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11/01/17 - 14h58 - atualizada em 16/01/17 às 17h25

Basso traça um panorama da Saúde em Irati

Empossado no cargo há 10 dias, o novo secretário de Saúde comenta as prioridades para a Saúde e o que é necessário para finalizar obras incompletas, como a UPA da Vila São João

Da redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

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Empossado como secretário de Saúde há 10 dias, Agostinho Basso comenta as prioridades para a Saúde iratiense e lista as necessidades para finalizar as obras incompletas, como a UPA da Vila São João, que está com 95% da obra concluída. O ex-prefeito Odilon Burgath, em final de mandato, declarou que já tinham sido investidos R$ 2,2 milhões na obra e que restava fazer a pintura externa, a instalação de móveis e de um gerador de energia, o que custaria mais R$ 300 mil. 

De acordo com Agostinho Basso, a planta original da UPA totaliza mais de 2 mil metros quadrados de área construída, que contemplam também um gerador de energia, uma central de oxigênio, uma sala de raio-X, um centro de esterilização, copa e cozinha, uma unidade para abrigar o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). “Não é apenas tirarmos o PA [Pronto Atendimento Ildefonso Zanetti] de onde está, com cinco ou seis móveis e levarmos para lá”, pondera o secretário.

Basso comenta que, em todo o Brasil, foram construídas aproximadamente 500 UPAs semelhantes à de Irati e que apenas 40 estariam em pleno funcionamento. Algumas dessas unidades estão no Paraná, por exemplo: Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Curitiba.

Agostinho Basso Assumiu a secretaria de saúde há cerca de 10 dias
“Para manter uma UPA, de início teríamos que mobiliá-la. Para mobiliá-la, calculo que, com todos esses geradores, equipamentos e tudo o mais, fora os móveis, precisaríamos de R$ 2 milhões. Para mantê-la, de início, precisaríamos de 60 funcionários específicos para a UPA. E a manutenção mensal custaria em torno de R$ 1 milhão”, estima.

Parte da manutenção da UPA, de complexidade nível I, numa escala que vai de I a III, seria custeada pelo Ministério da Saúde. Entretanto, o secretário de Saúde considera o recurso insuficiente e irrisório quando comparado ao gasto efetivo. “O Ministério da Saúde constrói, mas não mantém. Sou favorável a inverter: o Município construir e o Ministério manter, pois é uma espécie de Cavalo de Tróia”, critica.

O comprometimento financeiro que a manutenção da UPA demanda já leva o prefeito Jorge Derbli e o secretário de Saúde a estudarem uma possível ida até Brasília para solicitar ao Ministério da Saúde o desvio de finalidade do prédio. Contudo, Basso ressalta que esta é apenas uma possibilidade em estudo, cuja aprovação depende da União.

O quadro funcional da UPA dependeria de novas contratações, como zeladoras, técnicos de enfermagem, técnicos de raio-X, nutricionista, farmacêutico, bioquímico, além de outros profissionais e, portanto, demanda a abertura de concurso público. O que preocupa a administração municipal quanto a isso é o limite prudencial para a folha de pagamento.

Pronto Atendimento  

Em função de algumas precariedades estruturais, o Pronto Atendimento Ildefonso Zanetti deve passar por reformas em breve. A princípio, o PA será isolado com tapumes para sua reforma. Enquanto isso, o ambulatório, onde são agendadas as consultas eletivas, permanecerá com atendimento normal. Uma vez concluída a reforma do PA, será a vez do ambulatório, que, durante as obras, seria transferido para outra unidade. Parte dos valores necessários para a reforma já estão em conta. A projeção é a de que até o início de fevereiro essas obras comecem, segundo o secretário Basso.

O enfermeiro, que é funcionário de carreira na Prefeitura de Irati há 16 anos e que já passou por outros municípios na mesma função, identifica uma série de problemas estruturais no PA, um prédio de quase 16 anos de uso que jamais passou por uma reforma. O telhado é um dos problemas, segundo ele, com calhas enferrujadas e com telhas quebradas, que não foram repostas e ocasionam infiltração e goteiras.

Farmácia Municipal 

O secretário de Saúde elogia a mudança e o progresso realizados pela última gestão quanto à Farmácia Municipal, que antes era uma sala do PA e agora funciona em sede independente, com sala de espera e toda informatizada. Basso salienta que a Farmácia obrigatoriamente deve fornecer os medicamentos constantes na Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), uma lista que abrange cerca de 3 mil itens.

O secretário assegura que todos estão disponíveis na Farmácia. “Esporadicamente, o médico receita algum que não faz parte da Rename, mesmo tendo N possibilidades dentro dessa lista. Ele, por algum motivo, escolhe algum medicamento comercial, diferenciado ou lançamento, o que acaba dificultando para nós. A atenção básica, que é responsabilidade do secretário e do prefeito, é manter esses medicamentos da Rename”, pontua Basso.

Segundo ele, já nesta semana foi aberta uma nova licitação para a compra de reposição de vários itens da Rename na Farmácia Municipal, para que não falte medicamento básico e material de consumo, como os utilizados para vacinas e curativos.

Unidades Básicas de Saúde 

A inauguração da nova UBS do bairro Fósforo depende da construção de uma mureta de contenção, que foi solicitada pelos bombeiros, e de uma alteração no quadro de energia, solicitada pela Copel, o que deve ser resolvido em até um mês, de acordo com Basso.

A UBS do Conjunto Joaquim Zarpellon deveria ter sido inaugurada no final de 2016. Hoje está com 70% da execução concluída e enfrenta problemas hidráulicos, como já mencionou o ex-prefeito há duas semanas. O problema já vem sendo resolvido pela empresa licitada para a construção. Em breve, mas sem uma previsão clara, o prédio deve ser inaugurado, com a abertura de uma estratégia do Programa Saúde da Família (PSF). Para essa unidade também deve ser transferido o CAPS (a Saúde Mental).

O local onde hoje funciona o CAPS será transformado em um almoxarifado-geral, para estocar material clínico.

“Temos a ideia de, ainda esse ano, ampliarmos três equipes do Saúde da Família, contendo um médico 8 horas por dia, enfermeiro, equipe de técnicos de enfermagem e agentes comunitários. Será uma na Lagoa, onde já existe a Unidade nova, já tem a equipe lá e só faltam os agentes comunitários; Gutierrez já tem médico, enfermeiro e técnico, faltam agentes comunitários, e no Joaquim Zarpellon”, adianta.

Cada equipe vai atender a uma macrorregião, com o objetivo de reduzir a demanda pelo ambulatório que fica anexo ao PA. Atualmente, são cinco equipes: no Adhemar Vieira de Araújo; na Vila São João; no Rio Bonito; no Guamirim e em Gonçalves Júnior.

100 Dias 

A primeira grande iniciativa dos 100 primeiros dias de governo, segundo Basso, no que diz respeito à Saúde, foi a formação de uma “câmara técnica”, composta de lideranças do setor, que se reunirá duas vezes por semana: nas segundas, às 8h, e nas sextas, às 15h. Nas segundas, para organizar os trabalhos da semana e, nas sextas, para avaliar o que foi feito e para traçar metas e estratégias.

Outra mudança aplicada diz respeito ao horário de expediente dos funcionários do PA, que faziam turnos de oito horas de segunda a sexta. Aos sábados e domingos, cumpriam horas-extras, o que estava onerando a folha de pagamento, conforme Basso. “Já que se trata de trabalho ininterrupto e essencial, mudamos para seis horas diárias: das 7h às 13h; das 13h às 19 e das 19h às 7h. Quem trabalha à noite faz dois turnos e folga 36 horas; quem trabalha seis horas trabalha todos os dias, até nos sábados. Com isso, diminuímos de R$ 32 mil em horas-extras pagas em novembro para R$ 11,4 mil em janeiro”, detalha.

Funcionários de alguns setores foram remanejados e o horário de atendimento das salas de vacina foi ampliado até as 20h. Existem planos de ampliação do horário de funcionamento da Clínica de Fisioterapia, até as 21h.

Já estão em desenvolvimento estudos relativos aos últimos seis meses de atendimento da Saúde, a fim de diagnosticar quais são os horários de maior e de menor demanda no PA e no ambulatório, por exemplo, a fim de otimizar o atendimento. Um médico vai auditar todos os encaminhamentos – de clínicos gerais para especialistas – e exames solicitados nesse período, a fim de compreender a demanda. Segundo Basso, alguns desses exames e encaminhamentos são desnecessários e feitos a pedido do paciente

O secretário Basso enaltece o processo de transição pacífico entre a gestão do ex-secretário Roni Surek e a dele. De acordo com Basso, foi uma das poucas secretarias em que houve um processo de transição que se estendeu por 40 dias, com acolhida de portas abertas e disposição para o diálogo. 


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