Matérias / Irati de Todos Nós

20/05/16 - 15h37 - atualizada em 24/05/16 às 16h41

21 de maio - Dia Mundial da Cachaça

Professor José Maria Grácia Araújo                            

                             

Dia 21 de maio é o dia mundial da nossa nobre e brasileira cachaça. Em homenagem a essa importante data vou-lhes falar um pouquinho sobre ela. 

Durante a semana, como sempre faço, estava pesquisando sobre algum assunto relevante que poderia me servir como tema do meu programa deste sábado dia 21, quando me deparei com a informação de que o dia 21 de maio é considerado, no calendário BOTIQUINÊS, como o DIA DA CACHAÇA. Confesso que, inicialmente, fiquei um pouco apreensivo se deveria utilizar uma bebida alcoólica como tema de um de meus programas IRATI DE TODOS NOS, mas depois de muito refletir, cheguei a conclusão de que, sendo a CACHAÇA um produto tipicamente brasileiro, e que IRATI não estaria de fora do enredo desta história, valeria a pena me arriscar. No entanto desejo alertar a todos os meus ouvintes de que, com isso não estou fazendo apologia ao alcoolismo e sim, unicamente, tentando levar a todos vocês, meus presados ouvintes, detalhes culturais deste que é um produto brasileiríssimo e apreciado tanto no Brasil como também, no restante do mundo.

O meu BOA TARDE A TODOS VOCÊS, apreciadores, ou não, da brasileiríssima CACHAÇA, desejando a todos que a paz, a tranquilidade, o amor, e... a MODERAÇÃO, estejam dentro de seus lares e de seus corações.

Bom, falar de Cachaça com brasileiros é meio complicado. A imagem da Cachaça até hoje é mal vista por grande parte das pessoas, infelizmente. E a tequila sofre o mesmo preconceito, pois ambas passam a imagem de algo amargo, algo que nos deixa bêbados facilmente, entre outros muitos MIMIMIs…

Basicamente, essa imagem pré-criada e formadora de opinião só acontece por três motivos:

Falta de conhecimento dos consumidores

Muitos clientes quando chegavam ao meu antigo barzinho, BOSQUE ENCANTADO, e me pediam algum coquetel com Vodka ou, até mesmo, quando me perguntavam sobre a carta de coquetéis do dia, eu costumava perguntar se ele não gostava de Cachaça, e se gostaria de experimentar o mesmo coquetel, porém sendo feito com cachaça. E a resposta, na maioria das vezes, era negativa.

Alguns diziam:

“Não quero ficar bêbado rápido, estou devagar hoje, vamos com calma”

Aí eu alertava:

“Mas a cachaça que vou servir tem o mesmo teor alcoólico da vodka  “

Daí a pessoa retrucava:

“Ahh, mas eu não gosto de cachaça, ela é muito amarga, desce rasgando!”

Mas eu insistia:

“Bom, experimente tomar uma dose de vodka. Que dependendo da sua qualidade, irá “rasgar” da mesma forma!“

A cachaça e a tequila são produtos maravilhosos se você se permitir conhecê-los quando de boa qualidade. Você encontrará produtos de grande qualidade até mesmo pra o preparo de coquetéis. A tequila só ganhou essa má fama aqui no Brasil, de deixar bêbado rápido, pela forma que é consumida. Muitas marcas de cachaça brasileiras contribuíram para isso e por não serem produtos da melhor qualidade, por não serem suaves e saborosas, por isso o seu teor alcoólico passa a ser bem mais perceptível na degustação do que o seu sabor. Com isso, fica mais suscetível a rejeição do consumidor.

A cultura brasileira do modismo também contribui muito para isso.

Estou dizendo que o Brasileiro é: Repetidor de informações tem tendência a escolher o que está na moda e, a grande maioria, não dá tanta importância a qualidade do que está consumindo. Ou seja, infelizmente o brasileiro dá mais credibilidade a marca mais famosa e não procura pesquisar sobre o produto e comparar com os outros, para aí sim, formar a sua opinião.

O brasileiro que não se permite conhecer produtos novos acaba consumindo as mesmas coisas sempre nas comemorações, em casa e no bar e por isso essa imagem das bebidas vai se espalhando de pessoa a pessoa.

Cachaça: Por que não a defendemos? Até quando veremos os produtos importados como melhores?

Não apenas falando dos consumidores, mas também quem, assim como eu, já trabalhou diretamente com bebidas, temos o hábito de repetir o que vem de fora. Procuramos criar novos coquetéis, na maioria das vezes, com os destilados lá de fora. Acredito que a grande maioria dos barmens brasileiros precisam passar por treinamentos, reciclagem e incentivos sobre a cachaça, nosso produto nacional, na intenção de mudar essa aceitação, essa cultura e preconceito com o nosso produto.

É impressionante! De acordo com uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde, há exatamente um ano atrás, fizeram um ranking das bebidas mais vendidas no mundo. E a cachaça, está em décimo lugar nesse ranking, na frente de outros famosos produtos importados.

O que acontece muito hoje em dia é que o profissional do bar, está antenado apenas ao que acontece lá fora. Claro, precisamos muito estar atentos ao que acontece no mundo e saber o que é tendência. Mas acredito que o processo criativo com os nossos produtos caem demais. Por exemplo, há pouco tempo que a caipirinha foi aceita como um coquetel. Levou 40 anos para isso acontecer.

Por conta de um estigma social, muita gente ainda torce o nariz quando o assunto é cachaça. A própria história da bebida no Brasil contribuiu para esta má imagem, que sempre foi associada à escravatura e posteriormente às classes mais baixas devido ao baixo preço e processos de fabricação ultrapassados, que depreciavam a qualidade do produto final. Mais recentemente, a cachaça começou a ser valorizada como deve ser graças às pessoas que passaram a admirar este nosso patrimônio cultural e a exaltar o ritual de se beber cachaça entre amigos.

Tanto faz se for no “martelinho”, aquele copinho característico, ou misturada com gelo, açúcar e limão em uma caipirinha, quem a bebe sempre tem histórias para contar. Falando em caipirinha, esse drink brasileiríssimo é destaque internacional e faz parte da lista oficial da IBA (International Bartenders Association), além de estar entre os 10 melhores do mundo segundo a entidade. Para quem não dispensa beber a famosa purinha, existem cachaças feitas com mais cuidado e envelhecidas usando barris de madeiras especiais que podem ser comparadas aos melhores uísques do mundo não só na suavidade, mas também no preço.

O que antes era relegado aos castigados e escravos, aos poucos passa a se tornar artigo indispensável em muitos bares da elite brasileira e mundial. Beber cachaça deixa de ser vergonhoso, começa a ganhar status e a conquistar até o público feminino, tradicionalmente menos tolerante ao sabor tão característico. Beber cachaça agora é arte.

- Mas, e as receitas, Araújo? Tá na hora de você nos apresentar algumas que são do seu conhecimento.

Se for isso que vocês, prezados ouvintes, desejam vamos lá!

Pra começar, antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que é MITO essa história de que aquele bagacinho branco que fica no interior do limão azeda a caipirinha. Isso não é verdade, você não precisa retirá-lo. Conheço muitos barmens que o retiram dizendo que azeda, mas isso não é verdade. O que azeda é o óleo que sai da casca do limão se você o macerar demais.

 Se você quer fazer uma caipirinha menos azeda possível, você não deve macerar demais o limão. Você deve espremê-lo somente o necessário para retirar o suco dele. Retire o bagaço de dentro apenas se você o considerar feio na bebida pronta.

Então, vamos lá! Mãos a obra.

Caipirinha com mais de uma fruta

Frutas da época, além de mais em conta, as frutas são facilmente encontradas e estão mais frescas e gostosas. A manga rende ótimas caipirinhas. Para utilizá-la, escolha o tipo palmer. Algumas frutas, como a carambola, a mexerica, a pitanga e a amora podem variar de azedinhas a dulcíssimas, de acordo com a época. Prove antes de preparar o coquetel e, caso estejam bem doces, diminua pela metade o açúcar da receita. Essa regrinha de cortar ao meio é fixa para o caju, naturalmente bem doce.

Caipirinha de frutas vermelhas: Morango + framboesa + amora

Caipirinha de frutas amarelas: Maracujá + Manga + Abacaxi

Caipirinha de frutas verdes: Limão + Kiwi + Xarope de Maçã Verde (Opcional o xarope de maçã verde)


- Caipirinha com gengibre

Meu filho, se você ainda não experimentou uma caipirinha de limão (ou tangerina) com gengibre, saiba que é mais gostosa do que a clássica. Eu, pelo menos, prefiro.

MODO DE PREPARO:

Corte dois filetes bem finos de gengibre e acrescente na receita tradicional da caipirinha. Feche os olhos e de o primeiro gole. Você nunca mais vai se esquecer desta maravilhosa experiência. Experimente.


- Caipirinha com ervas aromáticas e saborosas

Manjericão, hortelã, capim limão e outras ervas aromáticas devem ser usadas frescas, mas não maceradas junto com as frutas e o açúcar. Isso porque o óleo contido nelas pode resultar em gosto amargo ou expressivo demais, se pressionadas com o socador, fora que também ficará muito feio no visual do coquetel. Para tirar o máximo dos aromas, prepare as caipirinhas normalmente e adicione as ervas no final, quando as folhas liberam o aroma pouco a pouco na bebida. O misturador no copo também ajuda.


- Caipirinha com canela em pó

Sensacional também na caipirinha de morango. Só cuidado pra não colocar muito, lembre-se: a caipirinha é de morango com canela e não de canela com morango! Lembrando que se você colocar muita canela, você irá escurecer o coquetel… Ele ficará amarronzado.

E agora uma surpresa para todos.

Variações de Caipirinhas com Pimentas

Algumas pimentas são fortes demais. Nunca use, por exemplo, a malagueta. Já a biquinho, e a rosa, que são bem menos picantes e de bastante sabor, são boas para os coquetéis e podem ir inteiras ao copo. Mas pimenta é especiaria que não serve apenas para dar aroma: um leve ardor cai bem com algumas frutas. Para deixar a bebida ardidinha na medida, a dedo-de-moça é ideal.

Como fazer o preparo do Xarope de Pimenta:

Lave duas pimentas dente de moça, faça um corte, retire as sementes e bata no liquidificador com 1 litro de água e 1 kg de açúcar. Passe duas vezes pela peneira para eliminar qualquer resíduo e estará pronto.

O Xarope de Pimenta fica muito bom em caipirinhas de manga, maracujá e tangerina. O modo de preparo é o mesmo, mas acrescentar apenas uma pitada do xarope. Experimente antes de servir á alguém. Caso você erre na medida, certamente você não vai querer ser agredido por ela.

Pimenta Rosa é maravilhosa para preparar uma caipirinha cheirosa, com um leve amargor e visual diferenciado. Porém, ela não arde. A Caipirinha de Tangerina com Pimenta rosa também, fica maravilhosa.


Atenção prezados ouvintes!

Essa sim é brasileira…

É uma arte tão brasileira que falar dela é falar de música, festa, alegria, tira-gosto, baralho, família, amigos, amigas, porres, ressacas, “causos” e tudo o que faz de nós esse povo tão rico e especial. Então, tire a rolha, encha o copinho, dê um pouco pro santo e me acompanhe nessa dose que eu ainda tenho muito para falar desse assunto!

Tá certo! Mesmo com todos os argumentos você ainda insiste em torcer o nariz para a cachaça, não é?! Pois saiba que com a sua intolerância você pode deixar de impressionar muita gente! Fazer um bom drink não é para qualquer um. E os que dominam as receitas e as técnicas têm mais chance até na hora de conquistar alguém. É verdade! Experiência própria!

E como eu não sou nem um pouco egoísta – uma das características de um bom bebedor é sempre compartilhar conhecimentos – vou dar dicas de mais quatro drinks feitos com cachaça que vão fazer o maior sucesso com seus amigos. E o melhor de tudo: além de deliciosos, são fáceis de fazer, exigem poucos ingredientes e até você que tem duas mãos esquerdas vai conseguir. Vamos lá:


BATIDA DE MARACUJÁ

Essa é show, ou melhor, está presente em tudo quanto é barraquinha na porta dos shows! Você deve conhecer pelo nome de “parafuso” e quando essa batida é bem feita é um perigo: suave e docinha, quando você percebe já está “dormente”. E para fazer é bem simples.


INGREDIENTES 

Uma dose de cachaça silver

Um maracujá. Separe uns gominhos para a guarnição.

Uma colher de chá de açúcar. Seja generoso na colherada!

Gelo


MODO DE PREPARO:

Joga tudo no liquidificador e bate bem.

Depois é só coar, colocar num copo old fashioned com um pouco de gelo, adicionar aqueles gominhos de maracujá que você guardou e se deliciar!


BATIDA DE CAFÉ 

Com esse drink você vai tirar onda! Ele é muito elegante e classudo, ideal para tomar como digestivo depois do jantar todo especial que você preparou. O sabor é excelente e a cremosidade é incrível.

INGREDIENTES:

Uma dose de cachaça. Aqui é melhor usar uma cachaça gold.

Duas doses de café preto forte

50 ml de creme de leite. Há uma variação em que você usa uma clara de ovo e também fica muito bom. Pode substituir sem medo.

Açúcar a gosto. Eu costumo usar quatro colheres de chá.

Gelo


MODO DE PREPARO:

Bata tudo no liquidificador ou em uma coqueteleira, coe e sirva em um copo alto com um ou dois cubos de gelo. Este drink pode até causar estranheza por causa do café gelado e do creme de leite ou clara de ovo, mas é muito saboroso. Vale à pena.


BATIDA DE AMENDOIM

Essa é para dar uma levantada. Forte e encorpada, é daquelas bebidas sem meio termo. Ou você adora por que é bem doce, ou detesta justamente por isso! Essa também é daquelas que te pega de surpresa.

INGREDIENTES:

Uma lata de leite condensado

A mesma medida de cachaça silver

300g de amendoim torrado e sem casca. Pode usar meia lata de pasta de amendoim se preferir

200 ml de água

MODO DE PREPARO:

Bata tudo no liquidificador, coloque em uma garrafa e leve ao freezer por umas duas horas. Sirva sempre ao ponto de congelamento.

E por último, mas não menos importante: é muito melhor curtir a festa toda e voltar bem para casa. Portanto, não exagere na bebida e depois que já tiver tomado umas, não dirija de jeito nenhum!

Até a próxima!


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