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04/06/18 - 18h56 - atualizada em 04/06/18 às 19h57

Arquiteto e prefeito apresentam projeto de revitalização da Praça Tiradentes

Diórgenes Ditrich, que assina o projeto, e Rodrigo Solda tiraram dúvidas da população e dos vereadores, durante audiência pública na terça (29)

Da Redação 

Prefeito Rodrigo Solda e arquiteto Diórgenes Ditrich apresentaram projeto de revitalização da Praça Tiradentes durante audiência pública

O projeto de revitalização da Praça Tiradentes, proposto pelo prefeito de Rio Azul, Rodrigo Solda (PSDB), foi apresentado detalhadamente em audiência pública realizada na terça-feira (29), na Câmara Municipal. O plenário ficou lotado de munícipes que compareceram à audiência a fim de esclarecer dúvidas e compreender o projeto assinado pelo arquiteto da Amcespar, Diórgenes Ditrich, que apresentou uma projeção 3D de como o logradouro deve ficar depois das mudanças. 

Clique aqui e assista a audiência pública na íntegra

A audiência pública foi convocada devido à polêmica em torno do projeto. Há quem defenda que a revitalização poderia descaracterizar o espaço, que foi oficialmente inaugurado durante a gestão do ex-prefeito Albino Ianoski, por ocasião do Cinquentenário, em 1968. De outro lado, há os que acreditam que a modernização da Praça vem a calhar com a ocasião do Centenário, servindo como um presente para a atual e para as próximas gerações e que a aplicação de elementos de acessibilidade e de novo mobiliário urbano, por exemplo, pode resgatar o hábito de frequentar a Praça. 

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Conforme apresentado pelo arquiteto, o projeto de revitalização considera as características culturais e respeita a memória coletiva da cidade. Entretanto, propõe a criação de um conceito que mantenha as quatro gerações em harmonia familiar. Ou seja, a infraestrutura do local visa oferecer opções de lazer para as crianças, através do playground; aos adolescentes, com quadra poliesportiva; aos pais, com a academia ao ar livre e aos idosos, também com a academia da melhor idade e mesas para jogos. A revitalização propõe, ainda, a criação de espaço para atividades culturais, com anfiteatro e quiosques para feiras. 

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A revitalização proposta contempla postes de iluminação simples e duplos, com superpostes com quatro pétalas; bancos em madeira tratada – simples e duplos; mesas de jogos; academia ao ar livre; espaço para “chimarródromo”; anfiteatro; sanitários; feiras; playground; paisagismo; Rua da Cidadania e Calçadão; pergolados; pista de caminhada ao redor da praça; estacionamento e travessias elevadas para pedestres. 

Ditrich frisou que o projeto elaborado teve custo zero ao município, uma vez que ele é arquiteto da Amcespar. Nesse sentido, cabe à Prefeitura apenas manter a mensalidade da associação em dia. 

“Hoje em dia, a praça, apesar de ela ter sua vida própria, as coisas mudam muito, em termos de adaptação. Além de existir a praça, hoje precisamos ter acesso a ela, de forma a atender às normas de acessibilidade. Ao projetar uma praça, hoje é preciso pensar na acessibilidade para o cadeirante, no piso tátil, que é exigência hoje em dia para que o deficiente visual [caminhe com segurança]”, observou o arquiteto. Ditrich disse que obras com recursos liberados e fiscalizados pela Caixa Econômica Federal demandam o cumprimento de uma série de exigências. A acessibilidade é uma delas. “Foi pensado em tudo, além de seu espaço interno, foi pensado em seu entorno. É um projeto para uma gestão, pois é complexo e há bastante coisa que precisa ser feita, várias intervenções”, afirmou. 

Vista aerea da Praça Tiradentes, conforme previsto no projeto de revitalização
Ditrich apresentou a planta baixa do projeto de revitalização para ilustrar que não há mudanças significativas no desenho, diferente da preocupação que tem sido gerada entre aqueles que se manifestam contrários à proposta de revitalizar o espaço. Na planta baixa, a praça aparece dividida em quatro blocos, separadas por dois corredores perpendiculares, sendo que um deles é mais largo: a Rua da Cidadania. 

O centro da praça será ocupado pelos quiosques para feiras itinerantes. A infraestrutura de acessibilidade circunda toda a praça, com rampas, piso tátil, corrimões e apoios. O projeto contempla também uma adequação para que a quadra poliesportiva tenha as dimensões oficiais. Os banheiros a serem construídos também precisam atender às dimensões da praça, frisou o arquiteto. 

A praça será dividida ao meio por um piso azul, que faz alusão ao “Rio Azul”. Esse corredor termina no calçadão, “que ficou muito interessante, com todo o mobiliário urbano, com quiosques para bancas, para café. Ainda podemos definir isso no decorrer do projeto”, disse. 

“Também existia a preocupação de manter as árvores existentes. Algumas árvores que serão retiradas, mas são poucas, serão replantadas e compensadas com o replantio. Mas serão muito poucas a serem retiradas, nesse projeto, ao menos”, assegurou Ditrich. Segundo ele, todo o aparato de estacionamento diagonal foi reestudado.

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Sanitários 

Ao apresentar o projeto dos banheiros, o arquiteto explicou que procurou fazê-lo com forma circular e com um pórtico, com o objetivo de torná-lo um elemento dentro da praça que não produza sombra para outros setores da praça e que não bloqueia a visão. “É um banheiro interessante, com pórtico. Futuramente, se pode jogar aqui um painel de pintura, um mosaico”, revelou. 

Os sanitários masculino e feminino possuem acessibilidade para cadeirantes e foram projetados para ficarem próximos ao espaço para a terceira idade. 

Quadra, playground e anfiteatro 

Na face da praça voltada para a Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, na Rua Getúlio Vargas, fica o acesso principal à praça, que acabou sendo denominado no projeto como “Rua da Cidadania” – que servirá apenas a pedestres e não para a circulação de carros. À direita da Rua da Cidadania fica o playground e uma academia ao lado, para mães e pais. À esquerda, fica uma quadra poliesportiva, de dimensões oficiais, pensada especialmente para os adolescentes. 

“Do ponto de vista da quadra, a nossa preocupação foi a de não tirar muito dessa parte alta. A praça tem uma diferença de sete metros de desnível. É muito complicado, tendo uma diferença de sete metros e tentar solucionar problemas de acessibilidade. Mas acho que ela ficou bem interessante, porque, além da escada, solucionamos com rampas de acesso”, detalhou. 

Conforme o arquiteto, o anfiteatro projetado para atividades culturais a céu aberto, na porção mais baixa da praça, aproveita esse desnível. Ditrich demonstrou, também, as projeções de floreiras e outros elementos que devem fazer parte de toda a praça, como as rampas de acessibilidade, para atender às normativas atuais, que exigem que os projetos deem condições de um cadeirante circular sem obstáculos. 

Ditrich também apresentou uma projeção aérea da praça revitalizada, para demonstrar que, mesmo com as melhorias, ela não perde seu paisagismo. “Nossa preocupação foi que, na praça, mantivéssemos [as características originais]. Quanto menos fizermos uma remoção impactante, melhor”, disse. 

Prefeito comenta projeto de revitalização

“Desde que nasci, vivo em Rio Azul. Conheço aquela praça, como muitos, e ao mesmo tempo, como poucos. Muitos falam dela, mas poucos cresceram dentro dela. Eu cresci no meio dela. Desde minha primeira infância estive ali, com meu avô, minha avó, meus padrinhos. Eles me levavam nessa praça. Tenho N motivos para valorizá-la e não para transformá-la em bandeira política ou num debate público, sem propósito algum”, defendeu o prefeito Rodrigo Solda. 

O prefeito disse que solicitou o projeto de uma Capela Mortuária ainda no início de seu mandato, também elaborado pelo arquiteto da Amcespar. “Coloquei embaixo do braço e fui a Brasília. Do lado desse projeto, fiz um pedido, que é um cadastro, para podermos fazer a revitalização da praça. Quando cheguei a Brasília, tive a sorte de estar junto com o ministro do Turismo, eu e mais 50 prefeitos. Com o projeto da Capela Mortuária. Não era um lugar certo ali. Mas pude mostrar para um técnico o projeto e lá eles só falaram dos qualificativos para um polo turístico. E turismo, vocês sabem que é comércio, mais desenvolvimento e negócios, além de passeio”, justificou. 

Solda afirmou que saiu da reunião em Brasília sabendo que precisaria investir em qualificativos turísticos na cidade de Rio Azul, quer fosse o Parque da Pedreira, “que já tem infraestrutura acima dos demais e um dos poucos com qualificativos para se tornar parque ambiental”. No entanto, também há a necessidade de infraestrutura turística no quadro urbano. “Aí me falaram dos problemas de mobilidade e acessibilidade e falaram que o melhor lugar para fazer isso era mexer com o projeto da praça. Daí que surgiu a ideia de mexer na praça, porque não custa nada ao município. É um programa federal de incentivo através do turismo”, frisou. 

O prefeito também expôs que, mesmo já tendo apresentado o projeto previamente aos vereadores, nenhum deles questionou qual seria a fonte de recursos e qual seria o custo da obra. “Não quero comprometer nenhum centavo. Desde a origem, não custou um centavo esse projeto. Agora não entendo por que tornaram isso praticamente um problema social, se eu estou tentando cumprir os critérios para nos qualificarmos para conseguir angariar mais recursos do Ministério do Turismo, que é acessibilidade, mobilidade. Isso inclui mostrar que há, dentro de uma cidade pequena como a nossa, a infraestrutura urbana que seja atrativa, agradável e que, principalmente, a população use. Só por isso que pedi ao Diórgenes que fizesse esse projeto”, argumentou. 

Solda apontou que, ainda que se faça o tombamento do local, conforme solicitado por parte dos vereadores, se mantém a exigência de que o local atenda aos critérios de acessibilidade e mobilidade e, de qualquer forma, essas adaptações ocorrerão. “Só estou adequando a praça. Pedi ao Diórgenes que coloque equipamentos para crianças usarem, para adolescentes usarem. A quadra não é de tamanho superdimensionado, mas para se adequar ao nosso terreno, que tem três patamares. Tenho que diminuir a quantidade de degraus, porque faz parte da norma técnica, lei federal”, disse. 

De acordo com o prefeito, o projeto visa assegurar a criação, em Rio Azul, a qualificação para obter recursos do Ministério do Turismo e é por isso que ele depende do apoio dos vereadores e da população para revitalizá-la. 

Solda também enfatizou que o projeto é de longo prazo e que, ainda que tenha relação com as comemorações do Centenário, seria impossível entregá-lo antes do dia 14 de julho, pois é dividido em várias etapas. 

“Se vocês forem contrários, eu vou tentar qualificar Rio Azul de outra forma, como uma referência regional em turismo, porque fazemos parte de um dos melhores territórios para termos atrações turísticas e divulgação da cidade”, salientou. 


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