Irati e Região / Notícias

02/02/18 - 12h25 - atualizada em 02/02/18 às 19h06

Iratienses farão protesto contra preços dos combustíveis neste sábado

Manifesto terá início na Praça da Bandeira, a partir das 10 horas. Sindicombustíveis explica motivos dos altos preços da gasolina nos postos de Irati

Paulo Henrique Sava, com informações do portal UOL

A Petrobras anunciou mais uma alta no preço dos combustíveis nas refinarias nesta sexta-feira, 2. A informação foi publicada pelo portal UOL. Os reajustes, válidos a partir de amanhã, 03, serão de 0,6% no óleo diesel e de 0,5% na gasolina. Isto não significa que os reajustes serão repassados para o consumidor.

A estatal já havia anunciado ontem, 1, uma alta no preço da gasolina, que subiu 0,8% nas refinarias. Desde o início da nova política de preços adotada pela Petrobras, a gasolina teve um reajuste de 22,9%, e o diesel teve uma valorização de 23, 53%.

Esta variação de preços nos combustíveis será motivo de um protesto, que vai ocorrer em Irati neste sábado. A concentração terá início às 10 horas da manhã, na Praça da Bandeira (em frente aos Correios), e deverá seguir pelos principais postos de combustíveis da cidade.

Os organizadores do evento, Ana Paula Wrubleski, Diego Willian Vieira e José Amauri Bucco, concederam entrevista à Najuá. Ana Paula comenta que a ideia de realizar o protesto surgiu a partir de uma postagem feita em sua página pessoal nas redes sociais, na qual ela publicou um vídeo comparando os preços dos combustíveis praticados em Guarapuava e Irati. Ela conta que já fez esta postagem por três vezes.

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"Na terceira postagem, o povo visualizou e assistiu o vídeo que eu recebi e acabei postando. Foram 228 pessoas de Irati, Rio Azul, Rebouças e Mallet que compartilharam, todas revoltadas nos comentários. Eu postei ‘vamos agir’ e procurar saber o que está ocorrendo, pedi aos grandes empresários do ramo para se manifestarem e esclarecerem para a gente o motivo de o preço da gasolina estar tão alto em Irati, mas até agora nada”, frisou.

Ana Paula comenta que, depois da postagem, algumas pessoas criaram um grupo de conversa nas redes sociais e idealizaram o movimento. Diego Willian Vieira, integrante do grupo, comenta que grande parte dos postos de cidades vizinhas a Irati vende a gasolina a um preço mais baixo que os estabelecimentos iratienses. “Por que nós pagamos este preço, uma média de R$4,49 (por litro)? A diferença de preço entre os postos é de alguns centavos”, comentou.

José Amauri Bucco, Ana Paula Wrubleski e Diego Willian Vieira integram a coordenação do movimento que fará o protesto amanhã, a partir das 10 horas, em Irati

Vieira conta que, depois da criação do grupo, muitas pessoas que foram adicionadas acabaram saindo. Porém, pelo menos 120 pessoas ainda integram o grupo e confirmaram participação no evento deste sábado. “Com isto, nós fizemos esta manifestação para ver se muda um pouco, porque o preço está caro demais”, frisou.

A expectativa dos organizadores é de que pelo menos 300 pessoas participem do protesto. Amauri Bucco, também integrante do grupo, ressalta que o preço dos combustíveis em Irati é praticamente igual em todos os postos. “Não existe diferenciação de preço entre um posto e outro, na hora de definir o preço, ele acaba sendo quase igual em todos os postos. Eu me coloquei no grupo porque este é um assunto que a gente tem que debater bastante para conseguir pelo menos entender por que está acontecendo isto. Eu ultimamente não tenho abastecido o carro em Irati, procuro abastecer nos postos da rodovia para reduzir os gastos com combustível”, comentou.

Amauri ressalta também que, algumas vezes, por diferença de alguns centavos no preço, os motoristas iratienses acabam abastecendo os veículos em postos de outras cidades. “Nós não queremos isto, porque sabemos que, se abastecermos em outras cidades, acabamos gerando impostos para outras cidades, e queremos gerar impostos para Irati, mas temos que pensar no nosso bolso também. Os poucos centavos que temos de desconto acabam dando diferença em um tanque de combustíveis em um ou dois meses. O objetivo deste manifesto é este: de conseguirmos reduzir ou pelo menos entender o porquê de existir esta diferença de Irati para outras cidades e por que não existe praticamente diferença de valores nos postos de combustíveis de Irati”, pontuou.

Ana Paula convida a população para se reunir em frente a agência dos Correios na Praça da Bandeira, a partir das 10 horas. “A partir dali, a gente vai começar a discutir o assunto: ou faremos uma passeata ou uma carreata. Muitos integrantes têm novas ideias, que estamos discutindo, mas, de qualquer forma, sairá este protesto amanhã. Convidamos todo mundo para a gente discutir e resolvermos se faremos a carreata ou a passeata. Provavelmente, será a carreata, pois vai ser melhor para a gente poder passar pelos postos, pelas ruas principais e principalmente pela Rua Dr. Munhoz da Rocha”, frisou.

Os organizadores estão convidando também os donos dos postos de combustíveis para participar do manifesto e explicarem os motivos da alta do preço principalmente da gasolina em Irati. O evento vai contar também com a presença da Guarda Municipal e da Polícia Militar durante o trajeto, que ainda será definido.


Sindicombustíveis explica alta nos preços

Em nota, o Sindicombustíveis, entidade que representa os postos de combustíveis do Paraná, explica que a culpa pela alta nos preços da gasolina e do óleo diesel não é dos postos. O órgão afirma que o segmento também sofre com os reajustes, uma vez que os preços altos acabam inibindo o consumo e prejudicando a economia.

O Sindicombustíveis justifica que a alta nos preços se deve principalmente à carga tributária que incide sobre a mercadoria. Cerca de 50% do valor final da venda dos produtos é composta por tributos estaduais e federais. Por exemplo, somente no ano passado, o Governo Federal mais que dobrou o valor da PIS/Confins cobrada dos postos.

Por outro lado, o órgão também atribui as altas à nova política de preços da Petrobras, adotada em julho de 2017, que apresenta alterações quase diárias, o que gerou uma tendência de grande alta nos preços. A estatal também teve grandes prejuízos com a corrupção nos últimos anos.

Segundo o Sindicombustíveis, as distribuidoras também influenciam na alta dos preços, uma vez que elas têm repassado rapidamente os aumentos para os postos. Entretanto, elas também demoram para repassar as baixas apresentadas.

Ainda conforme o sindicato, as distribuidoras podem praticar preços diferentes nas cidades. “O mesmo combustível que é vendido para um posto de Curitiba pode ser vendido para um posto de Irati por outro preço, uma vez que o mercado no Brasil é livre. Algumas vezes, até mesmo dentro da mesma cidade há variação”, diz a nota.

O órgão ainda ressalta que o volume de litros adquirido pelos postos iratienses é muito baixo em relação a outras cidades, o que obriga as empresas a trabalharem com uma margem maior de lucro nos produtos.

O Sindicombustíveis entende que “é uma grande injustiça direcionar aos postos, que também são vítimas, os questionamentos sobre as altas recentes”.

O sindicato ainda ressalta que não tem qualquer atribuição para decidir, regulamentar ou pesquisar preços dos postos. O órgão finaliza a nota afirmando que todas as informações repassadas estão disponíveis no mercado.

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