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10/02/14 - 08h40 - atualizada em 10/02/14 às 23h35

Engana que eu gosto

Dagoberto Waydzik


A mídia do governo propala na grande imprensa que o Brasil está em franco desenvolvimento. Será?

Se o cidadão comum, como a maioria, gasta todo o suado dinheiro que ganhou no mês e, não sobrou nada para guardar é evidente que não houve enriquecimento. Porém, se no final do mês, no saldo de sua conta bancária houve uma sobra de alguns mil reais, que seja, ou mesmo se reduzida à zero a conta e, ocorreram investimentos, em ações ou compra de imóvel, aí sim houve enriquecimento. Essa sobra, ou investimento, pode ser entendido como poupança, e poupança, não o consumo, é o verdadeiro indicativo se houve enriquecimento.

Um país é rico quando tem poupança. É a nação investe em tecnologias, em bens e serviços e isso é resultado de poupança. O que certamente o Brasil não tem! Temos apagões, mazelas na saúde, educação precária e falta de infraestrutura, até falha na distribuição de água.

Para haver um crescimento real é necessário utilizar a fórmula: produção, que gera poupança, que gera investimento, que gera avanço tecnológico, que é igual a aumento de produção. Isso é desenvolvimento!

O alto consumo com crédito fácil gera endividamento e, logo, logo: insolvência. O devedor não terá como quitar suas dívidas, seja ela com automóveis ou produtos da linha branca, eletrodomésticos, hoje quase descartáveis. Pura politicagem eleitoreira. São necessárias as apelativas as propagandas de Bancos públicos, concessionárias de serviços públicos, como de água, luz, petróleo e até de prefeituras. Por que isso? Ufanismo barato e perdulário. Ilusão ao povo para dizer que as coisas vão bem.

O governo federal supervaloriza o consumo na tentativa de acelerar o processo de crescimento econômico, levando o cidadão a erro, no sentido de que somente comprar não faz com que, no futuro tenha um recurso para sua velhice ou uma doença.

A infraestrutura, precária, com apagões reincidentes. Muito devido a redução do valor da conta de energia elétrica, incentivando o alto consumo e buscando a boa vontade popular. Falta de água constante em todo Paraná. E, até pouco tempo a Sanepar fazendo propaganda como estivesse tudo bem. Lamentável.

A baixa poupança interna e o alto gasto público do governo federal, tudo isso resulta num crescente endividamento dos cidadãos e do Brasil, cujo déficit de caixa ultrapassa a dois trilhões de reais.

A médio e longo prazo pode-se vislumbrar uma possível tragédia para a economia. A pobre poupança será usada para pagamento da excessiva dívida pública. Em curto prazo é uma ótima estratégia dos detentores do poder, no afã de vencer as próximas eleições, custe o que custar.

O que o governo busca é dar ao povo uma falsa sensação de bem estar e enriquecimento, embora favoreça setores da economia ligados ao consumo, como o importante setor varejista. E as empresas, dessa esfera, por necessidade, tornam-se defensoras do governo.

Porém, quando o endividamento público chegar a nível insustentável, nem mesmo setor varejista crescerá mais.

O modelo econômico precisa ser repensado. O povo precisa colocar a cabeça no lugar e refletir muito antes de votar numa eleição. Porém, principalmente, precisa participar do processo político. Direta ou indiretamente. Não adianta só reclamar, pois os “espertos politiqueiros” sempre aproveitarão essa inércia da população e possivelmente lograrão êxito nos sufrágios. É lamentável quando muitas pessoas dizem que a Política não presta. Que todo político é corrupto. Não se pode generalizar, mas principalmente, o que não se pode é deixar de vigiar, participar e cobrar dos que estão no poder.

“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam.” (Platão – filósofo grego, 427 a.C. - 347 a.C.)

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