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14/11/17 - 18h26 - atualizada em 14/11/17 às 19h50

Delegado confirma apreensão de maconha na casa de ex-prefeito de Rio Azul

Droga foi encontrada durante busca e apreensão na Operação Castor. Jane Solda assumiu a posse e alegou uso terapêutico da substância

Da Redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Equipe do GAECO realizou buscas na residência da família Solda na área central de Rio Azul
O delegado Eduardo Mady Barbosa, titular da Delegacia da Comarca de Rebouças, confirmou a apreensão de 11 gramas de maconha na casa do ex-prefeito de Rio Azul, Vicente Solda, no cumprimento de mandados de busca e apreensão durante a Operação Castor, deflagrada na segunda-feira (13). A mulher de Vicente, a ex-vereadora e ex-presidente da Câmara, Jane Luizi Skalicz Solda, assumiu a posse e alegou uso terapêutico da substância.

“Os objetos que foram apreendidos, como celulares, foram encaminhados para Curitiba, ao GAECO, onde está ocorrendo o inquérito sobre essa nova operação. A cargo da Delegacia de Rebouças ficou somente a apreensão de 11 gramas de maconha, que foi encontrada na casa de Vicente Solda”, explica.

Confira a entrevista completa com o delegado Eduardo no fim do texto

A apreensão da droga, no entanto, foi uma casualidade, visto que não era o foco da Operação Castor, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Paraná (MP-PR). A operação apura a extração ilegal de madeira em propriedade do ex-diretor da ALEP, Abib Miguel (Bibinho), acusado de desviar dinheiro público. A propriedade, que teria sido adquirida com esses recursos, foi sequestrada pela Justiça para garantir o eventual ressarcimento aos cofres públicos. A extração de madeira, portanto, é compreendida como uma desvalorização da propriedade e, consequentemente, reduz a possibilidade de ressarcir a dívida.

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“A operação do GAECO foi deflagrada a partir da informação de que estariam vendendo madeira das fazendas do Abib Miguel. Tanto as madeiras quanto as propriedades estariam sob intervenção do Judiciário. Havia uma medida judicial bloqueando a venda dessas madeiras, para garantir eventual ressarcimento, depois de transitado em julgado, com uma condenação. O motivo da operação foi, realmente, o corte e a venda de madeiras que estariam sendo retiradas da fazenda, das propriedades do Abib Miguel”, enfatiza Eduardo.

De acordo com o delegado, toda a busca realizada no imóvel, por precaução, foi filmada – o procedimento se tornou uma prática para garantir a idoneidade e isenção nas operações. Eduardo afirma que, segundo os policiais que participaram da operação, os 11 gramas de maconha foram localizados numa gaveta com roupas femininas, numa cômoda no quarto pertencente à ex-primeira-dama de Rio Azul.

“A dona Jane acabou assumindo a posse dessa droga. Segundo a versão dela, ela teria achado essa droga numa roupa que ela teria pegado para doação, que foi deixada na praça. Ela levou essa roupa para casa, para ser lavada, e acabou encontrando. Guardou essa pequena quantidade e teria usado para fins terapêuticos para dores nas pernas”, descreve o delegado.

Operação investiga extração ilegal de madeira em fazenda que pertence ao ex-diretor da ALEP que MP quer leiloar
Eduardo ressalta que, quanto à apreensão de droga, não é somente a quantidade que é levada em consideração para atribuir a ocorrência de tráfico. Outros elementos são levados em conta para determinar que seja mera posse para uso. “Seja para uma pessoa que vá fumar ou mesmo que vá utilizar para fins medicinais, porque ainda não está liberado no Brasil. São vários aspectos que levamos em consideração: se há denúncia de tráfico contra a pessoa; se há balança digital [de precisão] ou analógica na casa; se há dinheiro em pequenos valores ou em várias notas, que é um indicativo de que a pessoa estaria comercializando. Não foi encontrado nenhum desses outros indicativos. Então foi instaurado um Termo Circunstanciado por posse contra a dona Jane, que vai responder como usuária”, explica.

Os aparelhos celulares da ex-vereadora foram apreendidos e serão levados para perícia. “Se houver outro indicativo, podemos mudar, mais tarde, a classificação do crime”, acrescenta. A droga apreendida também foi encaminhada para perícia, a fim de apurar a validade da alegação de Jane, de que o material estava guardado há, pelo menos, quatro anos. “Na declaração da dona Jane, ela acabou falando que encontrou essa droga há quatro ou cinco anos atrás e que ela teria usado duas vezes para fins terapêuticos, para dores nas pernas, e que depois acabou esquecendo na gaveta da cômoda”, acrescenta.

Madeira e outros objetos

Policiais também cumpriram mandado de busca e apreensão em empresa de tabacos que pertence a família Solda
Quanto à apreensão de madeira e de outros materiais, como computadores e documentos, o delegado Eduardo afirma que obteve informações, mas que elas não são concretas. “Como esse material foi encaminhado diretamente para Curitiba, não temos como confirmar. Mas confirmamos, com certeza, que a origem de tudo isso foi a venda da madeira das propriedades do Abib Miguel, que estavam embargadas pela Justiça. Esse foi o motivo da busca e apreensão”, diz.

O coordenador estadual do GAECO, Leonir Battisti, confirmou a apreensão de celulares e de documentos durante a Operação Castor. Entretanto, Battisti disse que o GAECO ainda não tem o resultado final da operação, porque há bastante material a ser analisado.

Operação Castor

Desdobramento da Operação Argonautas, a Operação Castor buscou evitar a dilapidação do patrimônio em nome de Abib Miguel, ex-diretor da ALEP acusado de desvio de dinheiro público do legislativo. O patrimônio em nome de Bibinho, parentes e de supostos laranjas é estimado em R$ 216 milhões, em valores atualizados.

Em outubro, parte dos bens, que foram sequestrados pela Justiça para assegurar o ressarcimento do valor desviado da ALEP, quase chegou a ser leiloado. A defesa do ex-diretor conseguiu anular o processo e evitar o leilão, alegando que Bibinho não teve direito ao contraditório. Ao pedir a alienação antecipada – o sequestro judicial, o Ministério Público tentou impedir a dilapidação patrimonial, ou seja, que a propriedade perdesse o valor com a extração da madeira.

O MP-PR foi avisado da extração ilegal da madeira justamente quando um avaliador foi até Rio Azul para estimar o valor do imóvel alienado. Como a fazenda possui reflorestamento de pinus e de eucalipto, o valor é diretamente relacionado à extração vegetal.

O envolvimento atribuído ao ex-prefeito Vicente Solda no caso diz respeito ao uso de parte da madeira extraída por uma das empresas de sua família. Segundo informações do jornal Gazeta do Povo, na casa do ex-prefeito, o GAECO localizou um quadro com uma foto de Bibinho e um porta-retratos com uma foto em que ambos aparecem apertando as mãos, indicativo da relação de proximidade entre eles, segundo o GAECO.

Ainda de acordo com o MP, a investigação também atinge o atual prefeito de Rio Azul, Rodrigo Solda, filho e sócio de Vicente na empresa flagrada recebendo a carga de madeira ilegal. 

Confira a entrevista completa com o Delegado Eduardo Mady Barbosa

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