Matérias / Irati de Todos Nós

02/02/17 - 14h22 - atualizada em 02/02/17 às 14h23

Matriz Nossa Senhora da Luz de Irati

Este programa foi apo ar no dia 20 de janeiro pela Rádio Najuá AM

 José Maria Grácia de Araújo  

                           


Bem, caros amigos, então vamos lá. Porém antes de prosseguir com meus relatos, tenho de preencher uma lacuna histórica que me passou despercebida no programa passado.

Iniciarei, portanto, pela apresentação do relato, extraído do Livro NOSSA SENHORA DA LUZ DE IRATI, de autoria de nosso prezado amigo Herculano Batista Neto, e nos conta como surgiu a grande fé e devoção iratiense a NOSSA SENHORA DA LUZ, tornando-a padroeira da nossa cidade.

     Dr. Herculano nos diz que a Imagem original de NOSSA SENHORA DA LUZ, que hoje se encontra em nossa Matriz, tem sua provável origem em Portugal ou na Espanha, que sua altura é de apenas 30 cm e que é confeccionada em porcelana.

     As senhoras Fábia Pires e Nhazinha Macedo, de famílias mais antigas dos pioneiros, fizeram a doação de uma pequena imagem de Nossa Senhora da Luz, peça de porcelana, cuja procedência provável seria Portugal ou Espanha e cuja aquisição não é sabida. Diz-se que a imagem já era conhecida por algumas famílias, sendo objeto de culto domiciliar.

     Com a doação aceita, quis a paróquia que na época era em Imbituva, em atenção á vontade do povo do Covalzinho, que a Capela que aqui fora, recentemente, erigida tomasse o nome e as bênçãos da Mãe de Jesus.

     Nascia, assim, em 1904, a capela de Nossa Senhora da Luz de Itaty, ainda com “Y”.


Conta-se ainda, que a imagem original de Nossa Senhora das Graças, em ocasião não precisa, foi retirada da capela levada para uma localidade distante de Irati e que, somente em 1969, graças a tenacidade e iniciativa do pároco Frei Clemente Vendramim, foi possível recuperar a imagem da Santa. O mesmo Frei Clemente descreveu desta forma sua recuperação:

     “Logo depois da Festa de São Cristóvão, neste ano de 1969, pensou-se em recuperar, para a Matriz, uma imagem que se dizia estar na Igreja de Chupador, no interior do município de Prudentópolis, e que teria sido a primitiva imagem da Capelinha, no início da povoação, quando a capela ainda estava na atual Praça da Bandeira, mais ou menos onde se situa o Correio.

     Havia acontecido no passado, diversas tentativas de recuperação de uma imagem que tinha sido entregue a uma família “Ferreira”. O motivo da doação nunca foi muito claro, pois as pessoas consultadas havia sempre dado versões diversas.

     Parece ter se passado o seguinte: Dona Etelvina Gomes teria feito a promessa de doar à Capela uma imagem de Nossa Senhora bem maior que a primitiva, que era pequena e media uns trinta centímetros, mais ou menos. Com a chegada da nova Imagem, a primitiva foi deixada na Sacristia.

     Vindo do Chupador o “Coronel Ferreira”, chefe do clã, e que, mesmo vindo a cavalo com cargueiros, sempre usava fraque, manifestou o desejo de ter uma santa para a capelinha que iria construir no Chupador. Uma das influentes damas sem mais lhe entregou a pequena imagem que o Coronel levou para o chupador.

     Imediatamente foi levantada a questão na vila do Iraty (então Covalzinho) e entre protestos formou-se uma comissão que foi propor ao Sr. Ferreira a devolução da imagem e lhe doar outra, maior ainda. Mas o “Coronel” respondeu que era muito homem para defender “sua Santa” e o assunto ficou encerrado.

    Quando da gestão do Frei Joaquim, já em 1951, houve nova tentativa, infrutífera. Parece que foi motivada pela instalação do monumental altar de mármore da Matriz, tentando-se a recuperação da imagem para adaptar-lhe o altar. Nova recusa e consequente esquecimento, até que, no ano de 1967, indo recolher prendas na região, chegou aos ouvidos do vigário a tal história. 

     Foi então estudada uma estratégia para evitar novo fracasso. Soube-se que a capelinha dos Ferreiras, que servia para festas em favor da mesma família, na sua quase totalidade alcoolizados, tinha ruído, e a imagem tinha sido transportada para a Igreja titular do Chupador, dedicada a São Pedro.

     Antes, de mais nada, era preciso pedir licença ao Vigário de Prudentópolis, na ocasião Pe. Francisco Wiersba, Lazarista, o qual autorizou oralmente qualquer iniciativa neste sentido.

     Primeiros passos: Ver a imagem e em que estado se encontrava, para ver se valia a pena sua recuperação para Irati. A Imagem estava “milagrosamente” perfeita. A Virgem tem os dedos delicadíssimos e delgados, mesmo acontecendo com o menino Jesus, que tem os bracinhos abertos. È de porcelana e, sua fisionomia, sugeriria uma procedência espanhola ou francesa.

     Nada quebrado, apenas para abrasileirá-la, tinha sido coberta com tinta escura e feia. Visto que valia a pena, foi-se falar com a Comissão da Igreja. Todos concordaram, mas mediante acordo dos herdeiros do Coronel e ordem escrita do Vigário.

     Falou-se com todos os herdeiros. Uns com relutância, outros com facilidade deram seu consentimento, sendo além do mais obtida a ordem por escrito do referido Pe. Vigário de Prudentópolis.

     

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     Quando nada mais havia contra, o Presidente da Comissão alegou que entregaria a Imagem, mas somente no dia 08 de Setembro, dia da Padroeira de Irati, o que era impossível, pois era mais do que claro, que a notícia haveria de correr e poderiam até esconder a Imagem. Foram usados todos os argumentos possíveis a até um pouco de demagogia com ameaças de castigo do céu, até que enfim a imagem foi entregue.

     Era 29 de Julho de 1969. Tínhamos saído às 07 horas da manhã e voltávamos às 18:00 h. mais ou menos. Mas a vitória tinha sido completa! Mal este boato se espalhou pela cidade e começaram as felicitações. Todos os antigos não podiam acreditar até verem e confirmarem por si.

    Procurou-se, então, marcar mais ou menos a data em que a imagem teria sido levada de Irati. Foi entre os anos de 1914-1916. De fato o primeiro volume do Livro Tombo menciona este fato, da imagem primitiva, por 1918, não estar mais em Irati; e essas datas correspondem às narrativas dos antigos, entre os quais Dona Helena Xavier. 

     De posse da imagem, depois de livre da tinta, pareceu ela ser extremamente delicada e bela, verdadeira jóia, embora feita de porcelana.

     Para ser mais significativa sua recuperação se organizou o programa seguinte: seria a mesma, no dia da festa, levada a uma casa na estrada que dá acesso a Irati, vindo do Chupador. A Comissão do Chupador haveria de trazê-la em procissão até a Praça onde existiu a primeira Capelinha e donde a imagem fora levada. Ai seria a mesma entregue à Comissão da Matriz, na presença do povo, que a levaria até a Matriz, em procissão. Tudo foi executado de acordo com esse programa. O Sr. Bispo diocesano, Dom Geraldo Pellanda, fez questão de vir pessoalmente tomar parte DOS FESTEJOS.

     Foi empolgante a procissão! A imagem foi saudada em sua chegada à Praça e depois à Matriz pelo Vigário e transportada pelos antigos moradores, entre os quais o Sr. Prefeito. Multidão que foi julgada muito maior que a reunida pela visita de Nossa Senhora Aparecida, anos a traz, lotou a Igreja e ficou de fora, impossibilitada de entrar. Dom Geraldo, em lindo discurso, comentou o culto a Nossa Senhora da Luz e deu os parabéns ao povo de Irati pela reconquista da primitiva e verdadeira imagem de sua padroeira.


     Não será fora de propósito um agradecimento à boa vontade do Pe. Francisco Wiersba, Vigário de Prudentópolis, à Comissão da Igreja do Chupador, especialmente ao seu Presidente, Giacomim Zanlorenzi, que teve até de agüentar umas insinuações caluniosas de suborno e a alguns membros da família Ferreira. Graças a eles o sonho dos iratienses é hoje uma realidade e a imagem querida de sua padroeira está em seu verdadeiro trono, o Altar-Mor da Matriz.

Após recuperado este importante fato relacionado a história da nossa Matriz, posso, então, seguir em frente, adentrando no capitulo que nos conta, em detalhes, o inicio da construção da segunda torres da nossa Igreja de Nossa Senhora da Luz. Vamos lá:

Os paroquianos queriam ver a Matriz com as suas duas torres. No dia 04 de Maio de 1951 foram iniciados os trabalhos da segunda torre. Os serviços de mão de obra foram contratados com os Srs. Pedro Santos e Otto Smoger, pelo preço de CR$ 10.000,00, com a mesma comissão que dirigiu os trabalhos da primeira torre. Juntamente com os trabalhos da segunda torre, foi contratado a mão de obra para o reboco da frente da Matriz, ao preço da de CR$ 20,00 por metro quadrado. No dia 12 de março de 1952, despedia-se dos paroquianos o Revmo. Frei Nereu do Vale, para ir tomar posse da paróquia de N.S. das Mercês em Curitiba, ficando em seu lugar o Revmo. Frei Joaquim Maria de Curitiba, que tomou posse da paróquia no dia l6 de Março de 1952. O novo Vigário continuou a obra empreendida por Frei Nereu até a sua inauguração.


INAUGURAÇÃO DA SEGUNDA TORRE

Aos vinte e dois dias do mês de julho de mil novecentos e cinquenta e dois, domingo; na igreja de Nossa Senhora da Luz desta cidade de Irati, Estado do Paraná, sendo vigário da paroquia o reverendíssimo frei Joaquim Maria de Curitiba, e como seu coadjutor o reverendíssimo Frei Domingos Maria de Ourinhos que com a graça de Deus inaugurou solenemente e com grande júbilo a segunda torre da nossa Matriz. Após a Santa Missa das dez horas, que foi celebrada pelo reverendíssimo Frei Nereu do Vale, ex-Vigário desta paróquia, e atualmente vigário da Paroquia de N.S. das Mercês da cidade de Curitiba, neste Estado. Foi então, efetuada a benção solene da nova torre. Para este ato foram convidados os Exmos. Senhores: Padre Paulo Warcowcz, Sr. Edgard Gomes D.D. Prefeito Municipal, Dr. Emilio H. Gomes, engenheiro das obras, demais autoridades, festeiros e festeiras e o povo em geral. Momentos antes da inauguração falou o Frei Nereu do Vale, que proferiu eloquentes e fervorosas palavras que muito comoveram a todos, por notar-se nelas, que a Graça Divina as inspirava. Em seguida foi efetuada a inauguração das torres. As autoridades: Sr. Edgard Gomes, Prefeito Municipal, o Sr. Antônio Xavier da Silveira, Presidente da Câmara Municipal, Sr. Antônio Lopes Junior, vereador, José Andrade Leite, vereador, a Comissão de Obras e o povo, seguravam, durante a benção, as fitas simbólicas de papel crepom em lindas cores que pendiam das torres. Após a benção dirigiu a palavra aos presentes o vereador Antonio Lopes Junior, proferindo brilhante oração. A seguir Frei Nereu do Vale pediu que fosse lida a primeira ata sobre os trabalhos das torres e a da inauguração da primeira delas. Em seguida fizeram-se ouvir vivas a Nossa Senhora da Luz, ao Brasil e a Irati, a paroquia, ao povo e a fé divina. O domingo de hoje amanheceu com forte cerração, que pelas dez horas da manhã dissipou-se a neblina e um lindo sol brilhou.


As Santas Missas deste dia foram celebradas nos seguintes horários: 6,30, 8,00 e 10,00 horas. Durante a missa das 10,00, que foi solene, ouviu-se um lindo coro de belas vozes cantado pela Escola de Canto de Porto União. Após terminada a benção da torres os cantores entoaram magnífica mente o “Christus Vincit, Christus Regnat”. O Reverendíssimo Frei Nereu do Vale, especialmente convidado para a inauguração, recebeu um agradecimento justo de gratidão para com esse sacerdote que tanto trabalhou pela nossa Igreja Matriz.

Foram registradas nesta ata a presença das seguintes autoridades e membros da sociedade iratienses: Frei Joaquim Maria, de Curitiba, Frei Domingos Maria, de Ourinhos S.P., Cap. Carlos Thoms, Julio Marchiori, José Varella, Ângelo Nadal, Francisco Keller, Frei Nereu do Vale, Edgard Andrade Gomes, Antonio Xavier da Silveira, Dario Araújo, Alexandre Iarema, José Thomaz, Augusto Zanlorenzi, Tadeu Duda, Luiza Marchiori, Iracema Maria Padilha, Elvira Marchiori, Mathilde Anciutti Pessoa, Helena Xavier da Silveira, Helena Marchiori Pequeno, Leopoldina Martins, Carlita Messias Leite, Eugenia Leite, Janette Savi, Antonio Lopes Junior, José Andrade Leite, Joãso de Mattos Pessoa, Senhorinha Lopes, Mafalda de Sotte Lopes, Elza Pereira Varella, Berenice Pereira Varella e Herculano Godofredo Varella.


Após a inauguração da segunda torre a nossa Igreja Matriz de N.S. da Luz, ainda permaneceu inacabada por mais algum tempo.

Os paroquianos iratienses amam N.S. da Luz, que viu nascer sob as suas graças e bênçãos esta Perola do Sul, e tudo farão para ver o quanto antes a sua Matriz terminada. Alguns mil cruzeiros já foram empregados na sua construção, desde o seu início; muitos mil cruzeiros ainda precisamos para chegar a seu término. Precisamos rebocar a Igreja por fora; fazer a decoração interna; comprar o carrilhão de sinos; o relógio para a torre e muitas outras coisas mais que realçarão a sua imponente beleza, destacando-a como a primeira entre as primeiras do Paraná, por sua exuberância, arte e beleza, para um justo e nobre orgulho do povo de Irati.

Paroquianos e Festeiros! A Festa de N.S. da Luz, vem aí. A Festa da Padroeira, daquela Mãe Bondosa que protegeu Irati desde os seus albores, esta festa religiosa é uma tradição para nossa cidade. Este ano a festa vêm encontrar a nossa Matriz, com as duas torres terminadas e a sua frente rebocada. Mais precisamos muito mais ainda para terminá-la. Todos unidos! Crianças, jovens, operários, lavradores, comerciantes, funcionários e população em geral, cada qual disputando a primazia em demonstrar a sua devoção a N.S. da Luz, e ao sonho de ver nossa Matriz terminada. Temos certeza que todos atenderão ao chamado da Nossa Excelsa Padroeira, comparecendo assiduamente as novenas e demais praticas de amor e piedade, e auxiliando, o quanto puderem, nas barraquinhas e demais festejos.

Eita! Apelo emocionante seo! Talvez seja devido a este maravilhoso emprenho desinteressado de nossos antepassados que a nossa imponente Matriz de N.S. da Luz, lá do alto da colina, esteja a nos dizer: Lutem, briguem, enalteçam, divulguem e amem as coisas desta terra maravilhosa e hospitaleira, que a mais de cem anos é conhecida como Irati – A perola do Sul. O nosso caudaloso Rio de Mel esta secando, amigos ouvintes, necessitamos nos unir, como o fizeram os paroquianos de N.S. da Luz e trabalharmos para que reboquemos todas as paredes do lar que nos abriga, para que recuperemos o interior da nossa morada, para que coloquemos no alto das torres que nos identificam como uma comunidade multi-etnica, o relógio que nos alertará quando estivermos em atraso com nossas obrigações e, então lá, também, estará o carrilhão com os sinos que, ai sim, nos anunciara como a verdadeira e sonhada PEROLA DO SUL, PARANAENSE.


 Até o próximo sábado, e que N.S. da Luz este com todos vocês, queridos ouvintes!

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