Cultural / Entretenimento

04/11/17 - 13h04 - atualizada em 04/11/17 às 13h41

Pastor sobe à Tribuna Popular e comenta 500 anos da Reforma Protestante

Pastor Manoel de Jesus Oliveira Silva, da Igreja Luterana, falou sobre os efeitos históricos, teológicos e práticos da Reforma

Da Redação, com informações Assessoria

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No mesmo dia em que se completaram cinco séculos que Martinho Lutero publicou suas 95 teses – acontecimento entendido historicamente como a Reforma Protestante, que promoveu uma grande cisão no cristianismo, o pastor Manoel de Jesus Oliveira Silva, da Igreja Luterana, subiu à Tribuna Popular, após a sessão ordinária da Câmara de Irati de terça-feira (31). O presbítero discursou sobre a Reforma e seus efeitos históricos, teológicos e práticos no mundo.

O centro mundial das celebrações é o vilarejo alemão de Wittenberg, onde o ex-monge agostiniano e professor de Teologia Martinho Lutero começou a contestar alguns dos preceitos da Igreja Católica no século XVI, entre eles, a venda de indulgências. Segundo Lutero, a salvação só virá através da fé em Jesus Cristo.

A convite do vice-presidente da Câmara, Roni Surek, o pastor explanou a respeito do evento que, há meio milênio, provocou mudanças profundas na história da sociedade ocidental, que vivia o início da Idade Moderna. As 95 teses apresentaram ao mundo uma série de conceitos profundamente relevantes na atualidade: pluralidade social; liberdade de consciência; tolerância; liberdade de religião; liberdade de pensamento; a igualdade entre todos os seres humanos; a solidariedade, através da ajuda ao próximo e a alfabetização.


O pastor citou uma matéria de uma edição da revista Veja, publicada no ano 2000, que elencava 100 fatos que mudaram a história do mundo nos últimos 1000 anos (de 1001 a 2000). A Reforma Protestante (1517) ficou em terceiro lugar entre os eventos mais importantes, segundo a reportagem; atrás apenas da descoberta da América, por Cristóvão Colombo (1492) e a invenção da prensa, de Johannes Gutenberg (1455, considerando o término da impressão do primeiro livro, uma Bíblia).

“Engana-se quem acha que Lutero contribuiu apenas para a mudança da religião e na teologia. Ele contribuiu muito mais do que possamos imaginar na área da música, economia e educação, sendo inclusive reconhecido como o pai da alfabetização”, contou. Silva frisou que a história da Reforma Protestante, também chamada de Reforma Luterana, começa 68 anos antes do nascimento de Lutero. “Tudo começou no dia 6 de julho de 1415, na Boêmia, onde hoje se localiza a República Tcheca. Lá estava Jan Huss, amarrado a um poste de madeira. Sua sentença era ser queimado por ensinar algo diferente do que a igreja da época ensinava”, conta. Durante a Santa Inquisição, a Igreja Católica perseguiu e executou em praça pública aqueles a quem considerava hereges.

“Reza a lenda que, antes de morrer, [Jan Huss] fez uma profecia: ‘Hoje, vocês estão assando um ganso magro, mas no futuro, em 100 anos, um cisne irá cantar. Este cisne vocês não poderão assar, nem tampouco prendê-lo com armadilhas. Cem anos depois, em 1515, Lutero estava lecionando a Carta de Paulo aos Romanos”, relatou o pastor.

O presbítero também discorreu sobre a história do monge agostiniano que acabou excomungado da Igreja Romana, pelo Papa Leão X, em 1520, e considerado um fora-da-lei pelo imperador Carlos V, do Sacro Império Romano Germânico, em 1521, depois de contestar a doutrina de que o perdão de Deus poderia ser adquirido pelo comércio de indulgências. Lutero condenou a acumulação de riquezas pelo Vaticano.

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A expulsão de Lutero da Igreja Romana e o fato de muitas das propostas apresentas nas 95 teses refletirem os interesses da nobreza alemã levaram muitos a se desligarem da Igreja de Roma. “Livre das limitações teológicas, Lutero passou a escrever uma série de livros, onde defendia o renascimento da Igreja. Estabeleceu a Bíblia como a mais alta autoridade doutrinária da Igreja. Para ele, a salvação era fruto direto da fé do cristão em Deus e somente poderia ser alcançada pelo relacionamento entre o fiel e Deus”, citou.

De acordo com o pastor, a Igreja Luterana está presente em Irati há mais de 60 anos, divulgando a Palavra de Deus, baseando-se “no único caminho, verdade e vida: Jesus Cristo”. Silva também enalteceu os pilares que norteiam a Reforma: “Somente a Escritura; Somente a Graça e Somente a Fé em Jesus Cristo”.

Roni agradeceu ao pastor pelo discurso e manifestou seu desejo de que o ecumenismo ganhe cada vez mais força, através da relação pacífica entre as religiões cristãs. “A melhor religião é aquela que faz você cuidar bem da tua família, dos amigos e do trabalho e respeitar uns aos outros”, resumiu.

Para o presidente da Câmara, Helio de Mello, é crucial que se abra espaço na Casa de Leis para a expressão de valores, princípios e da fé. Na visão do vereador, política e religião devem caminhar alinhadas. O pastor Manoel e sua filha ainda entoaram, em português e em alemão, o Hino da Reforma, composto por Lutero, com base no Salmo 46.


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