Opinião / Notícias

11/08/15 - 12h41 - atualizada em 11/08/15 às 14h50

Salvem-se quem puder nesta selva

Instantaneidade em manifestações através de redes sociais revela lado perverso do ser humano
Jussara Harmuch


O mundo ganhou muito com a internet. Uma série de ações teve incremento a partir do uso de computadores ligado à web. Administrar, interagir com colaboradores e disseminar informações ficou muito mais fácil de fazer e a uma velocidade que chega ser além dos limites do ser humano.

Alimentada para dispor livre acesso às informações que existem sobre qualquer assunto, cada vez mais é usada como ferramenta de trabalho e pesquisa. Hoje, graças à internet vemos mais transparência nas instituições do que em uma década atrás e também muito mais pessoas se interessam sobre assuntos públicos e tudo que é notícia.

O ambiente online permite ao cidadão se aprofundar a respeito de um assunto -reservada às proporções conforme a especialidade- e serve de base para ampliar discussões que podem melhorar a vida em sociedade. No entanto, o que vemos nas redes sociais é o uso massivo, abusivo deste veículo para agredir uns aos outros numa completa descompostura e irresponsabilidade. Uma enxurrada de ofensas de todos os lados e sem o menor pudor são proferidas contra qualquer um que ouse manifestar pensamento contrário ao que uma “certa maioria de sabichões” quer fazer valer a qualquer custo.

Não se trata de deep web –a parte obscura da internet que somente algumas pessoas têm acesso-, mas das opiniões de internautas que lançam comentários rudes, incitando outros que se deixam levar pelo ímpeto e os seguem. E ai daquele que discorde. Não fosse virtual, poderia se comparar a um apedrejamento de uma pecadora na época de Cristo ou a linchamentos instigados por justiceiros que querem resolver com as próprias mãos.

Esta “selva” que as redes sociais se transformaram com ataques políticos e afrontes a jornalistas e aos que defendem pontos de vistas diferentes não tem nada a ver com crítica, debate e democracia. Pelo contrário, provoca inibição na manifestação do pensamento porque as pessoas andam com medo de expor suas opiniões. No caso dos políticos, pior, evitam exposição sobre temas polêmicos para não comprometer parte do eleitorado.

Há também uma falta de respeito com autoridades. Muitos dos que defendem a continuidade do voto obrigatório se voltam agora contra a presidente eleita há menos de um ano. Pergunto aos que votaram nela, no que se pautaram?

O lado subliminar é que esta “luta”  é de povo contra povo. Entre os que defendem pena de morte, aborto e inúmeros outros temas polêmicos e os contrários a estes, enquanto os mais abastados, os políticos, se prevalecem quando algo lhes é favorável. Neste vácuo não existe respeito, não existe normas, salvem-se quem puder.

Resta saber que tipo de entendimento temos sobre o que é democracia? É a vontade popular, decidida pela maioria simplesmente, ou a garantia das condições sociais e institucionais que nos dão liberdade? 


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