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08/09/18 - 13h16 - atualizada em 08/09/18 às 13h22

Agricultor familiar de Irati lança candidatura a deputado federal

Gelson de Paula fará dobradinha com o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), candidato à reeleição

Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub 

Gelson de Paula concorre a uma vaga na Câmara Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT)

O interior de Irati tem um candidato a deputado federal: o agricultor familiar Gelson de Paula, de Arroio Grande, é candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O postulante a uma vaga na Câmara Federal fará dobradinha com o também petista Tadeu Veneri, candidato a deputado estadual. 

Entre as motivações de Gelson para pleitear uma cadeira no Congresso, está o desejo de “denunciar várias injustiças cometidas contra agricultores familiares, professores e outras classes de trabalhadores”. “Vendo a situação atual da agricultura familiar, na qual me enquadro, está cada vez pior, estamos sem políticas públicas, sem recursos e cada vez mais a agricultura familiar está com dificuldades de se fortalecer e de os agricultores se manterem nas propriedades produzindo alimento com qualidade de vida”, defende. 

Ouça a entrevista completa com Gelson no fim do texto

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Gelson destaca que o agricultor familiar produz 70% do alimento que vai para a mesa do brasileiro e gera 77% dos empregos no campo e que é a base da economia de 90% dos municípios brasileiros. Por isso ele acredita que precisa haver um representante dos agricultores familiares na Câmara dos Deputados. 

"Tem ainda a agroecologia, que está dentro da agricultura familiar, que é rica em tecnologias sociais e saberes tradicionais. A produção agroecológica é diversificada, enriquece o solo e garante segurança alimentar e nutricional para várias famílias do campo e na cidade. Por isso, várias propostas que defenderei são projetos para a diversificação da agricultura, educação no campo, agroecologia, geração de renda para agricultores, fortalecimento das organizações populares – como associações, cooperativas, movimentos sociais; fortalecimento das entidades assistenciais – como asilos, orfanatos e hospitais; a educação alimentar, que precisa ser tratada com carinho. Hoje se fala muito das doenças, mas não se sabe de onde elas vêm. Existem muitos estudos que mostram que a má alimentação é uma das causas que mais gera doenças”, diz. 

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Para o candidato, a garantia de segurança alimentar e o apoio ao agricultor para produzir alimentos de qualidade podem, inclusive, reduzir a necessidade de investimentos em saúde. Segundo ele, não adianta apenas adquirir ambulâncias se não houver uma política efetiva para combater as causas das doenças – e ele aponta o consumo excessivo de alimentos processados, industrializados ou com agrotóxicos como uma dessas causas. 

Gelson defende a retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que beneficia tanto o agricultor familiar como os alunos da rede pública de ensino e as entidades, com o fornecimento de produtos de qualidade, e defende que seja aumentado o valor de compra pelos entes da administração pública. “Temos que lutar contra a terceirização da alimentação escolar e garantir que tenha mais alimentos produzidos pela agricultura familiar nas escolas e entidades. Buscar apoio ao cooperativismo e fazer com que os agricultores se organizem para garantir a produção e ter a comercialização mais fácil de seus alimentos. Quero também buscar facilitar o acesso às políticas públicas de apoio à comercialização institucional e solidária, como cestas e feiras”, afirma o agricultor, que também defende a preservação do trabalho dos povos tradicionais, como os indígenas e os faxinalenses. 

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Programa de Aquisição de Alimentos 

Em 2017, Gelson foi inocentado da acusação de desvio de recursos públicos do PAA. Ele chegou a permanecer 48 dias preso, em 2013, depois que o Ministério Público (MP) apresentou denúncia com esse teor. Na ocasião da prisão, ele presidia a Associação dos Grupos de Agricultura Ecológica São Francisco de Assis e desempenhava um cargo comissionado na Secretaria Municipal de Ecologia e Meio Ambiente, do qual foi exonerado. 

Na época, a Polícia Federal prendeu 11 pessoas que foram acusadas de participar de um esquema de desvio de recursos do Programa Fome Zero, criado para aumentar a renda no campo e garantir a compra de produtos da agricultura familiar. Segundo a denúncia do MP, na teoria, os produtores receberiam o dinheiro, mas na prática, parte da verba ficava com os funcionários da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

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Gelson relembra que, depois de 15 anos trabalhando na produção de fumo, resolveu redirecionar sua atividade para o ramo da agricultura familiar. “Comecei a trabalhar com a agroecologia, com a organização de grupos de agricultores agroecológicos. A seguir, me envolvi com uma ONG chamada Instituto Equipe de Educadores Populares (IEEP), que ajudava a organizar os agricultores familiares, a produção de alimentos, a organizar e facilitar o acesso aos programas de comercialização que existiam na época. Em seguida, criamos a Associação Assis – Associação de Agricultura Ecológica São Francisco de Assis – que abrange vários municípios da região de Irati. Desde 2003, começamos a executar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Foi um dos primeiros programas de compra direta do agricultor familiar, e executamos um dos primeiros projetos, em nível de Brasil, de alimentos agroecológicos; antes não tinha essa diversidade de alimentos dentro dos editais”, relembra. 

De cerca de cinco a dez famílias participantes do programa em 2003, dez anos depois esse número saltou para 120. “O público nosso, os associados, a grande maioria eram produtores de fumo, que estavam cansados do trabalho do fumo, da lida da fumicultura e queriam uma alternativa. Aí apareceu a produção de alimentos e o Programa de Aquisição de Alimentos como forma de comercialização. Várias famílias conseguiram largar da cultura do fumo, produzir alimentos e começar a comercializar através dos programas que existiam na época”, diz. 

A Operação Agro-Fantasma, da Polícia Federal, em 2013, gerou um transtorno muito grande para as cooperativas, para as associações e para as entidades que recebiam os alimentos, segundo Gelson. As associações produziam e entregavam os alimentos diretamente nas escolas e entidades e o governo pagava aos produtores, através do PAA. “Com isso, garantíamos renda aos agricultores, segurança alimentar para eles e para mais 5 mil pessoas, entre alunos, merendeiras e todo o pessoal que faz parte de creches, escolas e entidades assistenciais. A Operação Agro-Fantasma tinha o objetivo de prejudicar o programa, tanto que, dois anos depois, fomos inocentados”, critica o candidato a deputado federal. 

Segundo ele, depois da Operação da PF, muitos dos produtores que tinham mudado de vida através do Programa de Aquisição de Alimentos tiveram suas situações revertidas e retornaram à produção do fumo. “A produção de alimentos tem muito pouco incentivo, muito pouco apoio, e a cultura do fumo está segurando muitas famílias no meio rural”, afirma. 

“As pessoas que acham que havia coisa errada no programa; não havia nada de errado. Foi coisa planejada, uma atitude da nossa Justiça, que muitas vezes condena antes de investigar ou de saber da verdade. Tem a mão do Sérgio Moro nisso também, pois foi uma operação planejada por ele, que fez todo esse estrago, que não foi só aqui na região de Irati”, opina. 

Campanha 

Gelson fala que, na condição de agricultor familiar, possui poucos recursos de divulgação de suas propostas, mas que aceitou o desafio de se candidatar a deputado federal incentivado pelos seus companheiros. “É uma campanha de agricultores. Peço o apoio dos agricultores familiares, principalmente, porque o agricultor familiar precisa ter alguém que brigue por eles. Muitas vezes, o agricultor familiar apoia o voto para alguém ou da bancada ruralista ou que vai defender o agronegócio, que não defende as políticas públicas para o agricultor familiar. Não vamos conseguir chegar em todas as casas, em todas as comunidades, mas minha campanha é essa”, diz.

Confira o áudio da entrevista completa com Gelson de Paula

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