Futebol / Esportes

19/03/13 - 10h50 - atualizada em 19/03/13 às 11h00

Família Malucelli é a maior ameaça ao trio de ferro no Paranaense

Comandados pelos primos Joel e Sérgio, Jotinha e Londrina dividem a ponta do returno com a mesma filosofia de gestão: vender jogadores
Gazeta do Povo - Leonardo Mendes Júnior 


As duas maiores ameaças ao trio de ferro no Paranaense-2013 estão ligadas pelo sangue e pela maneira de encarar o futebol. J. Malucelli e Londrina, clubes comandados pelos primos de segundo grau Joel e Sérgio Malucelli, dividem a liderança do returno da competição. Posição que será defendida na rodada de meio de semana diante de dois favoritos ao título – o Jotinha contra o Coritiba; o Tubarão, diante do Paraná.



Perder pontos nesses confrontos diretos abrirá espaço para o Atlético subir na classificação e comprometerá a grande pretensão dos dois times no campeonato. Título? Não. Garantir o calendário do segundo semestre e conseguir uma boa venda de jogador para recuperar o investimento da temporada.

A montagem dos dois times começou na mesma época e seguiu modelo idêntico. Sem competições na segunda metade de 2012, as duas diretorias mandaram suas comissões técnicas para a estrada observar jogadores.

Cláudio Tencatti, técnico do Londrina, dividiu-se entre a avaliação de atletas do clube que estavam emprestados e potenciais reforços. Da primeira amostragem, saiu com a certeza de que Wendell, lateral-esquerdo cedido ao Paraná para a Série B, seria indispensável. Da segunda, extraiu uma lista que tinha nomes como Neílson e Germano, hoje titulares. Complementou o elenco com vários garotos da base, cujo desempenho também acompanhou de perto.

“A ida do Tencatti ao Grêmio, para um estágio de 15 dias com o Vanderlei [Luxemburgo], também contribuiu muito para o trabalho deste ano. Tivemos sorte de trazer jogadores experientes que encaixaram bem”, diz Sérgio Malucelli, dono da SM Sports, gestora do Londrina.

No Jotinha, a ida a campo da comissão técnica e da direção de futebol demarcou uma mudança no processo de formação do elenco. A ameaça de rebaixamento no ano passado fez a diretoria buscar uma parceria com o Coritiba e estabelecer um novo padrão de qualidade nas contratações.

“Antes, na hora de compor o plantel, aceitávamos jogadores mesmo sabendo que não dariam certo. Falei que deveríamos trazer apenas atletas que realmente nos ajudariam”, afirma Joel Malucelli, presidente de honra do J. Malucelli.

“O Sandro [Forner, técnico] determinou o sistema de jogo e o estilo dos jogadores. Como eu parei de jogar há dois anos, passei os nomes que eu conhecia, levei um vídeo de cada um para o Sandro e ele passou para a diretoria”, acrescenta Rogério Corrêa, auxiliar técnico e responsável direto pela indicação do atacante Potita, artilheiro do time no Estadual.

Desde a montagem do elenco, o horizonte observado pelos dois clubes é conseguir vaga na Série D do Brasileiro e na Copa do Brasil. Nem mesmo a boa campanha é capaz de fazer essa meta ser adaptada para um inesperado título estadual.

“É uma missão impossível. Não dá para pensar que um time com jogadores de 3 a 6 mil reais vão te dar um campeonato”, diz Joel. “Quando estivermos perto das vagas, é natural que o próximo passo seja o título. Por enquanto, o que me impressiona é o primeiro lugar na classificação geral. Estamos à frente do Coritiba, que é o time mais caro e favorito do Estadual”, reforça Sérgio.

A boa campanha aproxima os dois clubes de outro ponto fundamental para o sucesso dos seus projetos: vender jogador. O Jotinha trabalha com a previsão de R$ 700 mil de déficit para a temporada, buraco que uma negociação é capaz de cobrir. No Londrina, o telefone do gestor tem tocado com sondagens por Weverton, Wendell e Bruno, garantias de caixa cheio e motivação para os garotos das categorias de base da SM Sports.

Os primos têm uma relação familiar próxima. Se encontram sempre que possível e se cumprimentam à moda italiana, com beijos no rosto. Fora do futebol, foi Joel quem deu um dos primeiros empregos a Sérgio, no Paraná Banco e na J. Malucelli Corretora. Na bola, porém, é raro fazerem negócios. A transferência do meia Ceará do Londrina para o Jotinha foi uma rara exceção.

“Negócio entre nós é difícil, pois seguimos o mesmo caminho no futebol: fazer jogador para negociar”, resume Sérgio.



Comentários

Enquete

Em relação aos candidatos à presidência da república, você está?

  • Confuso (a)
  • Definido (a)
  • Indeciso (a)
Resultados