Irati e Região / Notícias

14/02/17 - 01h39 - atualizada em 16/02/17 às 09h23

Pela segunda vez consecutiva, Irati decide cancelar carnaval de rua

Município decidiu priorizar o investimento em saúde, adequação de ruas e de estradas do interior

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava e Rodrigo Zub

Bateria Tobias Leandro durante carnaval de rua realizado em 2014
Visando contenção de despesas, a Prefeitura de Irati resolveu cancelar a realização do carnaval de rua. A medida já foi adotada no ano passado, pelo ex-prefeito Odilon Burgath, que redirecionou os R$ 100 mil que seriam aplicados no evento para a primeira de oito etapas do projeto para impedir alagamentos da região do Rio das Antas e de seus afluentes.

Dessa vez, o prefeito Jorge Derbli (PSDB) justifica o cancelamento por tomar como prioridade a saúde e a manutenção de ruas do perímetro urbano e de estradas rurais. Novamente, a contenção de despesas diante da crise econômica em escala nacional entra em pauta.

Derbli reafirma que a Prefeitura de Irati está com pouco dinheiro em caixa e que é necessário rebalancear as contas. Ao mesmo tempo, ele reconhece a importância do carnaval como evento cultural e lamenta não poder corresponder às expectativas dos que aguardavam pela realização das festividades. “Muitas das prefeituras da região, pelo que estou sabendo, não farão carnaval; grandes cidades também não farão, para contenção de gastos”, acrescenta o prefeito de Irati.

Integrante da Bateria Tobias Leandro- responsável por animar o carnaval iratiense
Os recursos que seriam aplicados no carnaval já estão sendo utilizados na manutenção de equipamentos do pátio da Prefeitura. “A necessidade e prioridade hoje são as estradas rurais, principalmente na questão do transporte escolar. Temos muita estrada rural para arrumarmos, muito encalhador, enfim. Estamos recuperando patrolas, rolos, pás carregadeiras, que estavam parados há muito tempo. Este dinheiro já está sendo usado na recuperação desse equipamento. Além do transporte escolar, já estamos entrando, no mês que vem, na colheita da safra de soja”, afirma.

O prefeito Derbli, ainda que sem um levantamento oficial de custos, diz que o cancelamento do carnaval representa uma economia de aproximadamente R$ 100 a R$ 150 mil.

Resta ao iratiense a opção pelos tradicionais carnavais de salão, nos clubes. “Não vai faltar alternativa para o nosso povo. Quem quiser pular o carnaval, vai ficar à vontade nos clubes. Só o carnaval de rua que realmente não vai acontecer”, diz.

Derbli prometeu empenhar esforços ao longo deste ano na busca de recursos junto ao Ministério do Turismo para a realização do carnaval em 2018, de forma bem programada, a fim de compensar o cancelamento deste ano.

Outros municípios adotam medidas parecidas

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Em Ponta Grossa, no início de janeiro, a Fundação Municipal de Cultura cortou a verba que encaminharia à Liga Cultural das Organizações Carnavalescas de Ponta Grossa. Cada uma das cinco escolas receberia R$ 12 mil para auxiliar nas despesas. Mesmo assim, como as escolas de samba já tinham comprado o material e iniciado a confecção de fantasias e alegorias, a Liga decidiu manter o desfile, mesmo que de forma reduzida e conta com a solidariedade da população e de empresários e esperam arrecadar R$ 20 mil. O município de Ponta Grossa alegou que a realização do carnaval envolveria o montante de R$ 300 mil, contando com a verba das escolas de samba e a estrutura envolvida no desfile.

Em Curitiba, o carnaval também sofreu redução de investimento. A Fundação Cultural de Curitiba possui uma dívida de R$ 2,3 milhões e reduziu o repasse às escolas de samba. O total a ser investido no carnaval – escolas e estrutura – será de R$ 539 mil.

Cada uma das cinco escolas de samba do grupo especial (grupo A) vai receber R$ 30 mil – até o ano passado, cada uma recebia R$ 60 mil. O investimento nas três escolas de samba do grupo de acesso (grupo B) caiu em 60% - cada uma recebia R$ 30 mil e passa a receber R$ 18 mil.

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Outra baixa no Carnaval em Curitiba foi o cancelamento do Pré-Carnaval Eletrônico, com os DJs Alok, Bhaskar, Sevenn e Liu, que ocorreria no último domingo (5), na Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico. No entanto, a razão alegada foi segurança: o evento coincidiria com a partida entre Coritiba e Paraná, pelo Campeonato Paranaense, e não haveria efetivo policial suficiente para a segurança dos dois eventos.

Neste domingo (12), Garibaldis e Sacis dividiram o trio elétrico com o Monobloco e agitaram o pré-carnaval curitibano, na Avenida Marechal Deodoro. O bloco tem 17 anos de tradição e, em janeiro, a Prefeitura de Curitiba anunciou o cancelamento de todo o pré-carnaval, que envolvia o Carnaval Eletrônico e o desfile do bloco Garibaldis e Sacis, que foi garantido com patrocínios.


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