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18/07/18 - 00h28 - atualizada em 20/07/18 às 13h08

Câmara lança livro "Rio Azul: 100 Anos – Olhares Sobre a História"

Obra narra a trajetória de um século da instalação do Legislativo rio-azulense e a história do próprio município

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub 

Da esquerda para a direita: Vereador Jair Boni ao lado dos co-autores do livro: Romualdo Surmacz, Ivan Gapinski, Felipe Cheremeta, Rodrigo Zub, Joélcio Gonçalves Soares, Sandra Mosson e Augusto Gueltes. Na imagem abaixo aparece Teobaldo Mesquita, que não pôde participar da cerimônia de lançamento do livro

A Câmara Municipal de Rio Azul, em sessão solene realizada na última quarta-feira (11), lançou o livro “Rio Azul: 100 Anos – Olhares Sobre a História”. O lançamento da publicação ocorreu durante a sessão de outorga de títulos de Cidadão Benemérito e Honorário de Rio Azul, em solenidade que fez parte do calendário da Câmara Municipal alusivo as comemorações do Centenário do Município. 

O livro tem prefácio assinado por Ceslau Wzorek, co-autor do livro sobre os 70 anos de Rio Azul, ao lado de Reinaldo Valascki. Oito autores elaboraram o livro a respeito do Centenário de Rio Azul, idealizado pelo secretário executivo da Câmara Municipal, José Augusto Gueltes.

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Além dele, assinam a co-autoria da obra: o chefe de Gabinete e secretário de Indústria e Comércio de Rio Azul, o doutor Joélcio Gonçalves Soares; o jornalista da Rádio Najuá, Rodrigo Zub; a jornalista Sandra Mosson; o professor Ivan Gapinski; o instrutor de fumo e idealizador do filme “No Meu Tempo Era Assim”, Romualdo Surmacz; o servidor público municipal Teobaldo Mesquita e o administrador e estudante de Jornalismo do Centro Universitário de União da Vitória (UNIUV), Felipe Cheremeta.

Cada um dos voluntários redigiu um capítulo, aproveitando sua própria experiência profissional e pessoal para apresentar, cada um a seu modo, uma perspectiva diferente sobre a história do município, daí o subtítulo “Olhares Sobre a História”. O projeto de elaboração do livro teve início em novembro de 2017.

OBS: Ouça a reportagem completa sobre o lançamento do livro no fim do texto

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Durante a solenidade de lançamento do livro, Joélcio destacou que os arquivos do município são públicos para consulta e pesquisa sobre a história. “Já tínhamos um material rico, produzido pelo senhor Ceslau Wzorek e pelo senhor Reinaldo Valascki, nos idos dos 70 anos de Rio Azul. E este seria o ponto de partida. Conseguimos, a partir de uma iniciativa do Augusto e do pessoal da Câmara, os nobres vereadores, uma equipe incrível, conseguimos construir um livro que não posso dizer que é apolítico, pois não existe ninguém que seja apolítico, mas um livro apartidário, que conta a história do município pela via das pessoas, da vivência, da experiência, e não a partir de fatos, do que eu fiz ou deixei de fazer”, descreveu. “É olhando para o passado, compreendendo os acertos e erros, que vamos conseguir construir um futuro melhor para o nosso município”, acrescentou.


O professor Ivan contou que já era um sonho antigo de José Augusto Gueltes, de pelo menos dez anos atrás, de que na ocasião do Centenário, fosse lançado o livro sobre os 100 anos de Rio Azul. “O tempo foi passando e ele foi alimentando esse projeto e quis o destino que estivéssemos aqui. Agradeço por lembrar de nós e de nossos olhares. O título do livro tem esse nome porque trazemos a ele nossos olhares, fruto de nossas inquietações, de nossas vivências pessoais. Ou seja, não são olhares neutros, muito embora não sejam inocentes, visto que são olhares aguçados pelas nossas formações acadêmicas. Todos partimos de um ponto científico. Mas são nossos olhares. Outras pessoas teriam outros olhares, mas, com certeza, o mesmo carinho e o mesmo respeito que temos pelo nosso município”, comentou Ivan, que agradeceu à Câmara por patrocinar o projeto.

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O professor também enfatizou o destaque dado ao cidadão comum na construção da história de Rio Azul, que é constituída também por milhares de outros personagens cujos nomes não figuram em placas de ruas, logradouros variados ou em fachadas de prédios públicos. Ele fez um apelo: “Precisamos urgentemente de uma Comissão de Patrimônio Histórico, para que, quando formos fazer 110, 120 anos, ainda tenhamos conservadas coisas que com o tempo vão se deteriorando”, disse. “Por fim, agradeço a muitas pessoas que não estão aqui, mas que aparecem em nossas falas no livro. São pessoas humildes, pessoas simples, que contribuíram tanto para que Rio Azul chegasse onde está hoje e para que pudéssemos entregar a vocês esse modesto trabalho”, concluiu.

Gueltes agradeceu ao presidente da Câmara, Edson Paulo Klemba, pelo patrocínio e incentivo que a Câmara deu para que o livro pudesse ser escrito e publicado, assim como agradeceu aos sete voluntários que o ajudaram na confecção do livro. Recordou que já planejava este projeto há pelo menos dez ou 12 anos, em conversas com a jornalista Sandra Mosson e, mais tarde, com a ex-presidente da Câmara, Jane Solda, mãe do prefeito Rodrigo Solda. “Foi um desafio que deu certo. Nós nos reunimos, conversamos, o tempo era curto, batalhamos e aqui está. Acho que cada um de nós tem uma emoção bastante particular, que vale a pena viver hoje”, afirmou.

Confira a entrevista concedida por Rodrigo Zub no programa "Interligado" da Rádio Najuá FM 106,9.

O secretário executivo da Câmara considerou que o livro estaria “incompleto”. “Chegou a um ponto em que, devido à falta de tempo e às fontes de pesquisas, não podíamos fazer mais do que gostaríamos de ter feito. Então, paramos. Quem ler vai perceber isso. Anotamos lá que esse é um livro de provocação. Ou seja, para provocar mais pessoas a escreverem sobre Rio Azul”, justificou.

“Agradeço imensamente ao presidente da Câmara, vereador Edson Klemba, e ao secretário executivo da Câmara de Rio Azul, Augusto Gueltes, por terem lembrado de mim, nesta ocasião tão importante, a do Centenário do Município de Rio Azul. A confecção do livro, com a participação de oito autores, somando-se ainda o próprio Augusto Gueltes e o professor Ceslau Wzorek, responsável pelo prefácio, oportunizou uma grande diversidade de pensamentos, como ainda da exposição de trabalhos científicos, que buscaram certamente a fidelidade máxima no que se refere à História do Município, e de toda a gente rio-azulense”, frisou o servidor público municipal Teobaldo Mesquita, que teve a incumbência de escrever o capítulo dedicado à contemporaneidade rio-azulense, intitulado “A Efeméride dos Paralelepípedos”.

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“Foi muito bom contribuir com este livro porque ele é uma história e vai marcar história. Fiquei orgulhoso em poder participar e fico agradecido pelo convite. Uma grande equipe”, destacou o instrutor de fumo e idealizador do filme “No Meu Tempo Era Assim”, Romualdo Surmacz.

“Em meu capítulo, abordei os imigrantes ucranianos de Rio Azul. Vale salientar que Rio Azul não foi colonizada apenas por ucranianos, mas que diversas etnias colonizaram Rio Azul ao longo da história, como poloneses, italianos, libaneses e outros que vieram para cá e ajudaram na construção, na colonização. Preferi abordar a colonização ucraniana, pois eles mantêm viva até hoje a cultura, seja nas celebrações das missas, da divina liturgia, grupo folclórico ativo em nossa comunidade. Eles celebram até os dias atuais os costumes como os imigrantes que começaram a povoar o nosso município entre 1908 e 1909, quando há os primeiros relatos das construções das igrejas, primeiro em Cerro Azul, depois a igreja de Santa Terezinha, aqui no município de Rio Azul”, descreveu o estudante de Jornalismo, Felipe Cheremeta.

“Participar do livro sobre a história de Rio Azul é um grande prazer e um grande privilégio para mim. Tive dois textos publicados e um deles conta a história de Rio Azul através do relato dos idosos. Esse material, eu coletei quando estava fazendo meu Projeto de Conclusão de Curso (TCC) em Jornalismo. Entrevistei várias pessoas, que hoje já são todas falecidas, que contavam como eram os costumes da época, a escola, as lembranças que tinham dos colégios, como era a assistência médica, o comércio, o trabalho deles na lavoura. É uma história que vai passando de pai para filho e que, infelizmente, acaba se perdendo com o tempo. Poder ter esse material divulgado no livro é ter a certeza de que agora já não se perde mais”, relatou Sandra Mosson. Segundo a jornalista, tanto para ela quanto para os demais autores do livro, é uma gratificação ter essa história registrada e imortalizada.

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O outro texto de Sandra incluso no livro fala sobre o artista plástico Antônio Petrek, patrono da jornalista na cadeira que ela ocupa na Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná (ALACS). “Antônio Petrek, para todos os rio-azulenses, é um ícone da pintura, é um grande artista da cidade. Nesse texto, fiz uma pesquisa, uma garimpagem com notícias, divulgações, fotos, conversas e algumas entrevistas que eu tinha feito com ele enquanto ele pintava a Igreja do Rio Preto aqui em Irati, outras conversas enquanto ele estava em Rio Azul. Juntei todo esse material e, infelizmente, não pude usar tantas fotos assim, mas pude trazer a público muito do que foi Antônio Petrek”, acrescentou.

“Fazer parte desse projeto do livro da Câmara é uma alegria, é uma sensação de ter um trabalho imortalizado, e isso é muito bom. Agradeço à Câmara de Vereadores de Rio Azul pela iniciativa e pela oportunidade, e aos colegas que participaram, pelo companheirismo, pela amizade, durante todo esse trajeto de produção e espero que os leitores gostem”, concluiu Sandra.

Conforme o jornalista da Rádio Najuá, Rodrigo Zub, que vive em Rio Azul há 15 anos, o idealizador do livro, José Augusto Gueltes, convidou, para que colaborassem na escrita, pessoas que já tinham produzido algum material a respeito da história do município. O capítulo redigido por Zub também aproveita a pesquisa elaborada para o TCC, que ele apresentou enquanto cursava Jornalismo na UNIUV, em 2009.

“Coletei o material entre 2008 e 2009, foram praticamente dois anos de pesquisa em que entrevistei várias pessoas, vários moradores da cidade, inclusive, alguns são falecidos, entre eles José Dmucharski, o seu Paulo Baran, o Júlio Vital Chaves, a Terezinha Chaves – que era esposa de seu Júlio e também o Adalberto Budziak. São cinco pessoas, entre as citadas no texto, que são falecidos. O Adalberto, inclusive, quase chegou a completar 100 anos. Quando o entrevistei, em 2008, ele estava bem lúcido e contou muitas coisas bem interessantes, que são relatadas no livro. Uma das passagens que ele citou, está a diferença entre o casamento antigo entre os descendentes de ucranianos e poloneses para os casamentos de hoje. Hoje em dia, geralmente os casamentos são aos sábados, as pessoas se reúnem, tem a missa do casamento, depois tem a festa e todo mundo vai para casa. Antigamente, nas festas do interior, era comum os familiares chegarem na quarta ou quinta-feira, já começava por ali as comemorações. Entre celebração e festa, durava uns três dias”, comparou Zub durante entrevista no programa "Interligado" da Rádio Najuá FM 106.9.

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O idealizador do projeto, José Augusto Gueltes, durante vários meses, coletou fotos antigas da cidade de Rio Azul, inclusive de cenas da esfera privada, a partir de contribuições da população, para ilustrar as páginas do livro. As pessoas que cederam imagens também foram citadas na obra.

A primeira tiragem do livro “Rio Azul: 100 Anos – Olhares Sobre a História” é de mil exemplares. Cada um dos oito autores recebeu uma determinada quantidade de livros para distribuir da forma que achar mais conveniente. Outra parte da tiragem foi destinada às escolas municipais de Rio Azul, para que professores e alunos tenham esse material como fonte de pesquisa.

Existe a possibilidade da Câmara com a autorização dos autores do livro ceder os direitos da publicação para uma entidade, que faria a comercialização do material visando arrecadar recursos para sua manutenção.

Cada uma das famílias presentes à sessão solene recebeu um exemplar físico do livro. Um exemplar autografado por todos os autores ficou na Câmara e outro foi enviado à Prefeitura, para compor o acervo de cada um dos Poderes.Uma versão digital do livro (e-book) está disponível no site da Câmara de Rio Azul: www.rioazul.pr.leg.br.

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