Futebol / Esportes

12/04/18 - 22h30 - atualizada em 12/04/18 às 22h37

Play de Freitas fala sobre saída do Iraty

Em coletiva na semana passada, gestores do clube alegaram que ex-técnico foi dispensado em razão dos resultados negativos do Azulão

Edilson Kernicki, com reportagem de Ademar Bettes, Tadeu Stefaniak e João Maria Rodrigues 

Dispensado pelos gestores do Iraty na semana passada, após uma sequência de maus resultados, Play de Freitas falou sobre a demissão, na terça-feira (10), em participação no programa “Show de Bola”, da Super Najuá. Em coletiva de imprensa, na semana passada, os gestores Márcio Fagundes e Eduardo Bento Lopes apresentaram o carioca Marcelo Buarque como novo treinador do Azulão.

Sob o comando de Play de Freitas durante sete rodadas na 2ª divisão do Campeonato Paranaense, o Iraty venceu apenas duas vezes: contra o Andraus (3 a 0) e contra o Portuguesa Londrinense (4 a 1), justamente os clubes que já foram rebaixados. No período, o Azulão perdeu três vezes em casa, pelo placar de 2 a 1 – contra Paranavaí; Batel, de Guarapuava e Operário, de Ponta Grossa. Play substituiu Adriano Kanaã, que comandou a equipe durante as três primeiras rodadas do campeonato – um empate (2 a 2, contra o Rolândia) e duas derrotas (3 a 0, contra o Independente São-Joseense e 4 a 1, contra o Operário).

Play de Freitas diz que sofreu perseguição dos gestores do Iraty, que o dispensaram

“Sofri perseguição desde a entrada da nova gestão até minha saída. Houve uma situação que considero mais do lado particular do que do lado profissional, porque não tem outro porquê”, desabafa o ex-treinador, que contraria a alegação dos gestores do clube, que disseram que a dispensa de Play não era por motivos pessoais. Márcio Fagundes e Eduardo Lopes chegaram a afirmar, durante coletiva, que Play seria apenas dispensado da comissão técnica, mas que o Iraty estudava outra função para ele.

Play revelou estar muito chateado com a dispensa após os anos dedicados às categorias de base e à campanha pelo retorno do futebol profissional do Iraty, que estava em inatividade desde 2012, e luta pelo acesso à elite do estadual. Em 2017, o clube, que retornou ao profissional na 3ª Divisão, obteve o acesso à 2ª Divisão.

“As pessoas não sabem da missa a metade para poder julgar algumas coisas. Há falta de informação e pessoas que estão chegando não sabem os que estão dizendo. Tem muita coisa envolvida. Fico chateado, porque o Iraty é um time de tradição, um time que tem torcida, e hoje estão mudando muitas coisas que eu não concordo. Estamos numa cidade de interior, onde o torcedor quer se envolver com o clube; com uma imprensa atuante, que sempre deu apoio ao clube. Há coisas acontecendo que eu, particularmente, não concordo, e acho que não é benefício nenhum ao clube”, criticou.

Sobre o novo cargo que os gestores do Iraty disseram que estudariam para manter Play no clube, o ex-técnico afirmou que conversou com ambos na segunda (9) e que a proposta que ele recebeu “não se faz nem a uma criança”. “Não há como continuar no Iraty com esses gestores, com as ideias que eles têm e eu não concordo. Deixe que o tempo vai dizer o que vai acontecer nesses dias aí pela frente. Vamos aguardar. Estou chateado, bastante, não só eu mas minha família também, porque vivemos o Iraty praticamente o dia inteiro, todos os dias”, revelou o ex-técnico.

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Play assumiu o cargo logo depois da saída de Adriano Kanaã. O time vinha de um empate e duas derrotas e o ex-técnico tinha o desafio, inicialmente, de impedir o descenso do Iraty para a 3ª Divisão. “Sabíamos que as coisas não estavam legais, pois havia muita controvérsia, inclusive a parte física do clube, dos jogadores, era muito ruim. Tanto que no 2º tempo sofremos ainda, pela condição de trabalho que não foi feita adequadamente lá atrás, e sabíamos que o grupo não era aquele que montamos. Mas teríamos que fazer alguma coisa para melhorar, e foi feito. Houve melhoras de rendimento. Inclusive, o jogo em que salvamos o Iraty [do rebaixamento] jogando contra o Andraus em Campo Largo foi uma das melhores partidas que o Iraty fez nesse campeonato”, disse.

Sobre uma das derrotas contra o Operário, em casa, por 2 a 1, o ex-técnico afirma que os jogadores entraram em campo com o moral muito baixo em decorrência do acúmulo de situações adversas durante a semana: treino em campo inadequado, com gramado alto, no Pinho de Baixo; ficar sem treino na véspera, por falta de uniformes porque a lavadeira estava sem pagamento; falta de estrutura na concentração e eventuais pendências nos pagamentos. “Perdemos roubado, o bandeira confessou que ele errou no lance do gol [a favor do Operário, que estaria impedido]”, acusou.

“Os jogadores saíram do campo sabendo que tinham feito uma grande partida. Até falei no vestiário que não tinha nada perdido e que podíamos nos recuperar, da forma que eles tinham atuado. De repente, veio uma surpresa. Coloquei numa reunião que, me colocando como diretor do clube ou coisa parecida, sem ser o treinador, até mesmo um parceiro do clube, eu não faria troca naquele momento. O Iraty já foi salvo na 2ª Divisão. Caímos num grupo em que o Operário é 100% favorito para subir à 1ª Divisão. Tínhamos que melhorar nosso ambiente, nossas condições para poder seguir em frente. Até teríamos condições de buscarmos coisas melhores”, disse.

Play voltou a afirmar que sua demissão não foi por conta dos resultados do time e, sim, motivada por questões pessoais. “O rendimento da equipe e a mudança de comportamento foi da água para o vinho. Não ganhamos os jogos devido a condições que o sistema não nos valorizou. Não é o treinador Play de Freitas que está errado, nem os jogadores. É o sistema como um todo. Não há como querer colocar a culpa em uma pessoa ou duas”, desabafou.

O ex-técnico relatou que sequer foi devidamente pago pelo período de quatro meses em que trabalhou na 2ª Divisão, desde que foi designado supervisor do clube. Ele recebeu R$ 1,5 mil, em dezembro, ainda de Adriano Kanaã, referente ao ressarcimento de um jogador, que rendeu R$ 3 mil. Depois, recebeu um depósito de R$ 2 mil, já dos novos gestores. O valor, segundo Play, é abaixo do combinado e ele aguarda para receber o resto.

Play ainda criticou a decisão dos gestores do clube em realizar treinos com portões fechados para a torcida e para a imprensa. “É um clube do interior, um clube que está pedindo para o torcedor ajudar. Sempre estivemos pedindo uma força à imprensa, para noticiar os jogos e nosso trabalho. Não estamos em São Paulo, no Corinthians, que tem um CT fechado. É diferente o sistema. Temos um sistema de amizade, somos amigos. Você anda na rua, o torcedor fala com você e você dá satisfação. É uma coisa aberta. Quem está vindo com essa ideia, sinto muito, está totalmente errado”, opinou.


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