Irati e Região / Notícias

15/05/17 - 17h00 - atualizada em 16/05/17 às 16h50

Corpo de Bombeiros realiza palestra sobre saúde do bebê em Fernandes Pinheiro

Evento foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e reuniu mais de 100 pessoas no Parque da Prainha

Paulo Henrique Sava

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O Corpo de Bombeiros de Irati realizou na tarde desta quinta-feira, 12, uma palestra sobre asfixia para os pais, professores e profissionais da educação e da saúde de Fernandes Pinheiro. O evento fez parte da Semana de Enfermagem, encerrada nesta sexta-feira, e reuniu mais de 100 pessoas no Parque da Prainha.  

O 3º Sargento Laércio Prestes e o soldado Wellington, do Corpo de Bombeiros, participaram do evento ministrando uma palestra para pais, professores e profissionais da saúde do município. Na ocasião, os bombeiros mostraram algumas dicas de cuidados e de primeiros socorros em casos de asfixia infantil. Nas últimas semanas, duas crianças acabaram morrendo por causa de asfixia com leite materno no município.  

A secretária de saúde de Fernandes Pinheiro, Albani Fontoura, ficou muito satisfeita com a adesão dos pais ao evento. “As mães escutaram o nosso apelo e vieram, e as avós, que a gente sabe que são mais mães ainda. Ficamos super animados, porque são elas que vão espalhando as notícias para os vizinhos e vão ajudando no nosso trabalho”, comemorou. 

A reportagem da Najuá ouviu também pais e mães que participaram do encontro. Para Sílvia Surek, da Colônia São Lourenço, as orientações repassadas pelos bombeiros serão muito úteis. “Aprendemos muitas coisas que nem sabíamos direito”, comentou. 

Roberto Quadros, morador do Conjunto Gralha Azul, em Fernandes Pinheiro, ressalta que já conhecia algumas das técnicas repassadas pelos bombeiros. Ele comenta que a presença das mães na palestra foi importante para elas também obterem os mesmos conhecimentos. “Eu tenho um curso de trabalho em altura e de socorrista e então eu já tinha visto estas técnicas e já sabemos o que fazer”, frisou. 

Jaciane de Lima, de Angaí, levou o seu bebê recém-nascido para a palestra. “Tem muita coisa que a gente, que é mãe, tem que aprender. Tinha muita coisa que eu não sabia, e aprendi hoje. Vou passar para os da minha família, que não puderam vir”, comentou. 

A dona de casa Maria Aparecida diz que o encontro foi bom, principalmente para as mães mais jovens. Ela que já é avó, diz que está ajudando a cuidar dos seis netos. “Eu vim para aprender também”, comentou. 

Fotos: Paulo Henrique Sava


O 3º Sargento Laércio Prestes e a Tenente Carla Spak, do Corpo de Bombeiros, participaram do programa Espaço Cidadão, da Najuá AM 990, na última sexta—feira, 12. Eles repassaram algumas orientações sobre os cuidados para evitar a asfixia e também sobre a saúde do bebê. Lembra daquele famoso conselho da vovó, de que “banho em água fria serve para baixar a temperatura do bebê”, em caso de febre? Não é bem assim, segundo o sargento Prestes. “A criança tem uma temperatura corporal mais alta, e o sistema corporal dela, como está em formação, pode ganhar energia ou calor com rapidez, como pode perder muito rapidamente. Se você mergulhar uma criança que está com febre, prestes a ter uma convulsão pela alta temperatura, vai chocar uma temperatura que está em 39 ou 40 graus e jogar a criança em uma água a 11 ou 12 graus, veja a diferença que pode causar um espasmo de glote por perda de temperatura, e a criança pode ter problemas”, comentou. 

Segundo a Tenente Spak, o bebê somente terá seu sistema imunológico completamente formado aos dois anos de idade. Ela recomenda o banho com água morna para crianças com febre, uma vez que as defesas da criança ainda são muito frágeis. Ela aconselha aos pais que meçam a temperatura da água com o antebraço ou com um termômetro pequeno.  

Nas últimas semanas, duas crianças acabaram morrendo por conta de asfixia com o leite materno em Fernandes Pinheiro. Depois de ouvir os relatos destes casos, o sargento Prestes destaca que, após a amamentação, se a criança for colocada para dormir imediatamente, ela corre o risco de ter um refluxo do leite, que pode invadir as vias respiratórias e se alojar nos pulmões. Com isto, pode ocorrer a asfixia e a morte do bebê. “Talvez seja isto que tenha acontecido com as crianças”, frisou.  

Os bombeiros destacam que a criança deve ser colocada no berço “de lado”, com apoios na barriga e nas costas do bebê. Desta maneira, a criança não corre risco de se sufocar com os travesseiros e nem de respirar o leite, caso haja refluxo. Ela pede ainda que as mães fiquem um pouco mais com o bebê nos ombros até ele “arrotar”.  

Alguns pais têm também o costume de colocar o bebê recém-nascido para dormir na cama do casal, para que ele fique mais quentinho, principalmente no inverno. Porém, o risco de sufocamento nestes casos por causa do sono pesado do pai e da mãe é grande. “Evitem esta situação, coloquem a criança no berço, mas se ele não cabe no quarto, deixem o bebê dormindo no carrinho, mas não coloquem ele para dormir entre o casal, pois este é um risco muito grande”, pontuou.  

A tenente recomenda ainda que não sejam colocados enfeites nos berços dos bebês. Ela pede que sejam colocados objetos, como travesseiros e cobertores maiores, e recomenda que o cobertor não seja colocado no rosto da criança, o que pode vir a causar sufocamento na criança. “Criança é assim: ‘fritando o peixe e cuidando do gato’: tem que ter um cuidado enorme”, comentou. 

Em caso de a asfixia ocorrer, o sargento Prestes explica que a pessoa deve ligar imediatamente para a Secretaria de Saúde ou para o Corpo de Bombeiros, cujos socorristas irão passar os procedimentos de primeiros socorros para a pessoa, até a chegada da equipe de socorro ao local. “Uma criança com até um ano de idade e que não esteja respirando, deve ser virada com o rostinho para baixo, inclinando e dando cinco palmadas na região das escápulas, que ficam nas costas da criancinha. Estas cinco palmadas vão fazer com que o líquido que está próximo à traqueia, desça para a boca, e você vai limpando ali com uma fraldinha ou lenço”, comentou. 

Em uma pessoa adulta, há a necessidade da realização de cinco manobras em caso de engasgo ou asfixia. “Você vai chegar por trás da pessoa, vai fazer o chamado ‘abraço da vida’, e fazer cinco manobras no diafragma, e, puxando para cima, fazer com que o ar que esteja entre os pulmões e a caixa torácica, empurre como se fosse uma rolha, jogando o que está na base da boca para fora. São cinco compressões que você faz, abraçando e puxando a vítima. Você faz com que este músculo empurre todo este ar. Depois, você deve chamar uma ambulância para uma avaliação”, comentou. 

Os bombeiros recomendam que, mesmo voltando ao normal, a criança ou adulto sejam levados a um médico, para verificar a necessidade de tratamento, uma vez que pode haver situações de pneumonias e ferimentos no esôfago. Além disto, como as pessoas costumam pescar e comer muito peixe na região, o Sargento recomenda que, caso a pessoa venha a engolir uma espinha, provoquem uma tosse intensa para expulsar a mesma do esôfago, pois desta forma haverá uma maior vibração das cordas vocais, o que fará com que a espinha seja expelida. 

Spak pede que, caso as mães mais jovens, principalmente aquelas que terão ou tiveram seus primeiros filhos, tenham alguma dificuldade, não hesitem em solicitar ajuda do Corpo de Bombeiros ou de pessoas mais experientes. “Nos primeiros meses do bebê, tem que haver uma dedicação, e até por isto hoje a licença-maternidade da mãe está estendida (para até seis meses), justamente porque, neste período, o bebê precisa da nossa atenção”, frisou. 

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