Irati e Região / Notícias

14/02/18 - 17h03 - atualizada em 14/02/18 às 17h16

Diácono fala sobre abertura da Campanha da Fraternidade 2018

Neste ano, CNBB adotou o tema “Fraternidade e Superação da Violência”. Campanha terá como lema “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8)

Paulo Henrique Sava

Tem início nesta quarta-feira de cinzas, 14, a Campanha da Fraternidade 2018 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O tema deste ano será “Fraternidade e Superação da Violência”, e o lema “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8).

O tema foi discutido e definido em um seminário, realizado na sede da CNBB em Brasília no dia 09 de dezembro de 2016. O mesmo tema já havia sido aprovado em setembro daquele ano pelo Conselho Episcopal da CNBB. 

O diácono permanente Agostinho Basso participou do programa Espaço Cidadão de hoje e falou sobre o tema da CF de 2018. Ele destacou que a violência vem oprimindo principalmente as pessoas mais necessitadas da sociedade e é uma realidade de todos os tempos. O diácono comenta ainda que a violência começa de várias formas, e muitas vezes dentro de casa, podendo ser velada e nem chegar ao conhecimento dos demais familiares. Isto pode deixar profundos traumas na pessoa que sofre com este tipo de violência.  

“Estamos falando da violência econômica, da violência que oprime, da violência ao trabalhador, da violência no campo, da disputa por terras e até da violência judicial, que oprime. A Igreja está sempre junto com aquele que sofre e prestando atenção”, frisou.  

Diácono Agostinho Basso participou do programa Espaço Cidadão ao lado do diretor do Grupo de Teatro São Francisco de Assis, Célio Marcos de Oliveira, e das artesãs Michele Scherzovski e Regina Smolka

Agostinho lembrou um episódio ocorrido no ano passado em Pinhão, no qual uma comunidade inteira acabou destruída, inclusive a própria igreja católica, com o uso de tratores e retroescavadeiras.  

A violência é a terceira maior causa de mortes no Brasil atualmente. “Tem pessoas que saem para viagens e se envolvem em acidentes, é o jovem que estava bem, depois foi para um baile e encontrou a morte, é aquela pessoa que utilizou bebida alcoólica ou drogas, ou seja o que, for, se envolveu em um caso de violência e acabou morrendo”, frisou. 

De acordo com Agostinho, tem se tornado cada vez mais comum a pessoa cometer suicídio para tentar fugir da dor e do sofrimento. “Quem comete suicídio não quer acabar com a vida, porque a vida grita pela vida, agora ela não suporta dor. Então, para acabar com a dor, ela tira a própria vida”, comentou. 

Segundo o diácono, o principal objetivo da CF 2018 é anunciar a boa nova da fraternidade, que significa vida entre irmãos, e da paz. “Ela tem uma finalidade de estimular as ações concretas que expressem a conversão e a reconciliação, analisar as múltiplas formas de violência, considerar suas causas e consequências, porque é muito comum, principalmente no setor público, o estádio dar remédio para quem está com febre, que é apenas um sintoma e não a causa”, frisou.

Agostinho relata que uma das maiores causas de violência no Brasil é o tráfico de drogas. É necessário indicar o alcance da violência nas realidades urbanas e rurais, propondo os caminhos para a superação, seja através do diálogo, do poder público, da unidade de todas as pessoas, porque a violência não começou hoje, e temos que ser realistas: não existe solução fácil para problema difícil, mas existem ações práticas e bem profundas neste sentido”, conforme o diácono.  

O diácono citou o exemplo da Bíblia, que cita no livro do Gênesis como primeiro caso de violência a morte de Abel, que foi assassinado pelo próprio irmão Caim por inveja dele, que iria apresentar os primeiros frutos de seu trabalho. “A violência faz parte do ser humano, mas como instinto de defesa, e não como vemos hoje, matando por 5 reais, por um celular, às vezes brigando por uma questão de gênero. Se uma pessoa é homossexual, apanha na rua. Mas o que é isso?”, questionou. 

Centenas de pessoas participaram das celebrações das cinzas nas paróquias de Irati

O diácono comenta que muitos casos de feminicídio também tem sido registrados recentemente, muitos deles causados pelo término de relacionamentos que muitas vezes chegam a durar por anos. “A Igreja sempre vai trazer uma palavra de esperança e de fé, porque nós sabemos e a própria Teologia nos traz isto, que o ser humano é bom e traz a semente da vida e da bondade no seu coração. Ninguém nasceu para ser bandido, pois se não, Deus teria errado”, comentou.  

O diácono afirmou que o amor que Deus tem para com o Papa Francisco tem a mesma intensidade do amor que sente pelo traficante Fernandinho Beira Mar. “A diferença é o que foi feito com este amor, e será que isto chegou até os ouvidos do Fernando? Ele, filho de Deus, nasceu para ser bom e é assim: dentro dele tem a potencialidade do amor”, frisou. 

Agostinho ressaltou também a importância do perdão como forma de reduzir a violência na sociedade. “Onde fica o que Jesus falou sobre o oferecer a outra face, o 70x7 para perdoar, onde fica aquela frase ‘Que vocês sejam um, como Eu e o Pai somos um’? O diácono não está dizendo que isto será amanhã, mas começando de mim, se cada um de nós fizer isto e ter a não-violência no nosso coração, a sociedade muda para melhor”, finalizou. 

Celebrações das cinzas

As igrejas de Irati e região realizaram nesta quarta-feira as celebrações das cinzas em todas as comunidades. Centenas de pessoas participaram das celebrações nas quatro paróquias de Irati e nas comunidades do interior.

Cartaz da CF 2018, que tem como tema "Fraternidade e Superação da Violência"

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