Irati e Região / Notícias

10/08/17 - 16h53 - atualizada em 14/08/17 às 11h21

Aterro Sanitário de Irati deve ser desativado até o fim do ano

IAP estipulou prazo de 180 dias para a prefeitura encontrar uma solução para a destinação do lixo orgânico

Paulo Henrique Sava

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O Instituto Ambiental do Paraná [IAP] estabeleceu, no fim de junho, um prazo de 180 dias, ou seis meses, para a Prefeitura de Irati desativar o aterro sanitário do Pinho de Cima. A informação foi dada pelo chefe do escritório regional do IAP, Marcelo de Mattos. Caso a ordem não seja cumprida, haverá aplicação de multa e outras sanções ao município.

Para se ter conhecimento, são geradas 35 toneladas de resíduos por dia e o espaço não comporta mais lixo. O local não possui licença do IAP para operar. De acordo com Mattos, o Relatório de Inspeção Ambiental [RIA], elaborado pelo IAP, foi assinado pelo prefeito Jorge Derbli (PSDB). O município tem até dezembro para desativar o aterro, que já não pode mais receber o lixo gerado pela população. "Isto porque lá é um espaço que não tem mais condições. O IAP fez a vistoria e avaliou que não há mais condições de licenciar esta atividade naquele local. Foi dado um prazo de 180 dias para que se encerrem as atividades lá. Neste prazo, tem que ser apresentado um projeto de recuperação da área com cronograma de execução. Eles [Executivo] têm que apresentar um projeto e um cronograma de como vai ser feita a recuperação ou remediação da área", comentou.

Conforme Marcelo, todas estas informações constam no Relatório de Inspeção Ambiental [RIA], o qual o prefeito já conhece, e agora, provavelmente, vai ter que tomar alguma atitude em caráter emergencial devido ao prazo. São 180 dias, mas eles vão passando e, se não forem tomadas medidas o quanto antes, vai ficar apurado para eles", frisou.

Ouça o áudio completo desta reportagem no fim do texto

O chefe do IAP comenta que, qualquer que seja a decisão da Prefeitura sobre a destinação do lixo, deve ter a aprovação do órgão. "Dependendo da atitude a ser tomada, eles [Executivo] terão que consultar o IAP, seja o transbordo, um novo aterro, vai ter que ter uma licença ambiental nesta nova unidade", pontuou.

O prefeito Jorge Derbli (PSDB) relatou que, inicialmente, o município fará o transbordo do lixo para outro município. "Já cotamos alguns orçamentos e vamos fazer uma licitação ainda neste mês, se for possível, para que contratemos uma empresa. Vai ter um custo maior para o município, mas de imediato não temos outra alternativa porque, através do Ministério Público e do IAP, estamos impedidos de colocar lixo no aterro, que já não suporta mais se não aumentarmos ele", confirmou.

O prefeito comenta ainda que, em breve, será feito um projeto para instalação de um novo aterro sanitário em Irati. Derbli comenta que o aterro do Pinho de Cima tem problemas ambientais e de documentação que impedem o seu funcionamento. "Passaram-se várias administrações, é um problema crônico, de uma questão até judicial. Não vou culpar nenhum dos prefeitos que passou, mas é uma situação delicada para ser resolvida quanto à escritura do terreno. Então, por não ter esta escritura, não conseguimos fazer as devidas licenças ambientais", pontuou.

De acordo com Derbli, a licitação já está em andamento, para que a contratação da empresa para o transbordo aconteça o mais rápido possível.

Uma equipe da Secretaria de Estado do Meio Ambiente [SEMA] esteve na última segunda-feira, 07, visitando o aterro de Irati, uma vez que o município está contemplado no Plano Estadual de Resíduos Sólidos. Conforme o secretário interino de Ecologia e Meio Ambiente, Newton Ribas, foram realizadas vistorias para que os técnicos da SEMA pudessem constatar a real situação do aterro.

"Aguardamos que eles nos façam uma nova agenda de visitas, já com laudos e levantamentos, para que possamos trabalhar em cima disso com o suporte do governo do estado, para que possamos, cada vez mais, tentar dirimir estas dificuldades que encontramos. O passivo ambiental do município hoje é muito alto, mas, com muito trabalho, com muita seriedade, eu tenho certeza que vamos vencer este desafio", afirmou.

Vista aérea do aterro sanitário, no Pinho de Cima

Visita ao aterro da Sanepar em Cianorte

Ainda segundo Newton, existe a possibilidade de a Sanepar operar, futuramente, um aterro regional, envolvendo todos os municípios da AMCESPAR. Os prefeitos da região estiveram recentemente visitando o aterro de Cianorte, operado pela estatal. "É uma coisa muito estruturada, muito bem montada, que funciona. Porém, isto seria uma alternativa para consórcio junto à AMCESPAR para operação junto com a Sanepar. Por hora, não temos uma certeza de que isto venha a ocorrer", comentou.

Recentemente, Derbli esteve com o presidente da AMCESPAR, Junior Benato, prefeito de Inácio Martins, na sede da Sanepar em Curitiba, onde conversaram com o presidente da estatal, Mounir Chaowiche. Derbli e Benato expuseram a situação dos aterros sanitários da região ao diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Glauco Requião, e ao presidente Chaowiche. A ideia é fazer uma parceria com a Sanepar para a destinação e gerenciamento dos resíduos.  

Em janeiro, a secretária de Ecologia e Meio Ambiente de Irati, Magda Lozinski, concedeu uma entrevista ao Meio Dia em Notícias. Na ocasião, ela explicou que não é mais possível uma readequação no aterro sanitário de Irati para que atenda às exigências ambientais, pois não há mais área útil dentro do imóvel. A secretária apontou o transbordo como uma das soluções possíveis e mais econômicas para a resolução do problema do lixo. 

Conheça o aterro de Irati (fotos tiradas em 2016)

Ouça a reportagem:


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