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13/04/17 - 21h42 - atualizada em 14/04/17 às 11h32

Pastor e esposa são presos sob suspeita de manter filhos em cárcere privado

Crianças de nove e 12 anos eram privadas de convívio social e mantidas em cômodo isolado, de cinco metros quadrados, segundo denúncia

Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch 

Polícia Civil cumpriu mandado de busca na residência onde as crianças estariam sendo mantidas em cárcere privado
Um pastor e sua esposa foram presos nesta semana, em Imbituva, diante da suspeita de manterem os filhos em cárcere privado. As duas crianças, de nove e 12 anos, eram privadas do convívio social e mantidas num cômodo isolado, de cinco metros quadrados, sem luz e com grades nas janelas, de acordo com denúncia. Os irmãos eram liberados do quarto apenas para irem à escola.

O caso chegou ao conhecimento da polícia através de denúncias recebidas pelo Conselho Tutelar, que procedeu com a averiguação dos indícios durante 2 meses, até constatar a consistência dos fatos. As investigações apontam que as crianças viviam nessa condição há pelo menos cinco anos, desde que a mãe deles morreu e o pai casou-se novamente. O casal vivia em outra casa, no mesmo terreno, porém maior e mais confortável.

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Assim que foram confirmadas as suspeitas, a denúncia foi encaminhada à Delegacia. A Polícia Civil solicitou à Justiça um mandado para entrar na casa e verificar a denúncia de cárcere privado.

Um representante do Conselho Tutelar de Imbituva, que preferiu não gravar entrevista, conversou com a reportagem da Najuá e revelou que, quando os carros do Conselho Tutelar e da Polícia Civil chegaram para vistoriar a casa, era possível ver, da rua, que a madrasta se dirigiu até a edícula para liberar as crianças. No ato, o pai das crianças teria admitido que costumava trancá-los nessa peça quando se ausentava de casa, por segurança.

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O local apontado como cárcere privado dos irmãos possui instalações elétricas, mas estava sem lâmpadas, e havia um chuveiro colado com cola Super Bonder. Ainda de acordo com o Conselho Tutelar, as crianças também seriam vítimas de agressões físicas, verbais (xingamentos) e psicológicas (pressão por ótimo desempenho escolar, sob pena de castigos).

Outro lado

De acordo com o advogado do casal, Fernando Madureira, esse “regime disciplinar” a que as crianças eram submetidas começou há menos de um ano, e não há cinco anos, como afirma a polícia. “Esse sistema de educação um pouco mais rígida começou porque um dos filhos mais velhos da acusada estava envolvido com drogas e ela estava preocupada e eles adotaram esse sistema mais firme. Mas longe do que foi aventado pela imprensa, de que eles não tinham lazer, não saíam e tomavam banho frio, isso não procede”, defende Madureira.

O advogado justifica a postura adotada pelo casal como uma “disciplina regular” para evitar que os irmãos também viessem a se envolver com drogas, como o filho mais velho da madrasta.

Segundo o advogado, as crianças permaneciam nesse cômodo apenas durante a parte do dia que dedicavam para resolver as tarefas escolares, mas admite que, ocasionalmente, elas dormiam ali, ainda que não fizesse parte de uma rotina e fosse uma condição excepcional. “Mas a maior parte do tempo era na casa principal, junto com os pais”, acrescenta.

Conselho Tutelar contesta

O Conselho Tutelar refuta o argumento da defesa e diz que essa “segurança” poderia ser provida às crianças na própria casa, não nessa peça a parte. Segundo o Conselho Tutelar, os dois filhos mais velhos da madrasta das crianças moram e estudam em Curitiba e, na verdade, o filho que teve envolvimento com drogas é irmão das crianças, filho do primeiro casamento do pastor, e que há dois anos vive com a avó, diferente do que afirma o advogado.

O casal foi detido

Os dois irmãos foram encaminhados a um abrigo. O pastor e a esposa seguem presos em Ponta Grossa. A defesa vai entrar com o pedido de habeas corpus para que ambos respondam ao processo em liberdade.

A definição sobre a guarda dos menores correrá num processo paralelo movido na Vara da Infância e Juventude, que vai apurar se as crianças estavam em situação de risco e se é o caso de destituição de pátrio poder.


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