Opinião / Notícias

22/03/16 - 11h53 - atualizada em 31/03/16 às 20h14

Como sair da crise?

Diferente das ditaduras atuais, reação da sociedade brasileira tende a consolidar a democracia

Jussara Harmuch

Usando o termo creditado ao próprio protagonista dos acontecimentos que estão em ebulição, depois do Mensalão e da Operação Lava Jato, o futuro e ex-ministro Lula, “nunca antes neste país” se viu uma ação tão eficiente que não acabasse em pizza e, por isso, desperta reação da sociedade. Muito diferente da época da Ditadura, não há relatos de tortura em depoimentos e censura às manifestações. É preferível ter uma sociedade barulhenta do que alienada. Dizer que se a economia estivesse estável o povo não estaria nas ruas contra a corrupção é apostar na despolitização que prejudica a estabilidade. Lembrando que Política (interesse à causa pública) é diferente de politicagem (interesse partidário e particular).

Mas ficar “de boa” na unanimidade é tranquilo o desafio é ter a cabeça fria em meio à adversidade. A sociedade é impulsionada a se manifestar diante das notícias. Blogues, meios de comunicação convencionais e redes sociais disseminam fatos e versões. Com a avalanche de informação é inevitável que muitos deixem transparecer tendências pró ou contra o governo.

Na rua ecoam gritos de ordem, de um lado “quem não pular é do PT” e de outro, “Não vai ter golpe”. Frases proferidas, em grande parte, na superficialidade e clamor do momento. Há um “caça às bruxas ao PT”. Apesar do descontentamento de uma ala do partido, como de Olívio Dutra que chegou a chorar em entrevista à Globo News, a impressão é que vai ser difícil o partido se reerguer. Já os descontentes com a divulgação de fatos decorrentes da Lava Jato acusam a mídia de golpista, mas esquecem que a mesma classificação pode servir à propaganda enganosa da campanha eleitoral e a geração de medidas de incentivos e desonerações que levaram ao desequilíbrio fiscal.

A divulgação dos grampos marcou ainda mais este divisor. Um grupo moderado passou a se afinar com as arguições do Planalto que atribuem culpa ao juiz Moro por incitar a revolta. Na mesma linha, a nomeação às pressas de Lula como ministro e a ameça de destituição da diretoria da Polícia Federal levaram mais pessoas aos protestos. São inúmeros fatos e versões que levam afirmações diferenciadas aos chamados “eleitores de Aécio e do PT”.

Diante da polarização, é preciso que os meios e as organizações de interesse social alimentem a discussão com responsabilidade. O conflito contribui para encontrar soluções duradouras muito mais do que a unanimidade desde que seja garantida voz a todos. Serenidade e tolerância são fatores essenciais para consolidar a democracia e só com o diálogo se consegue isso. Atos taxativos estigmatizam classes, personalidades e até mesmo pessoas comuns que ousam duvidar.

Assim como o ator Wagner Moura desabafa: “Não consigo mais conversar com meus amigos anti-PT”, outros casos repercutiram com a mesma intolerância. O recente protesto dos professores estaduais do Paraná, relacionado ao governo administrado por outro partido, o PSDB. Mesmo discordando da investida policial contra os manifestantes e oportunizado a divulgação da pauta do sindicato, as menções sobre as justificativas econômicas do secretário da Fazenda foram taxadas como “contra a Educação”. Outro fato a lembrar foi uma ação pela internet que chegou a instigar a população a boicotar o comércio de “considerados não apoiadores à investigação sobre a desapropriação de um terreno pelo município”.


A intimidação, seja qual forma e causa, é abominável!

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