Irati e Região / Notícias

05/01/18 - 15h29 - atualizada em 05/01/18 às 15h32

Bombeiros alertam para o perigo do lazer aquático nos balneários da região

Somente nos 10 primeiros dias do verão, dois jovens morreram afogados na região: um em Prudentópolis e outro em Rio Azul

Da redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Com a chegada do verão e do calor, cresce o movimento nos balneários da região. Muitas famílias e, especialmente, muitos jovens, procuram rios, lagos e cachoeiras para se divertir e se refrescar. Tragicamente, apenas nos 10 primeiros dias do verão 2017/2018, dois jovens perderam a vida em afogamentos registrados na região. Na véspera do Natal, domingo, 24 de dezembro, o jovem Otávio Augusto Pool, de 20 anos, morreu afogado no Rio dos Patos, em Prudentópolis. Neste domingo, 31 de dezembro, véspera de Ano Novo, um rapaz de 18 anos, Vinícius Martins dos Santos, veio a óbito depois de se afogar numa cachoeira em Rio Azul dos Soares.

O Corpo de Bombeiros reforça o alerta nesta temporada de veraneio para que os banhistas evitem correr perigo e aponta medidas de precaução que podem evitar novas tragédias. A tenente Carla Spak, subcomandante do 3º Subgrupamento do 2º Grupamento do Corpo de Bombeiros (3º SGB/2º GB) comenta que, no verão, aumenta o fluxo de turistas nas cachoeiras de Prudentópolis e Rio Azul, por exemplo, os municípios que registraram duas mortes por afogamento nas últimas duas semanas.

“O pessoal geralmente não conhece os lugares e a característica dessas cachoeiras é, geralmente, pedra. Na parte mais rasa da cachoeira, o pessoal tem que tomar cuidado para não sofrer uma queda e, depois dessa queda, cair em algum lugar que seja mais fundo e vir a sofrer o afogamento, que seria um afogamento secundário: uma queda seguida de afogamento”, orienta. A vítima de afogamento em Rio Azul, por exemplo, morava em Curitiba e visitava familiares em Rio Azul.

O elemento comum entre as duas cachoeiras onde ocorreram as mortes, de acordo com a tenente Spak, é que ambas formam um poço sob a queda d’água. “Esse poço é como se fosse uma torneira e você coloca uma bacia em baixo. Quando você liga a torneira, vê os movimentos circulares que a água faz, e esse movimento é o mesmo nessas duas cachoeiras. Com o agravante de que o piso dessas cachoeiras é pedra, que formam cavernas. Quando a pessoa vai nadar num lugar assim, tem o movimento das águas que acaba puxando-a para o lado da cachoeira e quando ela se aproxima de onde tem a queda d’água, essa queda d’água ainda a empurra mais para baixo”, alerta.

Tenente Carla Spak, subcomandante do Corpo de Bombeiros de Irati, alertou para os cuidados a serem tomados em rios, lagos e piscinas da região durante o verão

Numa situação de risco, se o banhista não tem preparo físico nem uma técnica apurada de natação, começa a se debater na água, fica cansada e não consegue retornar à margem da cachoeira. Com a estafa, ela afunda e vem a se afogar, explica a tenente Spak. “Se você não conhece a região, se você não é um nadador, você não precisa se pôr em risco. Por mais que você tenha um conhecido que saiba como é a região, não se coloque nessa situação. Há os lugares próprios para tomar banho. A cachoeira é um lugar perigoso justamente por causa desses detalhes”, ressalta.

Outro elemento que contribui ainda mais para agravar a periculosidade do que deveria ser um momento de lazer é o uso do álcool, que reduz a capacidade de reflexo. “Assim como ele tira o reflexo do motorista, ele vai também tirar o reflexo daquela pessoa, que não vai ter a mesma situação física que ela teria sem ingerir bebida alcoólica. Potencializa ainda. Quando junta o final do ano – Natal e Ano Novo, festa e calor, as pessoas acabam ingerindo bebidas alcoólicas e sempre tem alguém que dá aquela ideia: ‘vamos nadar’”, diz. Tentar nadar logo após as refeições pode também ser perigoso, de acordo com a tenente, porque a musculatura não obedece de forma tão eficaz aos movimentos para a natação.

Spak observa que o álcool tem o efeito desinibidor e cria duas situações: quem bebe, pode se sentir mais “corajoso” e, ao mesmo tempo, estimular outras pessoas a correr riscos no meio aquático.

Dados do Corpo de Bombeiros demonstram que, ao longo da Operação Verão 2016/2017, entre 22 de dezembro de 2016 e 1º de março de 2017, foram registrados 1232 afogamentos no litoral paranaense, com quatro óbitos nas praias: um em Antonina; um em Guaratuba; um em Matinhos e um em Pontal do Paraná. O iratiense Roberto Franco, de 65 anos, que morava no Fernando Gomes, foi resgatado ainda com vida na praia de Ipanema, em Pontal do Paraná, numa área sem supervisão de guarda-vidas. Ele chegou a ser transferido a um hospital em Paranaguá e faleceu horas depois. No interior, foram pelo menos três afogamentos nas cachoeiras em Prudentópolis.

Sem guarda-vidas

Vale também o alerta de que nos locais usados para banho na nossa região, como rios e cachoeiras, não há presença de guarda-vidas, como no litoral. “Não temos como prestar esse serviço. Como são muitos locais para o banho – inclusive, como no caso dessa última semana, que era uma propriedade particular, com acesso dificílimo – não temos como prever onde essa pessoa vai entrar ou se colocar em risco. No litoral, sabemos para onde as pessoas se deslocam mais, então já temos como arrebanhar bombeiros do Paraná inteiro para prestar serviço durante a Operação Verão nesses locais”, observa.

Aliás, parte dos bombeiros treinados para resgate aquático que, durante o ano, ficam lotados nos quartéis do interior, são deslocados para o litoral durante a Operação Verão.

Piscinas

Sem os devidos cuidados, até mesmo as piscinas – sejam elas em casa ou nos clubes – oferecem perigo, especialmente onde há crianças. “Quem tem piscina em casa deve ter cuidado redobrado. Vale a pena investir numa cobertura melhor, ou num cercado. Quando a criança já tiver o mínimo de condições, quem tem piscina em casa, o filho tem que saber nadar. Então coloque desde cedo a criança para aprender. Hoje em dia existem técnicas que ensinam os bebês a se proteger; se cair na água, a como flutuar, para que venha alguém e preste socorro. É essencial que os pais, já que puderam investir numa piscina em casa, também poder investir nesse treinamento da sua criança, para não ter dissabores”, orienta.

Mesmo quem não tem piscina precisa prestar atenção redobrada às crianças e evitar deixar baldes ou bacias com roupa de molho ao alcance delas e orientá-las quanto aos cuidados com tanque de lavar roupas, por exemplo.

Descentralização

A recente transformação dos postos de Bombeiros Comunitários em quartéis do Corpo de Bombeiros em Prudentópolis e União da Vitória contribuiu para a melhoria no atendimento de resgate aquático. “Justamente, Prudentópolis por causa das cachoeiras, e União da Vitória, por causa dos pescadores, que muitas vezes, infelizmente, são vítimas”, pontua.

Conforme a tenente, o que agrava o perigo de afogamento entre os pescadores é o uso de roupas mais pesadas – como blusas e botas – sem, no entanto, adotar o uso de coletes salva-vidas. “Se acontece algum incidente com aquele barco, a bota que ele estava vai encharcar e leva-lo para o fundo. A roupa também fica mais pesada. O pessoal fala que sabe nadar, mas aí o problema já nem está na natação, mas no peso da roupa na hora que ela molha”, diz.

Além de usar o colete salva-vidas, deve-se observar o tamanho adequado para cada pessoa. Para uma criança, o uso de um colete de adulto é menos eficaz, porque ao cair na água, esse colete pode escapar de seu corpo.

Treinamento

Os bombeiros que atuam no resgate aquático fazem treinamento teórico, com a revisão de técnicas de resgate e salvamento, ou mesmo para aprender novas técnicas, e o prático, em duas etapas. A primeira etapa é realizada em piscina, por ser um ambiente controlado. “Por haver maior visibilidade na água [da piscina] você consegue demonstrar as técnicas e aprimorá-las nesse ambiente”, detalha. Na segunda etapa do treinamento prático, essas técnicas são aplicadas nos rios.

No final do ano, os bombeiros de Irati passaram por esse treinamento e um novo deve ocorrer tão logo retorne o pessoal deslocado para o litoral durante a Operação Verão, para eventuais resgates ao longo do ano.

Dicas

Para se divertir em segurança, é preciso tomar alguns cuidados, como evitar nadar logo após as refeições; jamais entrar na água sob efeito de álcool; não saltar na água de locais elevados; evitar brincadeiras de mau gosto, como os “caldos” ou empurrar outras pessoas na água.

Em situações de perigo, prefira lançar flutuadores em direção à pessoa – como cordas, galhos, algum meio que ajude a trazê-la para a margem; até mesmo garrafas pet vazias, amarradas com cordas, podem ser utilizadas como boias improvisadas. Tentar resgatar um afogado sem treinamento adequado para isso pode gerar, na verdade, duas pessoas afogadas. “Procure sempre um objeto para que essa pessoa se agarre e você possa ajudá-la de fora da água, senão você pode ser mais uma vítima em potencial”, acrescenta a tenente Spak.  

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