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31/12/17 - 09h23 - atualizada em 31/12/17 às 09h36

Derbli fecha primeiro ano de mandato com R$ 2 milhões em débitos pendentes

Os R$ 2 milhões são de restos a pagar referentes à gestão anterior. Prefeitura iniciou ano com déficit de R$ 6,5 milhões

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Ao fim do primeiro exercício financeiro do mandato, o prefeito de Irati, Jorge Derbli (PSDB), avalia o primeiro ano de gestão, considerado por muitos dos prefeitos como o mais desafiador, justamente por ser um ano em que é necessário administrar o orçamento determinado pelo ex-gestor com os recursos deixados por ele.

“Pegamos a Prefeitura com um déficit, um caixa sem dinheiro, com dívidas da administração, o que é normal, na situação que se encontra hoje o país. Pagamos muitas contas do ano de 2016 e ainda restam a pagar em torno de R$ 2 milhões, do ano passado, porque ainda não conseguimos pagar tudo. A arrecadação se manteve e a despesa sempre aumenta, como combustíveis, salários de funcionários, muita coisa aumentou”, detalha o prefeito.

Derbli ressalta que, com o caixa da Prefeitura, foi possível realizar todos os pagamentos ao funcionalismo, inclusive do 13º salário, no último dia 11, e da folha de pagamento no dia 20. “Alguns fornecedores, infelizmente, vão ficar para janeiro. Não conseguimos quitar tudo, mas sempre fica uma dívida de um ano para outro. A arrecadação sempre diminui ao final do ano; mas é sempre normal, está dentro dos padrões normais”, avalia o chefe do Executivo.

Um dos maiores escoadores de recursos, segundo o prefeito, foi a necessidade de investir maciçamente em reparos nas máquinas do Pátio da Secretaria de Obras, como as motoniveladoras (patrolas) e escavadeiras. “Enfim, vários custos adicionais que tivemos, mas está normal, dentro do tolerável perante os órgãos de fiscalização [como o Tribunal de Contas do Estado, o TCE]”, enfatiza.

O resultado desse primeiro ano contraria as expectativas que Derbli possuía. “Sinceramente, para a primeira vez que sou prefeito, achava que, em pouco tempo, resolveríamos muita coisa. Mas infelizmente o Poder Público é diferente de nossa empresa, da iniciativa privada. Demorou um pouco, as coisas demoram, a parte burocrática amarra. Entendi, eu já sabia, mas agora fiquei certo de que as coisas funcionam assim: o que se consegue num ano, em emendas parlamentares e projetos, tudo acontece no ano seguinte”, pontua.

Por outro lado, com o que foi obtido e preparado para 2018, em termos de projetos e emendas, Derbli espera compensar não apenas o que deixou de ser realizado em 2017, como também adiantar os dois anos seguintes. “Muita coisa foi feita em projetos, em pedidos de emendas e emendas que vão acontecer. Mas tenho a certeza de que tudo o que foi programado para acontecer em 2018, nós já teremos a administração dos quatro anos completa. Muita coisa foi pedida, foi solicitada. Não consegui quase nenhuma liberação em 2017. E também estou trabalhando com o orçamento do ano passado. Para 2018, elaboramos um orçamento para começar uma administração dentro do que planejamos”, enaltece o gestor.

No final desta reportagem, você pode ouvir um resumo da entrevista com o prefeito Jorge Derbli.

Derbli encerra 1º ano de sua administração em Irati com um déficit de R$ 2 milhões no caixa da Prefeitura

Retomada de obras

Derbli já é o terceiro prefeito desde que algumas obras em Irati foram paralisadas. Boa parte da tônica de sua campanha eleitoral era baseada, inclusive, no desafio de retomá-las e concluí-las. Duas das que obtiveram sinalização positiva ao longo deste ano são a recuperação da estrada que liga a sede do município ao distrito de Gonçalves Júnior e o Centro da Juventude Nagib Harmuche, que paralisou há cinco anos, próxima de sua conclusão. Foram assinados os convênios junto ao Governo do Estado para que ambas sejam concluídas.

“A estrada de Gonçalves Júnior, nós iniciamos e fizemos uma pequena recuperação esse ano. Foi feito o recapeamento, tapados alguns buracos. Foi feita uma melhoria nela, mas não da forma como eu queria. Conversando com o secretário [de Infraestrutura e Logística] Pepe Richa, na Festa do Pêssego, ele nos garantiu – e nós já assinamos – um convênio de R$ 2,2 milhões. Ainda não está liberado o dinheiro, mas já está assinado o convênio, para ser liberado no início do ano, acredito que até fevereiro ou março, para fazermos uma recuperação definitiva”, anuncia o prefeito. As obras devem incluir também a pavimentação em parte dos distritos de Gonçalves Júnior, Rio do Couro e Cerro da Ponte Alta.

“O Centro da Juventude é uma obra que está paralisada há quase cinco anos, infelizmente. Puseram fogo e quebraram vidros, um grande caos, uma depredação naquela obra. Uma judiação, para falar a verdade”, lamenta. Se antes eram necessários R$ 300 mil para finalizar a obra, hoje não sai por menos de R$ 1,4 milhão. “A Prefeitura vai ter que dispor do próprio caixa R$ 700 mil de contrapartida”, acrescenta Derbli.

O prefeito elenca outras obras paralisadas, como o Ginásio de Esportes José Richa, que estava orçado entre R$ 6 milhões a R$ 7 milhões na época do início da obra. “A Prefeitura fez um financiamento, utilizou em torno de R$ 3 milhões; os outros três, não utilizou. A obra foi para a Justiça, por questão de execução, pois a obra não foi bem feira; houve erro de projeto, de execução e fiscalização. Foi para a Justiça porque a empreiteira quer receber um valor e a Prefeitura quer pagar outro, a obra parou e isso que travou a Prefeitura, o Ginásio de Esportes, porque de R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões, agora vamos gastar R$ 5 milhões para terminar aquele Ginásio de Esportes”, afirma.

Aterro Sanitário

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Ministério Público estenderam até 31 de maio de 2018 o prazo para que o município de Irati desative o aterro sanitário do Pinho de Cima, em operação desde 1999. O prazo estipulado anteriormente, no final de junho, era de 180 dias. Portanto, encerraria agora em dezembro. O município de Irati gera cerca de toneladas diárias de resíduos sólidos e o espaço existente hoje já não é mais suficiente.

Derbli aponta que a situação do aterro sanitário – considerado um “aterro controlado” – já se arrasta há alguns anos, sem solução, e sua desativação já foi prorrogada algumas vezes. “Sei que os ex-prefeitos trabalhar, tentaram, alguns melhoraram o aterro, mas não se chegou a uma definição final”, diz.

O prefeito ressalta que o terreno usado pelo aterro municipal ainda sequer é, oficialmente, da Prefeitura, devido aos entraves burocráticos, como a falta de escritura. É um terreno particular de uma empresa que fez uma permuta com a prefeitura. A transferência do terreno não foi oficializada e, agora, o terreno foi penhorado devido a pendências judiciais da empresa proprietária.

“Os promotores do MP fizeram oito denúncias contra o município de Irati a partir de 2013. O município tinha que ter tomado alguma providência. O IAP também fez algumas notificações e agora, recentemente, eu recebi a última notificação e um embargo, que não pode mais colocar lixo no aterro do Pinho. Tem problemas, como uma séria infiltração de chorume. A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) fez um estudo de que o chorume está contaminando o lençol freático, inclusive, da água que vai para Imbituva”, expõe Derbli.

O prefeito assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o município e o MP para que o aterro seja desativado definitivamente até o dia 31 de maio de 2018. Se descumprido o prazo, a prefeitura terá que arcar com uma multa diária de R$ 10 mil. “A solução, de imediato, é fazer um transbordo, assim como Inácio Martins, Rio Azul e outros municípios fazem. A partir do dia 2 de janeiro, buscaremos uma solução, com a aquisição de outra área para fazermos um outro aterro sanitário, dentro das normas de licenciamento ambiental. Hoje gastamos R$ 180 mil na coleta do lixo e a arrecadação, que todo mundo paga na conta de água, dá R$ 170 mil. Não chega nem a cobrir a coleta e a empresa quer reajuste. Para transportar esse lixo para fora fica em torno de R$ 200 mil por mês”, afirma.


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