Irati e Região / Notícias

26/07/18 - 01h49 - atualizada em 28/07/18 às 07h39

Assinatura de contrato para instalação de indústria em Irati ocorre na segunda

Atena Engenharia Industrial Ltda. vai produzir madeira biossintética a partir do lixo coletado pela HMS. Contrato será válido por 30 anos

Edilson Kernicki, com reportagem de Jussara Harmuch e Rodrigo Zub 

Amostra de produto feito com madeira biossintética foi apresentada pela secretária Magda Lozinski durante reunião da Amcespar

A empresa fluminense Atena Engenharia Industrial Ltda. e a Prefeitura de Irati assinam, na segunda-feira (30), o contrato para instalação da indústria que vai produzir madeira biossintética a partir do lixo coletado pela HMS. O contrato válido por 30 anos será assinado às 10h, na Prefeitura, de acordo com a secretária municipal de Meio Ambiente e Ecologia, Magda Lozinski.

O terreno onde a empresa será instalada ainda não foi definido. “Já estivemos visitando alguns terrenos e, como a empresa precisa da medida da área, precisa saber o tamanho das áreas selecionadas, estamos encaminhando a eles as possíveis áreas para eles selecionarem qual se adapta melhor à tecnologia, ao sistema deles”, diz. A definição, porém, deve ocorrer antes da assinatura do contrato.

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A instalação da empresa que vai reaproveitar os resíduos na transformação do lixo em madeira biossintética vai economizar os recursos que, inicialmente, seriam aplicados no transbordo do lixo para outras cidades. Assim, não haverá inclusão de taxa extra na coleta de lixo que sirva para cobrir os custos sobre a destinação dos resíduos; mantém-se apenas a taxa regular de coleta de lixo.

“Nossa primeira tentativa foi na busca dessa solução tecnológica, através de chamamento público, e estamos muito felizes, podemos considerar uma vitória em relação à questão ambiental no município essa solução para nosso aterro sanitário e para o manejo de resíduos e a destinação final dos resíduos produzidos em cada casa. Isso não vem a atender à Prefeitura, ou à secretária ou ao prefeito. Essa empresa vem a atender a todas as residências de Irati”, destaca Magda. Cumpre lembrar que o prazo de desativação do aterro sanitário de Irati se encerrou há quase dois meses, no dia 31 de maio.

A madeira biossintética – ou madeira plástica, como é também conhecida – é uma tecnologia ambiental que vem sendo aplicada cada vez mais na arquitetura por ser um material sustentável e durável. A madeira plástica produzida no Brasil tem como principal matéria-prima o plástico recolhido dos lixos e, além disso, uma carga orgânica (como cascas e resíduos de lavoura), que conferem ao composto uma estética muito próxima da madeira vegetal. A principal vantagem da aplicação desse material é que, se na natureza o plástico leva 100 anos para se decompor, sua aplicabilidade nas construções é conveniente porque a madeira plástica não demanda manutenção por não se degradar, mesmo com exposição a intempéries.

Reajuste da taxa de coleta

Em dezembro de 2017, a Câmara de Irati aprovou o reajuste da taxa de coleta de lixo em 52%. O novo valor passaria a ser cobrado a partir de março deste ano. O projeto original do Executivo determinava reajuste linear em três anos: de 93%, em 2018; de 13%, em 2019 e de 7%, em 2020. Emenda dos vereadores Nei Cabral (PDT) e Rogério Kuhn (PV) limitou o reajuste a 52%, a ser aplicado somente em 2018.

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Na época, o secretário municipal de Planejamento, João Almeida Júnior, justificou que o Executivo solicitou os 93% de reajuste para cobrir os custos que viriam a existir com o transbordo do lixo. Havia um déficit entre a arrecadação da taxa (cerca de R$ 180 mil) e os custos da coleta (em torno de R$ 190 mil). João Almeida afirmou que o custo do transbordo era, em média, de R$ 220 por tonelada. Como Irati produz uma média de mil toneladas de resíduos mensalmente, o custo do transbordo seria de aproximadamente R$ 220 mil.

MP determinou que aterro sanitário de Irati (foto) fosse desativado

O reajuste de 52%, aprovado em dezembro, elevaria a arrecadação para R$ 275 mil mensais. Se o transbordo fosse necessário, a coleta (R$ 180 mil) e o transbordo (R$ 220 mil) custariam R$ 400 mil ao mês, o que significaria um déficit de R$ 125 mil, diferença com a qual a Prefeitura teria que arcar. No entanto, a instalação da empresa de madeira biossintética vai excluir a necessidade de realização do transbordo.

Magda frisa que, de 2006 a 2017, não houve nenhuma atualização do valor de cobrança da taxa de coleta do lixo. “Com o passar do tempo, teve um custo em relação ao aterro sanitário e, em 2013, foi contratada a empresa HMS, que faz a coleta hoje. Esse valor pago à empresa HMS não estava sendo coberto pela taxa de lixo. Até dezembro de 2017, o valor que era pago mensal à HMS era de R$ 178 mil. A Prefeitura, na taxa de coleta de lixo, não estava conseguindo cobrir a HMS. Com a possibilidade de a Prefeitura ter que contratar o transbordo teve, automaticamente, que ser feito esse projeto de lei para aumento e atualização da taxa”, justifica.

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Segundo Magda, a diferença de reajuste entre o que foi aprovado pela Câmara (52%) e o que foi solicitado pelo Executivo (93%), era a parte do reajuste que seria aplicada no pagamento do transbordo. A taxa atualmente cobrada, ainda conforme a secretária, cobre os custos da coleta. “Não está sobrando dinheiro da taxa de coleta de lixo, que fique bem esclarecida essa situação”, enfatiza.

Terceirização da coleta

O contrato com a HMS se encerra em dezembro de 2018, sem possibilidade de prorrogação ou renovação, de acordo com a secretária de Meio Ambiente e Ecologia. “A licitação é de 2013. As quatro renovações que a lei prevê se encerram agora. Foi renovado em 2014, 2015, 2016 e 2017. Agora a lei não permite mais renovação. Tem que ser feita uma nova licitação”, diz.

Segundo Magda, o município realiza estudos sobre a viabilidade de a Prefeitura reassumir a coleta. “Porém, os caminhões que faziam [a coleta] antigamente, hoje estão cedidos para a cooperativa e a associação. A atual situação mecânica deles não comporta mais. Tem que ser caminhões novos para assumirmos novamente essa responsabilidade”, aponta.

O município precisaria adquirir pelo menos quatro caminhões compactadores coletores novos. Hoje, a Prefeitura tem motoristas para realizar esse serviço, mas teria que remanejar funcionários para a coleta, conforme a secretária.

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