com deslocamentos desnecessários de serviços de emergência, como Polícia Militar, SIATE e SAMU. Os trotes podem colocar em risco a saúde e a segurança de quem realmente precisa de socorro.

De acordo com o Major Joas Marcos Carneiro Lins, que comanda a 8ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), é durante o período de saída das escolas o horário de pico dos trotes recebidos tanto pela Polícia Militar quanto pelo Corpo de Bombeiros.

“Observamos que o telefone 190 fica ocupado; e são várias situações: de trânsito, de pessoas armadas, de risco iminente, em que, às vezes, nosso profissional, o policial que está do outro lado da linha, tem que ter o raciocínio de poder filtrar e verificar se é ou não verdade o que está sendo colocado ali”, diz.

A 8ª Companhia tem efetuado um trabalho de conscientização, com foco nos pais, para que orientem seus filhos a evitar esse tipo de inconveniente. O Major alerta aos pais que todos os telefones dos Destacamentos Policiais Militares (DPM) da 8ª Companhia possuem identificador de chamada. “Não se espante se nós ligarmos para o número e, por acaso, pedirmos para conversar com os pais”, avisa.

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Muitas das ligações são originadas de orelhões e de aparelhos celulares. Entretanto, também são feitas chamadas a partir de telefones fixos, cujos números estão registrados. “O telefone de emergência, como o próprio nome diz, é para emergência. No momento que você está ocupando o telefone – não temos várias linhas, nem vários atendentes – você que está passando trote, você está deixando uma pessoa passar por momentos de agonia; uma pessoa que está realmente precisando da prestação do serviço”, adverte.

No trânsito

Outro fator que pode atrasar o atendimento em casos de emergência, de acordo com o Major, é a recusa de muitos motoristas em dar livre passagem às viaturas, tanto da polícia quanto dos bombeiros, que estão com a sirene ligada. “O veículo de emergência tem livre circulação quando devidamente sinalizado por dispositivo de iluminação e sirene”, ressalta.

Joas observa que o motorista que deixa de dar passagem para a viatura da polícia ou dos bombeiros não sabe a quem o atendimento virá a ser prestado, que pode ser a um amigo, vizinho ou mesmo um familiar. “Se fosse um parente ou se fosse você mesmo, será que não ia querer que esse pronto atendimento fosse prestado o mais rápido possível?”, questiona.

Lei estadual pune quem passa trote

Foi sancionada, em abril de 2012, a Lei Estadual 17.107/12 prevê a cobrança de duas Unidades Padrão Fiscal do Paraná (UPF) pela prática de chamada falsa. Atualmente a UPF corresponde a R$ 91,57 e, portanto, a multa é de R$ 183,14. A multa deve ser paga pelo titular da linha telefônica que fez o acionamento indevido para serviços de remoções médicas, de resgates, combate a incêndios, ocorrências policiais ou atendimento a desastres.

Além disso, a lei obriga que as operadoras de telefonia forneçam, em até 30 dias, números de telefones e dados dos responsáveis pelas linhas de onde partiram as chamadas falsas. A empresa que não fornece os dados, deve pagar multa de 20 UPFs (R$ 1.831,40), que dobra em caso de reincidência.

Casos de chamadas originadas de telefones públicos são alvo de levantamentos específicos para averiguar a procedências dos telefonemas. Os dados levantados permitem a adoção de medidas preventivas ou de posterior investigação, identificação e responsabilização de quem passa o trote.

Os recursos levantados com as multas são repassados ao Fundo Especial de Segurança Pública do Paraná (Funesp).