Matérias / Irati de Todos Nós

05/11/16 - 08h37 - atualizada em 14/11/16 às 17h20

'Canta tua aldeia e cantarás o mundo'

José Maria Grácia Araújo                      


Bem, meus prezados e queridos ouvintes; iratienses de todas idades e de todos as cantos e recantos do nosso caudaloso RIO DE MEL IRATI, vou-lhes confessar algo muito íntimo e pessoal e gostaria muito, que todos vocês, que me ouvem todos os sábados, acompanhassem com muita atenção e com suas mentes e corações abertos.

É certo, quando verificamos que o nosso país e, por extensão, a nossa querida Irati, está passando por momentos muito difíceis e delicados. Não vem ao caso, neste momento, enumerar todas as mazelas pelas quais o nosso povo esta transitando, o que importa é sim o que, cada um de nós, individualmente, pode fazer para amenizar toda esta difícil situação pela qual passamos.

Então, após pensar e repensar, resolvi montar o meu programa de hoje, baseado em um magnífico trabalho desenvolvido pelo filho de um grande amigo que tive no passado e que tem o mesmo nome de seu pai EDUARDO FENIANOS Fº - O Urbenalta.

Em sua homenagem e adaptando seu manifesto Urbenáltico, as características do meu querido RIO DE MEL – Irati, vou-lhes lançar um apaixonado desafio para que, junto comigo, cada um de vocês, meus ouvintes, venha a aderir ao meu seguinte propósito de cidadania:

“CANTA TUA ALDEIA E CANTARÁS O MUNDO”

IRATY FOI CRIADO

QUASE SÓ POR NATURESA

I HOJE FOI OMENTANDO

O QUE SE VE É UMA BELESA

MUITA GENTE SE ENCANTA

POR ESSA GRANDE RIQUESA. 

Irati foi criado quase só por natureza


Primo Araújo
O meu BOA TARDE a todos vocês, meus prezados, e agora convocados ouvintes, desejando-lhes muita harmonia, paz e amor em seus lares e em seus corações.

Eduardo Fenianos Filho, o Urbenalta Curitibano, há mais de 10 anos viveu a extraordinária proeza de ser o primeiro aventureiro a fazer turismo, durante vários meses, na sua própria cidade, que no seu caso foi Curitiba, sem ter acesso em um único momento a sua própria casa. 

A bordo de um veiculo adaptado para esta aventura, percorreu todos os espaços possíveis e imagináveis da cidade e dos bairros de Curitiba, conversando com pessoas de todas as classes sociais, idades e profissões que lhe pudessem oferecer subsídios sobre a história e a cultura da sua querida aldeia, originalmente denominada pelos índios Guaranis de Ku’ri Tuba, que traduzido para o nosso velho português, significa “Muito Pinheiro”

Livro O Urbernauta
O resultado de todo esse apaixonante trabalho, resultou no primeiro livro do autor sobre o assunto, intitulado “O URBENAUTA”. 

E, é baseado nesta maravilhosa demonstração de cidadania e amor pelas tradições da sua terra, que eu, Jose Maria Gracia Araújo, estou lançando este apelo-desafio a todos os iratienses que, como o URBENALTA Eduardo Fenianos, também ama a sua aldeia.

Fenianos idealizou e catalogou 100 importantes motivos para que Eu, Vocês, todos Nós aprendamos a descobrir os encantos das nossas próprias ALDEIAS. Lendo e readaptando alguns desses 100 motivos Urbenauticos de Eduardo, tomei a liberdade de verte-los para as nossas próprias concepções, estabelecendo caminhos que nos indiquem como devemos cantar a nossa própria ALDEIA – IRATI, nosso caudaloso e adocicado RIO DE MEL. Me acompanhem, por favor.

FUI AO CAMPO COLHE FROR

TODO CAMPO FRORECEU

ESCOLHI AS FROR BRANCA

POR SER PURO COMO EU 

TENHA DÓ DE MIM MUIÉ

DISTO QUI MI CUNTECEU

TE QUERO BEM QUEM GUIZÉ

NINGUÉM TE QUE BEM COMO EU

ADEUS ADORADA FLOR 

EU QUERO ME DESPEDIR 

NÃO CINTO PERDER A VIDA

QUE PARA MORRER EU NASCI

MAIS A NOSSA ADAPTAÇÃO

TUDO TEMPO EU VO CINTI 

Fui ao campo colhe fror


Para sermos bons Iratinautas:

01 – Devemos dedicar a nossa própria ALDEIA a mesma atenção que a humanidade dedica a lua e as estrelas.

- Eu, pessoalmente, interpreto esta frase como que, devemos olhar, nos deslumbrar, manter vivas em nossas memórias e cantar aos quatro ventos as conquistas, realizações e imagens que encontramos em cada canto ou recanto da nossa Aldeia.

Conheço a minha cidade como a palma da minha mão

02 – Devemos nos preparar para poder gritar bem alto: “EU CONHEÇO A MINHA ALDEIA COMO A PALMA DA MINHA MÃO”. E não correr o risco de ser chamado de Papudo.

- Quantos de nós, nos vangloriamos dizendo “Eu conheço muito bem a minha cidade” e, no entanto, nos perdemos quando saímos dos nossos espaços rotineiros. 

03 – Devemos ter o privilégio de conhecer uma porção de Donas Marias, Donas Joanas, Donas Josefas e tantas mais Donas que vivem incógnitas e esquecidas nos diversos espaços da nossa ALDEIA.

- Não sei se é um defeito meu ou se é uma característica herdade de meus pais, mas sempre procuro cumprimentar e até puxar uma rápida “prosa” com todas as pessoas que passam por mim na rua. Com isso já conheci inúmeras novas e interessantíssimas Marias, Joanas e Josefas, Gertrudes...

Esta saudade que eu tenho...


POR ESTA SAUDADE QUE EU TENHO

JÁ ESTOU ME VENDO OBRIGADO

DE CONTAR DO MODO QUE EU VIVO

COM MEU CORAÇÃO APERTADO

POR ME VER DE VOS AUSENTE

DA TUA PRESENSA APARTADO



04 – Devemos procurar conhecer tão bem a nossa ALDEIA para, se necessário for, garantirmos nossos empregos como entregadores de pizzas e motorista de táxi.

Rua XV de Julho...
- Rua XV de Julho, Rua Munhoz de Rocha, Rua XV de Novembro, Rua Cel. Gracia e Cel. Emilio Gomes... Háaaa! Todos vocês sabem onde fica? Fácil, não é mesmo? Mas vamos ver agora se todos vão poder identificar e localizar estas ruas da nossa ALDEIA.

- Rua João Protezek.

- Rua dos Girasois.

- Rua Oscar Fritz Neumann.

- Rua Maria Bittar Prado. 

O bicho Pegou? Quantos de vocês ouvintes não puderam

identificar onde ficam essas ruas da nossa ALDEIA?


05 – Devemos aprender, também, que uma rua nunca é igual ou, nem mesmo parecida com outra.

- Não estou falando isso, considerando apenas a beleza, o cuidado, a limpeza, ou outro artifício mais superficial que determinada rua apresente, mas sim, quero dizer que em cada espaço, em cada beco, em cada rua, ou em cada caminho da nossa ALDEIA poderemos, inesperadamente, encontrar surpresas agradabilíssimas a nossa espera. Pode ser uma “bodega”, uma “venda”, um “jardim” ou até mesmo um velho cacique que tenha muito a nos ensinar sobre os encantos e belezas do local. Acreditem, isso já aconteceu inúmeras vezes comigo, nessas andanças que faço constantemente, por aí.

Bastante são meus desejos...



BASTANTE SÃO MEUS DESEJO

GRANDE SÃO MINHAS VONTADE

DE VORTÁ AI ARGUM DIA

PRA MATÁ A MINHA SAUDADE

PRA PODE VIVE CONTENTE

E GOSA DE MUITA FELICIDADE. 



06 – Devemos aprender fazer “turismo” na aldeia que moramos, mas que não temos tempo de conhecer a sua história, os seus encantos e as suas belezas.

É crué vive ausente...
- Meus amigos ouvintes, a muito aprendi a reservar um pouco do meu tempo livre, para percorrer os mais diferentes espaços urbanos e rurais da minha querida Aldeia – Irati. De carro ou, principalmente, de moto saio por aí, sem destino certo e sem olhar no relógio, mas com os olhos atentos a cada detalhe, a cada som, a cada rajada de vento, a cada índio ou pajé que encontro em meu caminho. Vocês nem imaginam, quantas experiências maravilhosas já tive oportunidade de acrescentar a minha, já imensa paixão pelo meu Rio de Mel – Irati. Ficaria muito feliz se cada um de vocês, pelo menos três ou quatro vezes por ano, praticassem a modalidade do turismo em sua própria aldeia e até formássemos um seleto grupo com essa finalidade. O que vocês acham?

É CRUÉ VIVE AUSENTE

DAS BELESA QUE É SÓ PENSÁ

MAR POSSO SABE O CAMINHO

POR ONDE QUERO CAMINHÁ

NÃO QUERO VIVE SÓZINHO

SEM PODE TE VISITÁ.


07 – Devemos aprender a cultuar o lema de que é muito mais útil plantar sementes de novas árvores do que quebrar galhos das já existentes.

- Quantas vezes cada um de nós, por descuido ou mesmo por maldade, poluímos, destruímos, negligenciamos, duvidamos, ignoramos e tantos “amos” mais, quando poderíamos estar enaltecendo nossas conquista e predicados e corrigindo nossos defeitos. Conheço a vitoriosa trajetória de muitos povos que adotaram cultivar o amor pela sua aldeia e hoje estão colhendo os bons frutos desta iniciativa. Pensem nisso, meus caros ouvintes.

DRENTO DO MEU CORAÇÃO

TENHO PENAS A SENTÍ

POR CAUSA DE ARGUMAS MARDADE

QUE JÁ QUÉ NOS DISTRUÍ

GEMO, SOLUÇO E SUSPIRO

POR TI, MINHA QUERIDA IRATY.

Dentro do meu coração...


08 – O título que escolhi para este programa de hoje foi: CANTA TUA ALDEIA E CANTARAS O MUNDO.

- Eita frase arretada seo!

Quantos de nos, índios ou caciques, desta grande e querida aldeia que chamamos de IRATI e a consideramos nosso RIO DE MEL, á cantamos em prosa e verso, quando temos a oportunidade de assim procedermos? Os nossos visitantes sejam aqueles que nos visitam ou, mesmo, aqueles que visitamos, sempre estão dispostos a nos ouvir contando as coisas boas que temos ou que acontecem em nossa taba, em nossa aldeia ou mesmo em nossa tribo. E como é que aproveitamos essa grande oportunidade de prestigiá-la, de enaltecê-la? Juvenal Ferreira de Camargo, o nosso querido e saudoso Juvenal Mole, sabia, através de seus décimas, CANTAR A SUA ALDEIA co maestria.

QUANDO CONHECI IRATY

IRATY INDA ERA PEQUENO

TINHA SÓ A RUA DA INSTAÇÃO

CONTANDO ISSO MAIO O MENO

QUE CHAMAVAM COVARZINHO

DISPOIS ELLA FOI CRESCENDO

QUANDO FALAM EM IRATY

SEMPRE FAIS OUTRA FIGURA

PORQUE É TERRA BENÇOADA

QUE TODO MUNDO PERCURA

MUITA GENTE VEM PRA CÁ

PRA GANHÁ UMA OUTRA ARTURA. 

Tanta simplicidade movida por um grande amor pela sua aldeia.

Quando conheci Iraty...


09 – Meu amigo procure sempre colocar em prática um belo pensamento de Platão, que nos diz o seguinte: “Não há bem maior que possa engrandecer uma ALDEIA do que, dentro dela, nos conhecermos e nos respeitarmos uns aos outros”.

- Comesse pela tua própria “tenda”, depois amplie para a tua rua, o teu bairro, a tua comunidade, a tua ALDEIA, o teu estado, o teu país. Nesta ordem, nesta trajetória, nesta seqüência, acredite, você estará sempre e com a maior certeza; CANTANDO A TUA ALDEIA para, então, só depois disso, CANTAR O MUNDO.


10 – Procure, sempre que puder refazer a bonita trajetória que nossos avós percorreram no passado. A viagem do vovô e da vovó que conheciam o açougueiro, o verdureiro, o padeiro, o leiteiro, o lixeiro, em fim á todos aqueles “eiros” que nos dias de hoje vivem abandonados atrás dos balcões dos modernos supermercados.

- Quem de vocês, meus amigos ouvintes, viveu e ainda lembra, do padeiro que deixava nosso pão de cada dia, em uma sacola que a noite colocávamos no portão de nossas casas. De leiteiro, que colocava nosso leite, na soleira de nossas portas. Do verdureiro que batia em nosso portão, nos oferecendo, alfaces, cenouras, repolhos, cheiros verdes e todos aqueles outros produtos fresquinhos produzidos em suas hortas.

Pensando nos sofrimento...

PENSANDO NOS SOFRIMENTO

DOS HOME DESVENTURADO

EU TENHO UMA DOR TÃO GRANDE

NESTE PEITO MAGOADO

A GENTE NASCE NO MUNDO

I NÃO SABE O QUE VAI PASSA

POR ISSO QUERO QUE LEMBRE

DAS PESSOA PRA REENCONTRÁ.



11 – Procure, meu amigo ouvinte, não conhecer somente o pinheiro e a sua pinha, mas sim, e principalmente o PINHÃO que ali é produzido.

- Pessoalmente, sempre adotei a seguinte comparação; Se o pinheiro é a nossa tribo, a pinha será a nossa ALDEIA e o pinhão, então, será cada um de nós que ali vivemos. Portanto, meus amigos, vamos procurar conhecer melhor cada um dos PINHÕES, com os quais convivemos em nossa ALDEIA.

Neste ano fui na festa...
NESTE ANO FUI NA FESTA

DA IGREJA DO ANGAÍ

LÁ VI TANTA COISA

QUE INTÉ AGORA NÃO VI

TINHA GENTE DE LÁ

MAIS TINHA, TAMBÉM DAQUI 

TINHA INTÉ GENTE MINHA

QUE QUASE NÃO CONHECI.


12 – Fuja, como o diabo foge da cruz, do terrível processo de ‘formigalização” que está nos transformando em autômatos que nos limitam aos caminhos da casa para o trabalho, do trabalho para casa...Do trabalho ao supermercado, do supermercado para casa... e assim por aí a fora.

Dizem que minha aldeia tem beleza...
- Em nossa própria ALDEIA, passamos a percorrer sempre os mesmos caminhos, nos mesmos horários e com a mesma pressa de chegarmos a nossos, sempre mesmos destinos. Não nos damos o direito da variação de itinerários diferentes, momentos diversos, aceleração rápida e constante. Com isso tudo aquilo que está entre dois pontos distintos das nossas andanças, passam pelas janelas da nossa mente, tais como o vento que se vai, sem ao menos o sentirmos e nossas faces. Diminua sua pressa, diversifique seus trajetos, aguce a sua percepção visual, auditiva e olfativa, aí então, acredite, você vai desfrutar de muitos e muitos detalhes maravilhosos que, somente a tua ALDEIA pode proporcionar aos teus cinco sentidos e, principalmente, ao teu coração. Tente!

DIZEM QUE MINHA ALDEIA TEM BELESA

MAIS PRA MIM ELA É MUITO TRISTE

OUTROS DIZEM ASSIM ENTÃO

QUE NELA AS COISAS BOA EXISTE

E QUE VIVER AQUI É MUITO BÃO

QUÉ PRA MIM NÃO FICÁ TRISTE


13 – Se de ao direito de vez ou outra, curtir uma demorada e aconchegante conversa de varanda.

Pensando nos sofrimento...
- Você, que não curte esse saudável costume, não sabe o que esta perdendo, principalmente se essa prosa se desenrolar com pessoas de mais idade e experiências cotidianas que você. Como curar unha encravada, o que existia no morro da Santa antes de lá ser construída a imagem de Nossa Senhora das Graças, e qual a pessoa mais indicada a ser procurada quando você quer se livrar de alguma enrascada em que se meteu. Isso tudo e muito mais, se desenrola em um simples e amistoso bate-papo de varanda.

PENSANDO NOS SOFRIMENTO

DE UM HOME DESVENTURADO

TENHO UMA DOR TÃO GRANDE

NESSE PEITO AMARGURADO

A GENTE NASCE NO MUNDO

I NÃO SABE O QUE VAI PASSA

POR ISSO QUERO QUE INSCUTE

A HISTÓRIA QUE VO TE CONTÁ.


14 – Se Cristóvão Colombo, Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama desbravaram os mares. Charles Darwin estudou as espécies. Neil Armstrong chegou à lua. Se a todos eles coube estudar e desbravar o que Deus e a natureza criaram, a nós, que amamos a nossa tribo, caberá estudar, descobrir e desbravar aquilo que nós mais amamos, a nossa querida ALDEIA – IRATI, nosso adocicado e caudaloso RIO DE MEL.

Que não é pra me gavá...
QUE NÃO É PRA ME GAVÁ

MAIS FUI BÃO DESDE CRIANÇA

MINHA MÃE ME BENSOAVA

POR QUE ERA DE CONFIANÇA

I OS CONSELHO BÃO QUE ME DAVA

PRA ARESPEITA MINHA IRATI AMADA.

Todas as trovas que vos ofereci neste programa são de autoria de Juvenal Ferreira de Camargo e as imagens de obras de Primo Araújo.

É isso aí, amigos e ouvintes, deste meu programa IRATI DE TODOS NÓS, eu e esta prestigiosa emissora RADIO NAJUÁ, procuramos sempre lhes oferecer o que há de mais importante sobre a história, passada, presente e futura do nosso querido Rio de Mel – Irati. Desta forma repito mais uma vez:

CANTE SEMPRE (Primeiro) A TUA ALDEIA, PARA ENTÃO DEPOIS SABER CANTAR O MUNDO. Até o próximo sábado.



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