Irati e Região / Notícias

10/01/18 - 15h26 - atualizada em 10/01/18 às 15h37

Gnatkowski avalia desempenho das ações da Secretaria Municipal de Agricultura de Irati em 2017

Pasta é responsável pelo desenvolvimento de 21 diferentes ações voltadas ao produtor rural iratiense

Da redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

O secretário municipal de Agricultura de Irati, Raimundo Gnatkowski (Mundio), avaliou o desempenho de ações desenvolvidas pela pasta ao longo do ano de 2017. A Secretaria é responsável por 21 diferentes ações voltadas ao benefício do produtor rural iratiense. Uma delas é o programa Ecotroca, em que moradores de comunidades carentes trocam material reciclável por produtos da agricultura familiar. 

Hoje, o programa, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e a do Bem-Estar Social, atende a Vila Matilde, Nhapindazal, Tucholka, Fragatas, Pedreira e Vila Raquel. “Fechamos um ano bastante positivo, participamos dessa última Ecotroca e o pessoal foi muito animado. Não tenho os números aqui, mas foi recolhido muito material reciclado. Os agricultores também ficaram satisfeitos com o que venderam, o que foi fornecido para a Ecotroca. Retornou esse ano para não parar mais. No dia 11 [nesta quinta-feira] está marcada a próxima”, diz. Segundo o secretário, a tendência é a de que o programa em breve seja estendido a outros bairros.

Mundio observa que são nesses bairros que acontece a Ecotroca, o que, no entanto, não restringe o atendimento, uma vez que moradores das imediações desses bairros também participam do programa. Esses locais são os pontos de troca, frisa o secretário, mas o programa abrange Irati como um todo.

Sobre a Vila Nova, que deixou de ser um posto de troca, o secretário afirma que ainda será avaliada uma eventual retomada. “Ali está sendo também trocada a cooperativa de reciclados, sai dali também. Foi feito um estudo com as Secretarias e, para a frente, voltaremos a conversar, não somente na Vila Nova, mas em outros bairros onde também acontecia e estão nos solicitando o retorno”, adianta.

Fruticultura 

O engenheiro agrônomo Antônio Sidnei Martins (Toninho), responsável pelo setor de fruticultura municipal, afirma que houve uma boa safra de pêssego em 2017. “Nos últimos anos, conseguimos introduzir novas variedades; variedades com bom sabor, bom tamanho e boa firmeza. Isso fez com que pudéssemos também ampliar o período de oferta da produção, poder armazenar essas frutas e ter um maior período de pós-colheita”, frisa Toninho.

A Festa do Pêssego de 2017 teve a oferta da variedade Fascínio, que passou a ser produzida em maior quantidade. É um pêssego desenvolvido pela Embrapa de Pelotas (RS), de polpa branca, com boa firmeza e um tamanho excepcional, que pode a chegar a frutos de 300 gramas, especifica o agrônomo.

Sobre um eventual aumento na rentabilidade do produtor com a adoção do cultivo da nova variedade, Toninho explica que a Fascínio começa sua safra com o término da Chimarrita e é a variedade que foi apresentada na Festa do Pêssego. “Ajuda na questão de ela ser mais produtiva e ter mais firmeza. “Neste ano, foram distribuídas 1000 mudas, gratuitamente. E para este próximo ano já está projetada a distribuição de 3000 mudas. Nesta semana, famílias de agricultores vieram buscar e comprar mudas de fora, porque eles já querem ampliar”, acrescenta Mundio.

Secretário Raimundo Gnatcowski, ao lado do técnico Antônio Sidnei Martins e do operador e locutor da Najuá, Ademar Bettes

Vinho 

A produção de vinho sofreu uma baixa em Irati em 2017, na região do Pinho de Baixo, quando produtores tiveram que descartar quase 5 mil litros, por não estarem regularizados conforme exige o Ministério da Agricultura (MAPA). Os produtores foram até Brasília, junto ao prefeito Jorge Derbli, a fim de pleitear uma “normatização um pouco mais facilitada”, segundo Mundio, para a vinicultura. Conforme o secretário, as regras são as mesmas, tanto para a produção em larga industrial quanto para os produtores artesanais, em pequena escala.

“Claro que a produção do Pinho já é grande, mas ainda tem como fazer uma diferenciação disso. Um exemplo é que tivemos, junto à Festa do Pêssego, a questão do queijo, que também apresenta uma legislação diferenciada, porque é um queijo mais artesanal, de produção familiar. O vinho também deveria ser dessa forma. Claro que não pode fugir, de maneira nenhuma, de uma norma sanitária. Mas tem que haver uma diferenciação entre o pequeno produtor e a grande indústria, porque se equiparou de uma forma igualitária, o que não é legal”, considera o secretário.

Mundio inclui nessa mesma lista a cerveja caseira, que também possui as mesmas exigências em relação à cerveja industrial. “Mas se você fizer nas mesmas normas, ela se torna artesanal; mas deixa de ser caseira, é industrial. Assim está o queijo, assim está o vinho. Essa facilitação na questão da estrutura está sendo buscada e estamos trabalhando juntos para tentar facilitar”, diz.

De acordo com o agrônomo da Secretaria de Agricultura, para que o vinho seja comercializado regularmente, precisa de registro junto ao MAPA e, para o registro, precisa ter uma condição de instalação e de equipamentos que esteja adequada à norma do Ministério da Agricultura. “Temos um produtor no Pinho que está buscando isso e vai conseguir, e aí esse problema será solucionado, porque ele poderá produzir vinho para os entornos e poderão comercializar dentro da legislação”, pontua.

Quanto à uva, a cultivar mais plantada é a Bordeaux, mais escura, que pode ser usada para fabricação de vinho e sucos ou mesmo ser consumida in natura. “Pessoas que tenham interesse em comprar maior quantidade de uva, podem nos procurar na Secretaria, que temos endereços dos produtores, onde eles podem comprar direto do produtor”, diz Toninho.

Bacia leiteira 

Ao assumir a pasta, Mundio nomeou um técnico, Abel Lopes, para ficar responsável pela questão da bacia leiteira, que demandava um levantamento sobre a produção. Conforme o secretário, ainda não é possível precisar exatamente essa quantidade, porque a produção está gradualmente expandindo. “Cada vez mais temos visto pessoas entrando nesta atividade. Do início do ano [de 2017] para cá, vimos muitas pessoas entrando na atividade. Ela beira os 12 milhões de litros de leite. Temos perto de 200 famílias hoje nessa atividade e nesse ano o Abel trabalhou junto à microbacia, com dias de campo, voltados ao leite; a questão de equipamentos de distribuição nas esterqueiras, que além de dar higiene ao espaço onde ficam as vacas, depois esse material orgânico é distribuído para o milho ou para a produção verde, de pastagem, é um retorno muito grande, assim como os abastecedouros comunitários”, explica o secretário.

No final do ano, 42 produtores de leite de Irati foram até a Colônia Castrolanda, no município de Castro, conhecer a Cooperativa Castrolanda e observar as tecnologias de produção leiteira. A pedido do prefeito Jorge Derbli, a Secretaria de Agricultura deve concentrar esforços ao longo de 2018 para criar, em Irati, uma Associação de Produtores de Leite.

Porteira adentro 

O Projeto Porteira Adentro, que começa a ser aplicado já a partir deste início de ano, deve também atender aos produtores de leite. “Já que eles, diariamente, têm essa necessidade de entrar e de sair o caminhão, buscar leite, trazer os nutrientes e tudo o mais, então está se encaminhando. Trabalhamos no ano passado com a Bacia Leiteira e, neste ano, vamos trabalhar ainda mais”, antecipa Mundio.

O PROFIR, que é o Porteira Adentro, já passou pelo jurídico e está no Executivo, no aguardo de sua aprovação. Quando passar a operar, o projeto deve ter funcionamento similar ao do PROGRIDE, que atende a empresas do quadro urbano. “No PROGRIDE, as empresas que precisam de um atendimento com máquina fazem um ofício e encaminha a uma comissão, que analisa e dá ok. Quando dá ok, está aprovado por lei e a Prefeitura já pode entrar na empresa e fazer o serviço. No PROFIR, será da mesma forma. Teremos ali seis entidades: Secretaria de Agricultura, Emater, ADAPAR, SEAB, Conselho de Desenvolvimento Rural (Conder) e o próprio Pátio de Máquinas, que farão parte desse conselho. Da mesma forma, o agricultor vem, faz sua solicitação, é feita a análise do pedido dele, principalmente se ele é de Irati; por isso estávamos verificando a questão dos limites do município, se o terreno dele está registrado aqui e como está a contribuição dele com o município, para ser justo com todo o mundo. Passou por essa comissão, vai para execução”, compara o secretário.

Para que o programa tenha início efetivo, antes, porém, depende de aprovação no Legislativo. Portanto, em princípio, deve começar somente em fevereiro.

Associações de produtores 

“Hoje, praticamente todas as comunidades estão voltando com suas associações. Quando fizemos a primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Rural, vieram dois agricultores, tamanha a desmotivação que estavam”, relembra o secretário. Em comparação, hoje a presença chega a 80% dos produtores, avalia.

Banco do Brasil, IFPR, Unicentro e outras entidades passaram a somar junto com o Conselho, destaca Mundio. “Fortaleceu o Conselho e, com isso, fortalece nosso programa e fortalece a comunidade onde está a associação. Tudo caminha por associação. Mais um exemplo que eu dou: o pessoal que recebeu 12 equipamentos – Pinho de Cima, Pinho de Baixo e Campina de Gonçalves Júnior – conseguiu através de associação; sem associação, muitas vezes, é muito mais difícil. É importante se reunir entre vizinhos na comunidade, se a tua associação está ativa, participar; se ela não está, torná-la ativa”, fala.

Unidades habitacionais rurais 

Em 2017, foram entregues 33 unidades habitacionais rurais e outras 19 devem ser concluídas agora em fevereiro, de acordo com o secretário. Há outras 108 cadastradas e tiveram a documentação encaminhada à Caixa Econômica.

Olericultura 

Mundio comenta que 94 produtores familiares iratienses foram recentemente cadastrados no PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), do governo estadual, para o fornecimento de verduras para merenda escolar. “Tem muita gente produzindo verdura hoje. Tem gente que vende na feira, tem gente vendendo para o comércio, para a Ecotroca; para a merenda escolar, que passa pelo Centro de Processamento de Alimentos, que há muito tempo estava em inatividade e, neste ano, colocamos ele em funcionamento. São três profissionais, junto com nossa engenheira de alimentos, que está trabalhando. Era uma vontade muito grande do nosso prefeito fazer com que a merenda escolar ganhasse qualidade na entrega. Nesse ano, terá mais ainda, são dois profissionais que vêm já com caminhão resfriado de entrega e vão ser atendidas 5,2 mil crianças nas escolas”, conclui.

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