Geral / Esportes

01/02/18 - 01h15 - atualizada em 02/02/18 às 18h45

Xoxolo rebate críticas quanto à transferência da Assifusa para PG

Ex-técnico Dedé afirmou que associação foi transferida para Ponta Grossa por falta de apoio do empresariado e do poder público municipal

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava 

O secretário municipal de Esportes e Lazer de Irati, Antônio Celso de Souza, Xoxolo, rebateu as críticas contra a administração municipal originadas a partir da confirmação da transferência da Assifusa para Ponta Grossa. Na semana passada, a associação confirmou a parceria estabelecida com a Fundação Municipal de Esportes de Ponta Grossa, para que a nova equipe, que será denominada Novo Futsal PG, dispute a Chave Prata do Campeonato Paranaense de Futsal com a vaga obtida pela Assifusa. O Novo Futsal PG também vai disputar os Jogos Abertos do Paraná. 

O ex-técnico da Assifusa, André Demczuk (Dedé), alegou que a decisão em transferir a associação para Ponta Grossa foi tomada diante da falta de apoio do empresariado local e do poder público municipal ao projeto, que possui títulos de utilidade pública municipal, estadual e federal. A afirmação de Dedé de que o prefeito de Irati, Jorge Derbli, teria reduzido a subvenção à Assifusa “porque não gosta de esportes” gerou polêmica nas redes sociais e o debate divide opiniões. 

Xoxolo defende que, ainda que a recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) para que subvenções sejam repassadas via chamamento público, e que as subvenções de R$ 70 mil tenham sido interrompidas, a Prefeitura de Irati auxiliou a Assifusa com despesas extras, como arbitragem (com custo aproximado de R$ 2 mil por jogo realizado em casa), transporte e alimentação para a disputa de campeonatos ao longo do ano passado. Ele acrescenta que o município também sempre disponibilizou uma equipe para a manutenção do ginásio usado pela equipe para treinos e jogos e a oferta de bandeiras e aparelhagem de som para os jogos. 

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A lei 13.019/2014 estabeleceu o prazo para que, ao longo de 2015 e 2016, os municípios adequassem suas políticas de concessão de subvenções, para que a partir de 1º de janeiro de 2017 passassem a ocorrer através do chamamento público. “O TCE-PR não aceitaria mais como vinha sendo feitas as subvenções. Apesar de ter ido um projeto à Câmara, no valor de R$ 45 mil, elas eram para as categorias de base; não tem nada a ver com a questão do adulto”, explica. 

No ano passado, as categorias de base passaram a responsabilidade da recém-criada Associação Desportiva Iratiense. Dedé relatou que a Assifusa recebeu apenas uma parcela da subvenção, em abril, quando a associação abriu mão do recurso. Xoxolo, por sua vez, afirma que foram repassadas duas parcelas – abril e maio – antes da interrupção. “Se, lá atrás, foi investido dessa subvenção para o adulto ou para outra modalidade, é uma questão que eles sempre tiveram que prestar contas. Há uma comissão que está sempre fazendo vistorias nos projetos para ver onde estão sendo investidos os recursos”, complementa. 

Quanto à redução da subvenção, o secretário destaca que em todo projeto de lei de subvenção, existe o termo “até”, que limita a autorização a conceder a subvenção até aquela determinada quantia – ou seja, pode ser menor do que o teto estabelecido. 

Assifusa terminou a Série Prata de 2017 na quarta posição e ficou próxima de conseguir acesso inédito para a Série Ouro

Já em relação à transferência da Assifusa para Ponta Grossa, o secretário afirma que não foi avisado oficialmente e que foi informado através da Rádio Najuá sobre o tema. “As portas estão abertas, temos o calendário anual de 2018 e temos o orçamento também, inclusive, temos recursos para o futsal masculino, que eram questões relativas a transporte, alimentação e arbitragem. Temos esse recurso no orçamento de 2018, pronto para receber. Sou suspeito para falar, porque praticamente ajudei a fundar a Assifusa, sempre colaborei, como sócio-torcedor. Não tenho nada contra, sempre nos respeitamos. Porém, as dificuldades existem e temos que trabalhar para poder sempre melhorar”, diz. 

Até o final do ano de 2016, a subvenção mensal recebida da Prefeitura era de até R$ 82 mil. Havia a proposta de que a partir de 2017, com o gerenciamento das escolinhas de futsal, esse valor chegasse a R$ 100 mil, conforme Xoxolo. Com a cisão da Assifusa, que passou as categorias de base à Associação Desportiva Iratiense, o valor a ser repassado foi reduzido para R$ 45 mil mensais, de acordo com o secretário. 

Associação Desportiva Iratiense 

Enquanto não obtém o título de utilidade pública municipal – o que leva pelo menos dois anos desde a fundação da entidade, são os próprios pais de alunos quem mantém a Associação Desportiva Iratiense. A Prefeitura subsidiou, via Secretaria de Esportes e Lazer, arbitragem em disputas de campeonatos, transporte para fora da cidade e alimentação dos atletas nas competições, segundo Xoxolo. 

“Chegavam os finais de semana e havia três, quatro ou cinco viagens e tínhamos apenas um ônibus. Tínhamos dificuldades com o transporte também, mas sempre que viável, auxiliávamos com alguma coisa”, observa. 

Xoxolo afirma que município auxiliou Assifusa com despesas extras, como arbitragem (com custo aproximado de R$ 2 mil por jogo realizado em casa), transporte e alimentação para a disputa de campeonatos ao longo de 2017

Manutenção de ginásios e quadras 

“Estamos lutando para fazer uma troca das luminárias do ginásio do Parque [Aquático]. No ano passado, fizemos uma boa parte também, no Ginásio Agostinho Zarpellon Júnior, que passará por uma minirreforma”, afirma. 

O secretário estima que a manutenção de cerca de 50 quadras existentes em todo o território municipal consumiria em torno de R$ 1 milhão e, de acordo com Xoxolo, esse recurso está sendo buscado nas outras esferas de governo. 

Para o Estádio Municipal Abrahm Nagib Nejm, que teve a estrutura de iluminação vandalizada, já estão autorizadas as obras para reparos, assegura. 

“Esperamos ter, no menor prazo possível, nosso Ginásio novo [Ginásio de Esportes José Richa, que está com obras paralisadas desde 2012]. Nosso Ginásio Agostinho Zarpellon Júnior é, hoje, patrimônio histórico, sempre tem que estar mantendo e reformando. Mas sabemos que ele não tem, hoje, as mínimas condições para jogar futsal. Estávamos, no ano passado, na expectativa de que a Assifusa subisse para a Chave Ouro e eles falavam ‘puxa, se subirmos, não teremos onde jogar em Irati”, lembra. 

Outras modalidades 

O tênis de mesa, que treinava no Clube Sete, foi transferido inicialmente para o ginásio do Parque Aquático e, posteriormente, ao Batatão, sob demanda da equipe, em função da infraestrutura que o local oferece, segundo Xoxolo. “Eles participaram, no ano passado, de sete etapas do Paranaense. São sete meses, era uma etapa por mês e conseguimos manter”, acrescenta. 

Já o vôlei, subsidiado por patrocínios, de acordo com o secretário, recebia auxílios do município para arbitragem, viagens e alimentação. “Conseguimos manter o básico. Não foi o que planejávamos, porque sempre queremos mais”, reitera.

Nos últimos dias, circularam nas redes sociais muitos comentários acerca da alegada “falta de apoio” do município a modalidades como handebol e basquete, por exemplo, e alguns atletas cogitam, até mesmo, procurar outros municípios para representar nos Jogos Abertos do Paraná. Questionado sobre como pretender contornar essa situação e como mantém o diálogo para evitar essa migração de atletas, Xoxolo comentou que soube que a equipe de voleibol feminino pretende migrar para Imbituva e que não tem como impedir. 

“Tive uma conversa muito boa com o professor Paulo Machinski, diretor de projetos da Unicentro, e tendemos a renovar algumas modalidades. Claro que precisamos do material humano para trabalhar e estamos buscando isso sempre, para que possamos manter Irati no alto nível. Lógico que vão fazer falta, vão fazer bem a outro município, mas nesse início de 2018 teremos que renovar e esse é o objetivo”, diz. 

Xoxolo nega que a Secretaria de Esportes tenha deixado de apoiar alguma modalidade. “Não temos um talão de cheques, nem uma conta específica. Temos sempre que trabalhar em harmonia com a administração, o que é normal. Se dependesse só de mim, tenho certeza de que teríamos o Ginásio novo e todas as quadras reformadas. Mas não depende de mim, e sim da administração. Estamos buscando recursos fora. Foram iniciadas, nesta semana, três quadras, através de convênio federal, que estão sendo reformadas. A expectativa é buscar recursos todo dia, principalmente para manter a estrutura física e manter as modalidades, que são de fundamental importância para o município”, afirma. 


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