Matérias / Irati de Todos Nós

02/02/17 - 14h56 - atualizada em 14/02/17 às 09h00

Irati, 110 anos de emancipação, 118 de história

Este programa foi ao ar no dia 28 de janeiro de 2017

José Maria Grácia de Araújo

O Programa Irati de Todos Nós é idealizado e apresentado por este humilde iratiense, apaixonado pelo sei querido Rio de Mel: José Maria Grácia de Araújo e vai ao ar todos os sábados pela Radio Najuá, das 14 ás 14,30 horas.

Estamos em pleno ano da comemoração dos 110 anos de emancipação política do nosso querido município de IRATI.

Porém, este jovem e progressista e caudaloso RIO DE MEL, pode se orgulhar de, realmente, existir com o nome pelo qual foi batizado: IRATY (ainda com “Y”) há justos 118 anos. 

EMÍLIO BATISTA GOMES, Coronel da Guarda Nacional, fixou residência em Covalzinho em 1899. Eleito Camarista em 1904, renunciou o mandato para lutar pela autonomia do Distrito Judiciário de Iraty. Por indicação de lideranças políticas, assumiu o Executivo Municipal em 15 de Julho de 1907, sendo primeiro Prefeito de Iraty, função que exerceu por menos de um ano. Chefiou pessoalmente os trabalhos de abertura de algumas ruas, empenhou-se no movimento de colonização de Gonçalves Júnior ao lado do Coronel Manoel Grácia. Escreveu as primeiras notas sobre a história do Município. Participou com entusiasmo e dedicação de assuntos de interesse coletivo.

Vou tomar a liberdade, nesta importante ocasião, de considerar o ano de 1829, como o ano da nossa concepção, quando o embrião de Pacífico Borges e Cipriano Ferraz, fertilizaram o útero de nossa terra mãe. 29 de Dezembro de 1899, quando por aqui chegaram os trilhos da Estrada de Ferro e o Eng. João Visinoni deu o nome da pequena estaçãozinha de Iraty, como data do nascimento da nosso glorioso Rio de Mel e, 15 de julho de 1907, como data do seu batismo. Concordam comigo? Se concordam, fico muito orgulhoso desta proposição, me restando somente então, desejar o meu BOA TARDE a todos vocês, prezados ouvintes. A todos vocês que se sentem orgulhosos em gritarem aos quatro ventos, que são iratienses. Alguns de nascimento, outros de coração, mas todos eufóricos com a proximidade da passagem de mais um ano de nossa profícua e vitoriosa existência. PARABENS A NOSSA QUERIDA IRATI, PARABENS AO NOSSO POVO, da cidade, dos bairros e do nosso interior. PARABENS... PARABENS... São os sinceros votos desta Emissora e deste apresentador que vos fala. SALVE IRATI – o nosso caudaloso RIO DE MEL, que em 15 de julho deste ano estará completando, nada mais nada menos, que 110 anos de aconchego e cordialidade, para com o seu povo, como também para com todos aqueles que por aqui transitam ou o escolhem para aqui fixar suas residências. 

ANTONIO TEIXEIRA SABOIA, Coronel da Guarda Nacional, líder político, pioneiro nas lutas pelo desenvolvimento Municipal. Residiu durante muitos anos no Pirapó, Distrito Judiciário de Bom Retiro. Primeiro Prefeito de Irati, eleito pelo voto popular, 1908 á 1912. Promoveu a instalação de importantes melhoramentos públicos. Com a vitória da Aliança Liberal, assumiu novamente a função de Prefeito Municipal em 1931/1932, sendo figura de projeção na vida da comunidade. De grande prestigio e capacidade empreendedora, teve folha de relevantes serviços prestados ao Município.

O nome IRATY foi escolhido por Pacifico de Souza Borges e Cipriano Francisco Ferraz, que eram vizinhos e habitavam a região onde hoje se situa a cidade de Teixeira Soares. Ambos recém casados, eram de muita coragem, segundo declarou Bonifácio Francisco Ferraz, filho de Cipriano, de quem o Professor José Maria Orreda ouviu a história que segue:

Há quase duzentos anos, Pacifico e Cipriano avistavam as serras aqui desta região onde hoje é Irati. Subiam em árvores para ver se viam alguma coisa. Um dia resolveram embrenhar-se no sertão, seguindo de canoa pelo leito do rio Imbituva Grande, depois através do Imbituva Pequeno, na direção desejada, alcançaram o rio Assunguizinho. Abandonaram o rio, entrando pelo mato, foram sair num lugar onde acharam uma abelheira com três bocas, uma no troco e duas no chão. Batizaram o lugar com o nome das abelhas: IRATIM. Encontravam-se no local hoje chamado Vila São João. Tudo era sertão. Não havia nenhum morador. Comiam carne de tateto e de outros pequenos animais que conseguiam abater. Derrubaram uma árvore e fizeram uma gamela para salgar e preparar o alimento. Desceram um pouco e encontraram uma lagoa, crismando com o nome de Lagoa o bonito lugar. Continuaram caminhando e acharam um arroio, que chamaram de Camacuã. Em suas margens havia muito papuanzal, Cipriano quis dizer papuã, enrolou a língua e disse camacuã. No Camacuã mataram uma jaguatirica. Prosseguido, encontraram um campo muito largo e bonito, onde havia um rio. Denominaram de Rio Bonito o lugar. Havia muita anta e gado pastando. E o rio foi chamado Rio das Antas. Desceram pela margem do rio, na encosta da serra para encontrar o Imbituva Grande, retornando para casa. Na aventura levaram quinze dias. 

Nhô Pacífico e Dona Piedade
Cipriano ficou morando em seu rincão, na época espaço territorial de Imbituva, embora fosse proprietário de cem alqueires de terras no Camacuã. Pacífico fixou residência na terra descoberta, onde completou, em 1929, com sua mulher D. Maria da Piedade, cem anos de casados.  

Pacifico de Souza Borges e D. Maria da Piedade casaram em junho de 1829. Em junho de 1929 completaram cem anos de casados. Ele com 122 anos, ela com 119 anos de idade.

A Revista Ilustração Paranaense, editada pelo historiador Romário Martins, em 1929, considerou Pacífico e D. Maria o casal mais velho do mundo, atribuindo essa longevidade ao costume diário do chimarrão, pois a erva mate servia o elixir da longa vida. Pacifico faleceu em 1936, com 129 anos e D. Maria, no mesmo ano, dois meses depois, com 126 anos.  

MANOEL GRÁCIA, Coronel da Guarda Nacional, chegou a Irati e, 1899. Foi um dos primeiros comerciantes, instalando sua casa de negócios na Rua Velha, atual Rua XV de julho. Em 1907 financiou a aquisição de uma área destinada a instalação do primeiro quadro urbano da Vila do Iraty, tendo recebido o valor do empréstimo, mais de mil contos de reis, em devolução sem qualquer juro. Incentivador da colonização de Gonçalves Júnior, onde também montou uma casa de comercio, para atender aos colonos recém-chegados a região. Foi o Camarista mais votado em 1908, primeira eleição popular de Iraty e exerceu a presidência da Câmara de 1908 a 1910, quando então assumiu a função de Prefeito Municipal em abril de 1910, ficando no cargo até 1912. Mandou abrir a estrada Irati-Fernandes Pinheiro. Assinou a concessão a Arcelio Batista Teixeira, por 30 anos para instalação de sistema de energia elétrica na Vila de Iraty.

Hiiiiiii! Por falar em Pacifico, olha só ele chegando por aí! Tarde, cumpadre Pacífico, que te trais pur aqui, home de Deus!?

Puis é nho Araújo, eu tava lá im riba, prosiando cum São Pedro, né? I só inscutando as búia aqui di baxo, pra morde comemorá im juio próchimo us 110 ano dessa formosura de cidade, qui eu mai u cumpadre Supriano a discubrimo há muito, muito tempo atrais, seo! 

Uvimo inté qui lá na perfeitura, a parti do dia 20 do próximo méis de juio, o perfeiro Jorge ta pensando im faze uma insposição qui vai si chama di “LINHA DU TEMPO” i qui vai mostrá cumo era essas banda desdi qui us índio Caingangue é qui si malocavam pur aqui. Diz que vai tê inté uma cópia do meu rancho i da minha veia Maria da Piedade e muitos e muitaos retrato dos antigamente. Pamorde intum, quero incunvidá tudo esse povaréu bensoado du município de Irati i di tuda a região pra avisitá Irati in 15 de juio qui já ta ai, batendo na porta dos rachos, seo. Poi vão ta lá tudo o poavaréu de Irati, i inté eu tumbem, pramorde inspricá tim, tim, pur tim, tim, tuda a história desta terra maraviosa. Num deixe de í lá seo!

Mais, cumpadre Pacifico, o prefeito Jorge já sabe desta tua impreitada? Será que você não esta se precipitando, amigo?

Bem, cumpadre raujo, vô faze uma surpresa prele e inspero que num vá recebe dele, um nããããããããão, bem grande, seo.

Haaaaa! Tava inté insquesendo, si fur ter rudeio im juio eu e minha mula formosa, vamo ta lá nu rodeio, campiando e laçando aqueles boizinho “mixuruquinha” qui us pião di agora chama de toro seo! Eu qui já lacei inté onça braba, fico só oiando cumo tudo é mai faci agora. Mai mermo assim, vale a pena, por isso num percam essa portunidade de prestigiá u Rudeio de Irati, puis eu vo ta de oio im tudo vois meceis. Inté, cumpadre Raujo, tenho qui butá o pé na instrada, u mio, nas nuve, puis São Pedro e a Piedade já tão fazendo sinar para eu subi lá pra riba u mais rápido pussive. Intum, vo indo. Inté Breve, pessoar que iunscuta este maravioso programa desta importante radio Najuá, na vois do meu cumpadre Nho Raujo. 

É isso aí, meus amigos ouvintes, quando menos eu espero, surge na minha frente esta figura lendária e maravilhosa. O compadre Pacífico de Souza Borges, que sempre que o motivo é justo despenca lá de riba e vem participar do meu programa. Obrigado pela visita compadre e volte sempre que desejar, pois todos gostamos muito da tua prosa, seo!

FRANCISCO DE PAULA PIRES, Coronel da Guarda Nacional, pioneiro da fundação de Iraty. Fixou residência em Covalzinho antes de 1890. Primeiro Comerciante estabelecido na região, trabalhou para a instalação do Distrito Judiciário de Iraty em 1904, ano em que foi eleito primeiro Juiz Distrital e Camarista pelo município de Imbituva. Renunciou o mandato para lutar pela autonomia municipal, vitória obtida em 02 de Abril de 1907. Prefeito de Iraty de 1912 á 1916, deixou lições de austeridade na administração pública. Empenhou-se na definição dos limites territoriais do Município. Grande líder de espírito forte e humanitário.

E agora, para prosseguirmos, com nosso assunto de hoje, vamos a um relato intitulado:

I R A T I 
Resumo da sua historia – por José Maria Orreda   

As terras que compreendem a região de IRATI, em passado distante, além de mil anos, pertenciam aos Índios. Esses índios, mestres em cerâmica e em lapidar pedra, eram os Caingangues, ramo dos tupis. Vestígios dessa antiga civilização, pedaços de vasos de barro, machados de pedra, tigelas ou pilões, braços de pilão, pontas de flechas, ainda, embora raramente, são encontrados na sede do município e outras regiões, acentuadamente em Itapará, Rio do Couro, Riozinho, Gonçalves Júnior e Rio Bonito, tendo existido uma tribo denominada Coroados nas proximidades do Rio Água Quente, em Guamirim. 

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A denominação Iratim ocorreu em 1929, escolhida por Pacifico de Souza Borges e Cipriano Francisco Ferraz, que vieram da região onde se situava a cidade de Teixeira Soares, conhecer o sertão, batizar as terras e os rios.

Em 1839 chegaram ao território hoje Irati, duas bandeiras procedentes de Sorocaba: A bandeira de José Domingues da Trindade deu origem ao povoado Bom Retiro, hoje Guamirim; e a bandeira de João Pereira de Jesus seguiu a diante pelo sertão e localizou-se nas terras onde fundou o povoado Pirapó.

As primeiras famílias que habitaram São João do Iratym, depois Iraty Velho e hoje Vila São João, teriam vindo da Palmeira, Imbituva, Lapa, Itaiacoca, Assungui, hoje Cerro Azul e Curitiba, desde 1860. 

Francisco de Paula Pires, grande líder de Covalzinho, depois Iraty, fixou residência no local antes de 1890. Em 1882, Manoel da Cruz Nascimento, antigo morador do Iratym, doou suas terras, quatorze alqueires, ao santo protetor São João Batista, através de escritura lavrada em Imbituva. 

São Pioneiros de Covalzinho:  

•PACIFICO DE SOUZA BORGES

•FRANCISCO DE PAULA PIRES

•JOSE MONTEIRO

•JOÃO THOMAZ RIBAS

•LINO ESCUILAPIO MARIANO

•JOSE PACHECO PINHEIRO

MANOEL ALVES DO AMARAL, Tenente da Força Pública Militar do Estado do Paraná, engenheiro agrônomo, nomeado Prefeito de Irati, em agosto de 1938, função que desempenhou até agosto de 1944. Duplicou a renda do Município e triplicou o seu patrimônio público. Iniciou o calçamento da cidade e revestimento de ruas com macadame. Eram seis e ele elevou para 17 o número de escolas municipais. Incentivou a agricultura e a pecuária, foi responsável pela realização as grande Exposição de Animais e Produtos Derivados, construiu 100 km. de novas estradas, a Praça da Bandeira, bueiros de pedra e concreto e o mapa do município. No seu período de governo inaugurou a rede de água e esgoto, telefonia urbana e interrurbana, pista de corridas do Jóquei Club, Grupo Escolar Duque de Caxias e muitos outros grandes melhoramentos para a cidade. Organização, diciplina, austeridade definem a atuação de Manoel Alves do Amaral como o melhor Prefeito de Irati, 1938/1944.


Em 1899, ano em que foram fixados, em Covalzinho, os trilhos da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande e inaugurada a estação, em dezembro daquele mesmo ano, além do arranchamento dos construtores da ferrovia, existiam apenas algumas rústicas moradias. Covalzinho não era sequer quarteirão policial, estando subordinado a Iratym, hoje Vila São João, distante 3 km ao sul, mais desenvolvido em população. Toda a região pertencia ao município de Imbituva. A estação recebeu, então, o nome IRATY, escolhido pelo engenheiro João Visinoni, responsável técnico pelas obras de ferrovia. A denominação Covalzinho começou, então, a desaparecer e a ferrovia facilitando o transporte, o comércio, as comunicações atraiu novos habitantes.

Entre os construtores da ferrovia estavam alguns destacados idealizadores da paisagem física e humana de Irati:

•JOÃO VISINONI

•BASILIO FLORIANI

•ANTOPNIO BUDEL

•JOÃO GALICIOLI

•ANTONIO BORAZO

•BENEDITO DA CRUZ

•BORTHOLO VICTORIO BENATO

•THOMAZ MALANSKI

•ANTONIO OLKOSKI

•CANDIDO CORDEIRO e outros.

Entre os novos habitantes em 1899 e início do século XX, são citados:

•PEDRO LAURENTINO DO BONFIM

•BASÍLIO SAPLA

•MANOEL GRACIA

•EMILIO BAPTISTA GOMES

•ANTONIO TEIXEIRA SABOIA

•BENEDICTO DE MORAIS

•BRAZ CALDERARI

•FRANCISCO RIBEIRO DE MACEDO

•FIRMINO JOSÉ DA ROCHA

•MANOEL VASCONCELLOS SOUZA

•JULIO VIEIRA LISBOA

•LUIZ SHLEIDER

•DAVID JUSTOS SOBRINHO

•ARCÉLIO BATISTA TEIXEIRA e outros.

O desenvolvimento se intensificou em todos os setores. Foram destocados os caminhos que tinham como eixo a Rua Velha, hoje 15 de Julho. Através de cargueiros, único meio de transporte existente na época, chegavam os produtos agrícolas, erva mate, farinha de milho, toucinho, charque e outros.

A ferrovia fez de Iraty um grande entreposto comercial, onde moradores de longínquos lugares vinham vender e embarcar seus produtos. No retorno esses cargueiros lavavam sal, tecidos, ferramentas e mercadorias necessárias à produção e sobrevivência no sertão. A estação de Iraty se tornou centro comercial de grande expressão. Os pinheiros e as erveiras dominavam a paisagem e seria a força de dois ciclos da economia de Iraty.

Em 1899, inaugurada a Estação da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande instalou-se o serviço de Telegrafo. Covalzinho passou a chamar-se IRATY.

 É isso aí, prezados leitores/ouvintes, um grande município se faz com muita luta, trabalho, dedicação e, até, com um pouco de heroísmo. A nossa querida Irati se forjou desta forma e, assim, devemos conduzi-la, e entregá-la a nossos seguidores. Até o próximo sábado.

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