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01/05/17 - 21h52 - atualizada em 01/05/17 às 22h02

Campanha visa prevenir acidentes de trabalho

No Paraná, acidentes e doenças de trabalho correspondem a 7,76% das registradas em todo o Brasil; as mortes são 8,21% e acidentes que causam invalidez, 8,66%

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Henrique Sava e informações AEN 

Campanha realizada durante o mês de abril alertou para necessidade de prevenir acidentes de trabalho
Com a finalidade de alertar para a necessidade de reduzir o número de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, foi lançada, no mês de abril, a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho – Canpat 2017. 

“Em primeiro lugar, nossa preocupação é promover o debate e transmitir a informação, pois nem sempre a questão do acidente de trabalho é considerada como de grande relevância. Mas quando passamos a analisar os números dos acidentes de trabalho, vemos que a preocupação precisa ser muito maior do que aquela demonstrada”, cita o secretário estadual de Justiça, Trabalho e Direitos Humanos, deputado Artagão Júnior. 

Dados da Previdência Social apontam que, no Paraná, ocorrem, anualmente, 55,1 mil casos de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho, o que corresponde a 7,76% do total registrado no Brasil no mesmo período: 710 mil. O Paraná também computa anualmente 8,21% dos óbitos resultantes de acidentes de trabalho: 230 entre os 2,8 mil do Brasil. Uma morte a cada 38 horas de trabalho no Paraná. A taxa é ainda maior quando o assunto é invalidez: 8,66%. Dos 15 mil casos confirmados por ano no Brasil, 1,3 mil ocorrem no Paraná. Um afastamento por invalidez a cada seis horas de trabalho no Paraná.

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Por isso, a Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos, junto à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério Público Federal do Trabalho, o Tribunal Regional do Trabalho e o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) resolveram abraçar a causa.  

A campanha, que acontece todos os anos, traz como tema “Conhecer para Prevenir” e quer combater, essencialmente, os acidentes de trânsito e doenças mentais desencadeadas por situações de estresse no ambiente de trabalho. Os motoristas de caminhão são vítimas de 15% das mortes ocorridas no trabalho. O setor ocupa o primeiro lugar em número de óbitos e o segundo em incapacidades permanentes. Além disso, a depressão afeta a 49% dos trabalhadores, de todas as categorias, que precisam ser afastados do trabalho por doenças. 

Os transtornos mentais – como depressão e ansiedade – já respondem por 18 mil casos de afastamento do trabalho, segundo Artagão. A preocupação nesse sentido cresce na medida em que o período de afastamento é bem mais prolongado para tratamentos psicológicos que para o restabelecimento de um trabalhador acidentado, por exemplo. 

“Todos esses acidentes de trabalho significam a perda de 7 milhões de dias de trabalho por ano. Imagina o prejuízo social, econômico e produtivo do setor empresarial. E não podemos esquecer do aspecto social: uma vida que se perde, uma debilidade provocada, uma invalidez provocada tem efeitos sociais, familiares e humanos que não podem ser mensurados. A tristeza, a dificuldade de convivência, a dificuldade de sustentação; todos esses aspectos trazem sequelas ao longo de muitos anos, que não tem como ser mensuradas do ponto de vista financeiro, mas provocam danos que precisam ser evitados”, diz. 

Impacto financeiro 

“Quando falamos em morte e invalidez, nós trazemos também reflexos econômicos: R$ 11 bilhões são gastos anualmente só na Previdência Social com pensões e aposentadorias por morte e invalidez. Se levarmos em consideração os tratamentos de saúde, a perda de produtividade, as indenizações que são geradas, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) diz que esses valores podem chegar a 4% do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, R$ 200 bilhões, por ano, em despesas relativas ao acidente de trabalho”, comenta.

Objetivo da campanha

O objetivo da campanha é sensibilizar tanto os sindicatos de trabalhadores quanto os sindicatos patronais e demais agentes, inclusive o poder público, frente à causa. O primeiro Seminário Internacional de Saúde e Segurança do Trabalho, numa promoção do Programa Trabalho Seguro, do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), foi promovido na semana passada. 

No dia 28 de abril foi comemorado o Dia Mundial de Segurança e Saúde e Trabalho e, por isso, o mês foi escolhido no Brasil para uma abordagem mais intensa sobre a questão. A data foi escolhida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em homenagem aos 78 trabalhadores que morreram em explosão de uma mina, nos Estados Unidos, em 28 de abril de 1969. No Brasil, o dia 28 de abril é também o Dia Nacional em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho. 

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