Matérias / Irati de Todos Nós

25/08/16 - 09h49 - atualizada em 29/08/16 às 09h06

Jóias da nossa História

José Maria Grácia Araújo


Início de Irati

                        HÁ 109 ANOS QUE OS PIONEIROS CHEGARAM

                        NESTA RICA E MARAVILHOSA TERRA

                        COM A QUAL TANTO SONHARAM

                        NA PENUMBRA DA VERDE FLORESTA

                        SEGUIRAM SEUS ALMEJADOS CAMINHOS

                        SENTINDO QUE AQUI NÃO ESTARIAM SOZINHOS

                        LÁ NO ALTO, ENTÃO, UMA FORTE LUZ SURGIU

                        REVELANDO-LHES QUE DEUS

                        QUEM PARA PARA CÁ OS CONDUZIU. (Oswaldo Kortelt) 


UMA BOA TARDE A TODOS VOCÊS, MEUS CARÍSSIMOS E PREZADOS OUVINTES, E EM ESPECIAL A AQUELES QUE ACOMPANHAM O MEU PROGRAMA “IRATI DE TODOS NÓS”.

Há, poucos dias atrás, ao encontrar-me com um de meus ouvintes, lá da minha querida Gonçalves Júnior, fui surpreendido com uma justa observação que ele fez sobre os temas que venho abordando em meus programas. Ele, gentilmente, me disse: “Araújo, qual o motivo pelo qual você não aborda com mais frequência assuntos relativos à história do interior do nosso município?”

Confesso que, aquela justa indagação, me pegou de surpresa, o que me fez, rapidamente, em frações de segundos, meditar sobre o que havia escutado, daquele fiel ouvinte do meu programa.

Minha resposta, foi rápida, porém honesta e sincera: “Sabe meu amigo, o nosso município tem uma história tão rica e extensa, que por vezes eu me perco quando da escolha do tema para o meu próximo programa, mas te prometo que, irei me Ater com mais cuidado, daqui para frente.”

E para demonstrar que, realmente eu me preocupo bastante com meu acervo de causos e histórias das comunidades do interior do nosso município, vou neste programa resgatar um momento muito especial da vida rural do meu querido Rio de Mel – Irati.

Interior de Irati

Iniciarei mostrando a todos que, nem só o cidadão urbano, contribui para o progresso e desenvolvimento de Irati. Que nem só na cidade, existiu a busca incessante do bem estar e da modernidade, da paz e da tranquilidade de seus habitantes. Houve momentos em que, as comunidades do interior, sobrepujaram àquelas da nossa área urbana.

Iniciarei, esta minha afirmação, voz falando sobre um dos sinais mais evidentes que simbolizavam o progresso de um povo, que eram os seus meios de transporte pessoal, ou sejam os veículos, fossem eles de tração animal ou motorizados, que serviam para lhes facilitar a vida e para alavancar o progresso de suas comunidades agricolas e rurais. Automóveis, caminhões, caminhonetes, carroças, galhotas e bicicletas, já eram muito comuns, em nosso interior, lá pelos idos de 1929, e foram se multiplicando durante os anos seguintes, colocando Irati na vanguarda, deste setor, estre os municípios do interior do estado do Paraná.

Meios de Transportes - Anos 30

Portanto, vos convido, mais uma vez a me acompanharem neste maravilhoso passeio ao tempo em que nossas estradas, picadas e caminhos rurais, estavam repletos de belas carroças, charretes, belos cavalos encilhados com elegantes cavaleiros sobre seus dorços, automóveis e antigos caminhões e, até, porque não, diligências para o transporte de elegantes passageiros que, saindo de sua comunidades rurais, seguiam para o centro urbano de Irati, para fazerem suas compras ou vsitarem seus amigos ou parentes.

Em 1929, estavam registrados no nosso município, aproximadamente, 160 veículos automotores, sendo que 1/3 destes pertenciam a moradores do interior do município.


No Riozinho, tinhamos os seguintes proprietários, destes tipos de veículos:

Trajano Grácia

- João Batista Anciutti, possuía um caminhão Chevrolet e dois automóveis Double Phaiton.

- Trajano Grácia, um automóvel Double Phaiton.

- Jocelym Ferreira, possuia um caminhão chevrolet.

- Dr. Alexandre Gutierrez, um caminhão Ford.

- Waldemar Deflon, um caminhão Chevrolet.

- Dr. Lidio de Albuquerque, um automovel Double Flaiton.

- José Chami, possuia um automóvel Double Flaiton.

- Antonio Camargo, um caminhão Ford.

  Viram só, carissimos ouvintes, só no Riozinho, em 1929 existiram 04 automóveis e 05 caminhões.


Na Água Quente:

- Emilio Batista Gomes, possuia um caminhão Ford.

- Freitas Bittencourt Spryer, um caminhão Chevrolet e um automóvel Double Flaiton.

- Marcondes Macedo & Cia., um automóvel Double Flaiton.

- Henrique Jorge, Um caminhão Chevrolet.

- Edgard Gomes, um automóvel Double Flaiton.


No Iraty-Velho

- Francisco Stroparo, possuia um automóvel Double Flaiton.


Na Lagoa

- Caetano Zarpellon, um automóvel Double Phaiton e um caminhão Ford.

- Bernardino Rebesco, um automóvel Double Phaiton.


Em Gonçalves Júnior

- Kalif Hamad, um caminhão Ford.


No Faxinal da Ponte Alta

- Anselmo Lemos Pontes, possuia um caminhão Ford.


No Caratuva:

- Agostinho Zarpellon, um automovel Double Phaiton.

- Joaquim Fernades de Oliveira, um automóvel Double Phaiton.

- Miguel Bittar, um caminhão Chevrolet.

- Ernesto Francisco Oliveira, um automóvel Double Phaiton.


Caminhão Ford 1929
Nas Porteiras:

- Halbano Leberkow, um caminhão Ford e um automóvel Double Phaiton.


Em São Miguel:

- Albano Neto, um caminhão Ford.

- Domingos Luiz de Oliveira, um caminhão Chevrolet.


No Pinho:

- Raymundo Gaspar, caminhão Chevrolet.


Na Serra dos Nogueiras:

- Francisco Busmayer, automóvel Double Phaiton.

- Kurt Flacher, um caminhão Ford.


- No Chupador:

- Osvaldo Vieira de Araújo, um automóvel Double Phaiton.


No Rio Preto:

- Nagib Elias Harmuche, um automóvel Double Phaiton.

Palácio do Pinho de Guilherme Xavier de Miranda

Em Florestal: 

- Theodoro Hartemann, um automóvel Double Phaiton.

- Gilberto Xavier de Miranda, um automóvel Double Phaiton.

- Christiano Otto, Um automóvel Double Phaiton


Nos Papagaios:

- Cia. Paranaense Construtora, um caminhão Ford.


Na cachoeira:

- José Benedito de Lara, um caminhão Ford.


Chevrolet 1929
No Cadeadinho:

Lissinio de Moraes, um automóvel Double Phaiton.


É pouco, ou querem mais, prezados ouvintes. Todos esses veículos auto-mores distribuídos nas diversas comunidades do interior do nosso município de Iraty, já no ano de 1929.

E tem mais. Agora é a vez dos transportes tracionados por animais, ou seja: carroças, charretes, gaiotas, etc.

Com respeito a esses tipos de transportes, aí sim é que bicho pegava! Entre a cidade e o interior do município eram, aproximadamente, 800 unidades, quase cinco vez mais que o número de automóveis e caminhões, sendo que ¼ deles, eram de moradores da Colonia de Gonçalves Júnior. É isso mesmo, que vocês ouviram, mais, ou menos, 200 carroças, charretes, gaiotas e até uma Diligência, eram da nossa querida Gonçalves Junior.

Diligência

Dente as muitas famílias proprietárias desses tipos de transportes, podemos citar alguns sobrenomes:

Fortes, Padilha, Visinoni, Gogaça, Filipak, Sereider, Mucháo, Esculapio Mariano, Krepka, Sobutka, Roukoski, Fillus, Duda, Borgocheswski, Bonette, Vallenga, Gadens, Zawelinski, Gralack, Sidoski, Grechinski, Kowalski, Malinowski, Sesepanski, Borne, Nedopetalski, Vinharski, Parapinski, Strona, Colto, Finke, Bonka, Chimel, Wosniaki, Kolosowski, Klepa, Bobroswski, Stroparo, Wagner, Laars, Budell, Becker, Krupck, Berger, Pauluck, Zarpellon, Brandalise, Slompo, Rebesco, Wasilewaki, Crovador, Neumann, entre outros. Ufa! Quantos sobrenomes de familias tradicionais de Irati que possuiam suas carroças e charretes como meio de transporte, minha gente. Não é maravilhoso isso.

Mas, apeiem de suas montarias, carroças, charretes e ou automóveis, anos 1929 e me sigam, a pé mesmo. Vamos visitar outro setor do meu museu de lembranças. Agora é a vez das industrias, casas de comercio, armazéns e bodegas e seus abnegados proprietários.

Os primeiros industriais e negociantes do interior do nosso município, lá pelos idos de 1907, ou seja, 109 anos atrás, eram:


No Riozinho:

Antigo Armazém de Gonçalves Júnior

- João Batista Anciutti, industrial e Constantino Odreski, comerciante.


No Pirapó:

- Antonio Sabóia, Mathias Manoel Machado, Joaquim Alves da Rocha e Horácio José Martins, todos com armazém e mais Diolindo Mendes Seixas, escrivão. Nossa! Quatro armazéns, só no Pirapó, em 1907.


No Bom Retiro (Hoje Guamirim):

- Theolindo de Moraes, também com armazém.


Na Boa Vista:

Braz Canderai, com armazém.


No Taquari:

José Gomes, repetindo com armazém.


Nos Cochinhos:

Pedro Mendes e Oliveira e Justos, com armazém.


Manoel Grácia
Em Gonçalves Júnior:

Manoel Gracia & Cia., também, com seu armazém.


Um outro documento muito raro e importante, que chegou até as minhas mãos, através de meu avo, Manoel Grácia, oficialmente nos conta que, em um recenseamento feito no ano de 1938, abrangendo algumas comunidades do interior do nosso município, nos possibilita determinar quais as etnias que povoavam esta localidades na década de 30.


- Na sede de Gonçalves Júnior

viviam, aproximadamente, 350 pessoas, pertencentes a 23 famílias brasileiras, 15 alemãs, 11 ucranianas, 08 polonesas, 05 russas, 01 portuguesa, 01 austriaca e 01 Siria, Num total de 65 famílias.


- Na Barra Mansa,

viviam em 1930, 103 pessoas distribuídas em 06 famílias ucranianas, 05 alemãs, 03 brasileiras, 01 holandesa, 01 austriaca e o1 polonesa, totalizando 17 famílias.


- Na Campina,

viviam 203 pessoas, pertencentes a 15 famílias brasileiras, 08 alemãs, 05 polonesas, 04 ucranianas e 02 austriacas - 34 famílias no total.


- Na Linha “A”,

viviam 74 pessoas (1930), que formavam 05 famílias brasileiras, 03 ucranianas, 02 polonesas, 01 russa e 01 holandesa, num total de 12 familias.

Tradições Ucranianas


- Na Linha “B”,

viviam 243 pessoas, pertencentes a 30 famílias ucranianas, 05 famílias brasileiras, or polonesas, 02 holandesas e 01 alemão. Total 42 famílias em 1930.


- Nas Linhas “C” e “5”,

habitavam 152 pessoas, distribuídas por 12 famílias ucranianas, 07 brasileiras, 06 polonesas e 02 holandesas, num total de 27 famílias.


- Na Linha Irati e Linha Velha,

moravam 36 pessoas, pertencentes a 15 famílias brasileiras, 09 ucranianas, 08 polonesas, 03 alemãs e 01 yuguslava.


- Na Linha Pinho

eram 95 pessoas que formavam 07 famílias ucranianas, 06 brasileiras, 02 polonesas e 01 alemã.

Poloneses de Irati


- No Rio Preto,

viviam 95 pessoas, todas pertencentes a 25 famílias brasileiras.


- Na Coloninha,

eram 63 pessoas, que formavam 11 famílias brasileiras.


- Na Linha “10”,

viviam 146 pessoas, que formavam 27 famílias brasileiras.


- No Mato Queimado,

viviam 271 pessoas, que formavam 49 famílias brasileiras.


- Na Boa Vista,

habitavam 245 pessoas, pertencentes a 54 famílias brasileiras.


- No Itapará

eram 281 pessoas, pertencentes a 24 famílias ucranianas, 16 polonesas e 07 brasileiras. Meu Deus, quanta gente. Pessoas de diversas nacionalidades convivendo conjuntamente nas mais diferentes regiões do nosso município. Muitos que vieram de muito longe e outros, até que de perto, mas todos com muitos sonhos a serem realizados. Será que todos se concretizaram? Não sei lhes dizer, mas estimo que sim.

Abençoando todos os Iratienses

Bem, mas como já poderíamos imaginar, o número de famílias brasileiras que habitavam o interior do nosso município, na década de 30, era muito maior que as de outras etnias. Senão vejamos: 252 famílias brasileiras – 107 ucranianas – 52 famílias polonesas - 33 alemãs – 06 holandesas – 06 russas – 04 famílias austriacas – 04 sirias – 01 portuguesa e 01 yoguslava, perfazendo um total de, aproximadamente, 463 famílias que residiam em algumas comunidades do interior do nosso município, na década de 30.

O total de pessoas era de 2560, que se divididas por 4463 famílias, nos daria uma média de 5,6 pessoas por família.

Mais um dado interessante, também, pode ser extraido dos números acima é de que as famílias que eram compostas de 10 ou mais membros, pais e filhos, provavelmente eram: A campeão foi a família de Angelo Brandalise, com 20 membros. Em seguida vem a família de Carlos Berger Jr. Com 15 membros; com 14 pessoas temos as famílias de Estanislau Nedopetalski e de Afonso Krupe; com 13 membros, encontramos, Bonifácio Piala e Batista Febre; composta de 12 pessoas, temos a familias de Alexandre Vessolowicz, Alfredo Dreus, Martin Matzkevitch, Felipe Letchuka e Guilherme Slompo; com 11 pessoas, as familias de João Finck, Felipe Gulelvik, Tiburcio dos Santos, João Lucavei, Pedro Keropeka, Miguel Roik, Miguel Ketr, Gregorio Janiski, João Fabre e Batista Gobelinski e, finalmente, as familias composta por 10 membros são as de Gregório Kresan, Gustavo Kouchak, João Bohajinko, Fritz Neumann, Alexandre Zywichka, Estefano Nedopetalski, Basilio Proch, Pedro Hecavei, Antonio Brandalise, Zacarias de Castro, José Zampier, João Manoel dos Santos e Maria Rosdan.

Bem, agora já me sinto um pouco mais tranquilo com respeito a minha atenção para com as comunidades do interior do nosso município, mesmo assim, sempre que me for possível, voltarei a enfocar a história de todos os maravilhosos cantos e recantos do meu RIO DE MEL – Irati. Também, gostaria de fazer um pedido a todos os ouvintes do meu programa que, por ventura, puderem me mandar relatos sobre a historia de suas comunidades, de suas familias e de tudo mais que eu possa divulgar em meu programa, me sentirei bastante agradecido e apresentarei tudo com muito amor e carinho, pois, certo é, que:

“UM POVO QUE NÃO RESPEITA E CULTUA SUA PRÓPRIA HISTORIA E TRADIÇÕES É UM POVO SEM PASSADO, SEM MUITO TER PARA SE ORGULHAR DO PRESENTE E FADADO A UM FUTURO TENEBROSAMENTE OBSCURO".

Uma boa tarde a todos e até o próximo sábado, com muito mais histórias sobre a nossa querida Irati, nosso caudaloso Rio de Mel.



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