Cultural / Entretenimento

15/06/18 - 16h43 - atualizada em 15/06/18 às 17h13

Exposição de fotógrafo iratiense mostra a arte da transformação da natureza

Fotos estão expostas no hall de entrada do auditório do PDE da Unicentro até o dia 26 de junho

Paulo Henrique Sava


Uma vespa servindo uma aranha como refeição para seus filhotes. Para o olhar leigo do ser humano, seria impossível sequer imaginar uma cena deste tipo na natureza. Porém, é possível perceber este tipo de cena através do olhar minucioso de um fotógrafo. Esta é uma das marcas do fotógrafo e artesão iratiense Sérgio Adão Filipaki. As fotos dele estão em exposição no hall de entrada do auditório do PDE da Unicentro até o dia 26 de junho.

A exposição “A natureza de transformar” mostra detalhes da transformação da natureza que facilmente passariam despercebidos aos nossos olhos. Além das imagens, também estão expostos no local alguns quadros, todos esculpidos em madeira pelo próprio artesão. 

Filipaki reuniu algumas pessoas para um bate-papo no auditório do PDE na tarde desta quarta-feira, 13. Ele conta que o maior motivo de ter começado a praticar a arte da fotografia foi o fato de poder levar a educação ambiental principalmente para as crianças. O fotógrafo relata ainda que suas fotos foram expostas pela primeira vez em 2012, para funcionários da empresa onde trabalhava, em Telêmaco Borba. As fotos surgiram do trabalho dele no campo. 

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Carolina Filipaki de Carvalho, filha do artesão, é jornalista e professora do Departamento de Letras da Unicentro. Conforme Sérgio, ela foi quem intermediou a realização da exposição das fotos junto à instituição. “É uma oportunidade de partilhar um pouquinho deste nosso planeta com as pessoas. Nós não somos os donos do planeta, pois também pertencemos a ele, da mesma forma que aqueles acontecimentos que estão ali e mostram isto”, frisou. 

O gosto de Sérgio pela fotografia foi aumentando a cada ano. Ele diz ainda que os quadros de madeira foram surgindo naturalmente, porém o trabalho principal é feito com madeira de reciclagem, assim como outros objetos produzidos por ele. Sua principal inspiração veio de outras pessoas que também trabalham com fotografia. “Eu tive a oportunidade de ser guia de campo para alguns fotógrafos com quem aprendi bastante. Tem um do qual eu gosto muito, Zig Koch, que é um grande fotógrafo da natureza”, comentou. 

Sérgio comenta que é importante mostrar para as crianças as transformações da natureza, para que elas vejam os animais e plantas com outros olhos. “Eu acho que é muito nobre você ter esta informação e repassar para as crianças sobre o que acontece naquilo. Hoje estamos em um mundo muito virtual. Tem um tema de educação ambiental que parece muito simples mas é bem sofisticado ao mesmo tempo: os animais do meu jardim. O que uma formiga significa para o meio ambiente? Um sapo que apareça, uma ave, as crianças não sabem o comportamento, por que ele está ali? Eu acho que é uma coisa que tem que explorar e mostrar mais”, comentou.

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Sérgio Adão Filipaki é artesão e fotógrafo da natureza

Sérgio começou a trabalhar com madeira quando percebeu a necessidade de elaborar objetos utilitários para a própria residência. “Hoje não se tem tanta oportunidade, é somente aqueles que gostam para fazer, é tudo muito industrial, muito pronto. Uma escultura, por exemplo, hoje você coloca a figura que quiser em um computador e ele esculpe. Eu acho que é mais bonito fazer e transformar isto”, afirmou. 

O artesão não tem planos de produzir outra exposição no futuro. Ele diz que as fotos mostram as transformações que a natureza produz no dia a dia e que, a olho nu, o ser humano quase não percebe. “São interações assim que quem não vive isto não sabe, pois não tivemos educação para observar estas coisas. Quando aparece uma vespa ou aranha, a gente já quer matar”, frisou. 

A professora Alexandra Lourenço, do Departamento de História da Unicentro, comenta que Filipak conseguiu produzir arte e cultura através da fotografia e do artesanato. Para a professora, o tema da educação ambiental é extremamente atual e importante, o que fica evidenciado no trabalho de Filipaki. “Através destas fotos, podemos perceber as interações que ocorrem na natureza que hoje muitas vezes passam despercebidas e as escolas já não dão conta de explorá-las. Além da parte estética, que é belíssima, [a exposição] também comporta uma possibilidade de aprendizado incrível para observar a questão ambiental, a natureza, a interação entre vegetais, animais e nós, em conjunto com o habitat em que estamos”, finalizou. 

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A exposição “A natureza de transformar” ficará aberta até o dia 26 de junho no hall de entrada do auditório do PDE do Campus Irati da Unicentro, localizado na BR 153, km 07, no Riozinho. A exposição está aberta de segunda a sexta-feira, nos períodos da manhã, tarde e noite.

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