Irati e Região / Notícias

19/08/18 - 21h10 - atualizada em 02/09/18 às 11h32

Divulgação de casos de feminicídio incentiva mulher a denunciar

Introdução do botão do pânico como medida protetiva pode salvar vidas de mulheres em Irati

Texto Jussara Harmuch, reportagem de Paulo Sava

Psicóloga Danieli Pires Soares e coordenadora do CREAS, Saionara Franco, debateram o tema feminicídio em participação no programa "Espaço Cidadão"

Para o delegado da Polícia Civil de Irati, Paulo César Eugênio Ribeiro, o número de mulheres que fazem denúncia de agressão tem aumentado e a divulgação de casos na imprensa acaba sendo um fator encorajador. "Eu estou em Irati há dois anos e este caso que aconteceu de feminicídio foi o primeiro. É importante esta cobertura da imprensa no sentido de que as mulheres se sentem mais encorajadas a denunciar", conta o delegado, informando que o caso de Ivanilda Kanarski, morta com dois tiros efetuados por seu marido em 26 de julho, foi encaminhado ao fórum e aguarda apenas alguns laudos. Ivanilda foi morta em pleno dia enquanto andava no Parque Aquático, na frente dos filhos do casal.

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Paulo César lamenta a falta de funcionários e a não existência de uma delegacia específica para receber estas denúncias. "É preciso uma contrapartida política para melhorar estes atendimentos", relata. Hoje não existe registro histórico sobre o número de casos enquadrados na Lei Maria da Penha em Irati e região.

A psicóloga Danieli Pires Soares, que debateu o tema no programa Espaço Cidadão, reforça que é preciso ter um ambiente mais acolhedor para receber depoimentos das mulheres em estado de vulnerabilidade e o atendimento deve ser feito por policiais do sexo feminino. 

O botão do pânico foi criado para desestimular a violação dos direitos. "A finalidade do botão do pânico é realizar o pronto atendimento das mulheres em situação de violência familiar que é detentora da medida protetiva de urgência e seja maior de 18 anos", informa Saionara Franco, coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que também participou do programa.

O sistema funcionará através de uma plataforma monitorada pela Guarda Municipal. "Ao acionar, vai vibrar para ela saber e, automaticamente cairá na plataforma e nos smartfones dos agentes. Qual estiver mais próximo atenderá a ocorrência. Também chegará no celular dela uma mensagem", explica a coordenadora.

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Serão 50 unidades do botão do pânico em Irati. O processo de capacitação dos funcionários será feito nos próximos dias.

Uma ouvinte entrou em contato com o apresentador Paulo Sava enquanto o programa estava no ar e perguntou se não há possibilidade de o botão se tornar mais perigoso. "Se a vítima estiver morando com o agressor não receberá o botão, ou se recebeu e voltou a conviver, será retirado. Também o agressor não saberá que ela está com o dispositivo", responde a psicóloga Danieli, complementada por Saionara.

O feminicídio é um homicídio qualificado cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão. As mulheres não devem ficar quietas, precisam pedir socorro. O contato telefônico do CREAS é 3907-3108.

O Espaço Cidadão vai ao ar de segunda a sexta às 9horas pela Super Najuá 92,5.

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