Futebol / Esportes

12/04/17 - 00h11 - atualizada em 12/04/17 às 13h56

Torcedores contestam valor apresentado na bilheteria do Emílio Gomes

Torcedores do Iraty reclamam da forma como está sendo feita a venda de ingressos. Presidente do clube relata que borderô é controlado por funcionário da FPF

Da Redação, com reportagem de Ademar Bettes, Neizinho Pepe e Tadeu Stefaniak 

918 pessoas pagaram ingresso para acompanhar Iraty e União, no domingo, 9, pela 2ª divisão do Campeonato Paranaense
O integrante da Torcida Jovem do Iraty, Alex Dino (Sapo), reclamou da forma como o clube realizou a venda de ingressos para a partida contra União, válida pela Segunda Divisão do Campeonato Paranaense, no Estádio Emílio Gomes, no domingo (9). De acordo com o torcedor, ao pagar pelo ingresso inteiro, de R$ 20, recebeu o ticket de meia-entrada (R$ 10).

Ouvintes do programa “Show de Bola”, da Najuá AM, chegaram a contestar a bilheteria, que registrou 510 pagantes da entrada inteira, 408 pagantes de meia-entrada e mais 72 não pagantes, com arrecadação de R$ 14.280.

Confira os áudios com a participação do torcedor contestando a cobrança de ingresso e a resposta do presidente do Iraty no fim deste texto

“Essa situação que aconteceu ontem [domingo, 9] foi mais uma situação ridícula que o torcedor iratiense está tendo que passar e os jogadores também. Para começar, uma lista que tinha de torcedores que iam pagar meia-entrada, já cortaram, deram 30 ingressos pela metade. Eram 130 nomes que iam lá para apoiar o time e liberaram só 30. Mas se fosse ver, no meio dos nomes que tinha nessa lista de 130, 70, no mínimo, eram estudantes e iam pagar meia do mesmo jeito; só que teve torcedor que pagou a inteira (R$ 20) e pegou a meia. Paguei R$ 20, meu nome estava na lista, falaram que não ia mais ter lista e me deram meia-entrada. Eu fui ver isso só depois do jogo”, relata Alex.

A Torcida Jovem diz que não vai mais solicitar ao Iraty a cessão de meia-entrada e que vai pagar sempre a inteira, desde que o clube preste contas publicamente sobre a bilheteria de cada jogo. “Não vamos ficar implorando para presidente, nem para ninguém, sendo que eles não querer ajudar. Se eles não querem mais futebol aqui na cidade, que abram as portas para outras pessoas que querem. Aqui todo mundo gosta de futebol, todo mundo vê o esforço do Play [de Freitas, treinador] e dos meninos. Um verdadeiro time de guerreiros. Mas essa situação que está acontecendo não pode acontecer em lugar nenhum”, manifesta o torcedor.

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O treinador do Iraty, Play de Freitas, comentou ao vivo, no programa “Show de Bola” de segunda-feira (9), que recebeu uma ligação anônima relatando que os ingressos estariam sendo vendidos pelo preço da entrada inteira (R$ 20) e os torcedores estariam, por sua vez, recebendo o ingresso de meia-entrada (R$ 10). “Essa é uma situação muito chata, que nem sei se podemos provar ou não. Mas, se isso estiver acontecendo, é uma sacanagem; estão judiando da gente”, acrescentou.

Play afirma discordar da conduta que os denunciantes anônimos apontaram a respeito da bilheteria e orienta à torcida que exija o ticket do valor correspondente ao que foi pago (inteira, R$ 20 ou meia, R$ 10) para que não seja lesado.

Sobre a partida de domingo (9), o treinador afirma que nem a comissão técnica nem o plantel receberam qualquer prestação de contas sobre quanto da renda da bilheteria foi usada para pagar a arbitragem e para a Federação Paranaense de Futebol (FPF) e quanto dela sobrou para distribuir entre os jogadores e funcionários.

“Queremos saber, porque estamos desde janeiro nesse empenho, nesse sacrifício todo, o sacrifício de todo mundo. O Rogério do Park Dance teve que pagar uma taxa de R$ 2,5 mil à CBF para poder abrir inscrições de atletas na Federação, os jogadores pagaram suas próprias inscrições. O clube não está desembolsando nada, a não ser ceder o espaço, o campo, o vestiário, as dependências para que possamos usar. Fora isso, não há nenhum desembolso do clube em relação ao futebol”, afirma Play.

Iraty venceu o União, por 2 a 0, no domingo, 9
O treinador diz, ainda, estar chateado com a postura da diretoria do clube, que não estaria correspondendo ao empenho do setor de futebol. “Ficamos chateados por isso, pelo empenho de tudo o que está acontecendo. Se tivéssemos pessoas nos dando a mão de fato... Olha que coisa bonita foi o jogo de ontem [domingo, 9], a torcida compareceu, o time jogou bem... Isso tudo nos deixa insatisfeitos”, comenta. Play sugere que o Iraty deixe a diretoria do futebol para quem se interessa pelo esporte. “Deixa a bilheteria e o bar para quem está mexendo com o futebol. O dinheiro do futebol fica com o futebol. Aí pegamos o que sobrar e controlamos, pagamos o que tem que pagar: a arbitragem, luz, água e deixamos o dinheiro para o futebol”, opina.

Outro lado

O presidente do Iraty, Marcos Marques, convidado do programa “Show de Bola” de terça-feira (11), afirma que este se tornou um caso de polícia e que pretende abrir representação contra o integrante da Torcida Jovem do Iraty. Marques o acusa de calúnia e diz que Sapo terá que provar as afirmações que fez sobre o suposto desvio na bilheteria. Ainda de acordo com o presidente do clube, as funcionárias que trabalharam na bilheteria no domingo (9) estariam acuadas diante da repercussão do caso e não querem mais trabalhar.

“Não vou defender nenhum diretor. Cada um é adulto para se defender. Não vou admitir, em hipótese alguma, seja quem for, acusar duas mães de família que estavam trabalhando lá, de falar uma coisa dessa. Para o próximo jogo, tenho duas funcionárias que não querem trabalhar mais. Se algum diretor meu, se algum funcionário meu dever alguma coisa, vai arcar com as consequências. Se não dever, quem fala, quem tem o poder e usa o microfone para falar vai ser responsabilizado”, diz.

“Quem faz borderô, quem controla a bilheteria, é o representante da Federação [Paranaense de Futebol, a FPF]. Não é o Iraty Sport Club quem fecha borderô. E ele ganha – inclusive, nós pagamos por isso – para ele ficar lá. Em qualquer irregularidade, ele é o responsável”, acrescenta.

Conforme o presidente, o clube não tem acesso ao borderô; recebe apenas uma cópia. Depois, o clube paga à Federação as taxas relativas à partida e a FPF não aceita cheque de terceiros: precisa estar em nome do clube ou do presidente, explica.

Marques questiona o motivo de uma lista amiga de 130 torcedores, se a maioria já era composta de estudantes. Ele afirma que até mesmo a imprensa deveria pagar ingresso para transmitir os jogos “porque ela ganha em cima do Iraty”.

Indagado por um ouvinte do programa sobre quando o clube passaria a valorizar a torcida, o presidente do Iraty respondeu que a valorização começou a partir de domingo (9), “quando, efetivamente, eu a vi torcer. Nos outros jogos, eu não vi”. Sobre uma eventual promoção de meia-entrada para quem for com a camisa do time ao estádio, Marques diz que é um caso a ser estudado, mas não confirma a oferta.

Confira o áudio da entrevista com Alex Dino (Sapo) e Play de Freitas

Confira o áudio da entrevista com Marcos Marques



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