Opinião / Notícias

17/12/15 - 01h21 - atualizada em 17/12/15 às 09h14

Os alagamentos e a consciência sobre o uso adequado do solo

Política x Educação
Jussara Harmuch


Na sessão da Câmara de Irati desta semana os representantes da Comissão Municipal de Proteção e Defesa Civil, Capitão Élcio José Meira e a funcionária pública Rozenilda Romaniw Bárbara apresentaram o relatório das atividades desenvolvidas na Semana Municipal de Conscientização de Prevenção contra Desastres Naturais e Ocupação Urbana de Irati, de iniciativa do legislativo.

A exposição mostrou que os problemas com os alagamentos estão cada vez maiores e o momento já é crítico. O relatório apontou para a necessidade de uma atuação regulatória de gestores públicos e para a criação de um sistema de repasse de conteúdo ambiental e de prevenção de desastres nas escolas visando formação de adultos mais conscientes.

Conter a água que hoje invade ruas e casas em Irati é caso de urgência, mas como foi explicado, não é simplesmente trocar manilhas e criar um novo canal extravasor porque o problema não está em um único local, em uma única rua, está por toda parte. A cidade se desenvolveu em uma região cercada por morros, as águas que deságuam nas partes baixas são resultado do comprometimento do solo nas partes altas. Nas palavras de Rozenilda “Precisamos parar de olhar a paisagem pela janela e considerar o todo”.

De um lado do morro, na BR 153, loteamentos se expandiram sem um planejamento de contensão da água das chuvas. No outro lado, na BR 277, o manejo inadequado do solo na agricultura causa erosão e forma valetas nas estradas rurais.  A conseqüência é água que desce e arrasta terra para o centro da cidade e Vila Nova. 

Nos últimos 10 anos acompanhei o crescimento do loteamento Van Der Neut na estrada do Camacuã. Aos poucos, áreas que deveriam permanecer vazias foram invadidas assim como as margens do córrego que divide a propriedade com a área rural.  Os lotes foram subdivididos e habitações fora dos padrões de segurança foram instaladas. O que fez a administração pública? “Vista grossa”. As irregularidades só aumentaram. Existe uma concepção de que a rigidez na fiscalização desagrada o cidadão e gera um desgaste político. 

Eu vejo que as pessoas não se sentem tocadas diante deste cenário e ficam procurando culpados jogando a responsabilidade sempre para o outro. Uma consciência crítica sabe identificar responsabilidades, mas é preciso também olhar para dentro de si e ensinar pelo exemplo. 

Um plano emergencial de socorro às vítimas tem de ser elaborado. A Defesa Civil é composta de voluntários e uma força muito grande tem de ser montada para agir nas situações de calamidade. Seja você também um voluntário e cadastre-se. Informações na Rádio Najuá, 3421-3350.



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