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14/02/17 - 10h42 - atualizada em 14/02/17 às 13h01

Juiz eleitoral pede arquivamento do caso Wilson Karas

Vereador, que foi reeleito em 2016, é acusado de compra de votos. MP diz que irá recorrer ao TRE

Paulo Henrique Sava, com reportagem de Jussara Harmuch

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Em sentença publicada na última sexta-feira, 10, o juiz da 34ª Zona Eleitoral de Irati, Fernando Eugênio Martins de Paula Santos Lima, decidiu arquivar o processo movido pelo Ministério Público contra o vereador Wilson Karas, reeleito pelo PSD para mais um mandato de quatro anos na Câmara.  

Após a publicação da sentença, a promotora Gabriela Cunha Mello Prados, responsável pelo processo, concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira sobre o caso. A promotora afirma que o MP discorda da decisão do juiz. “Nós vamos recorrer ao TRE por entender que existem sim as provas. No caso da captação ilícita (sufrágio), as provas são um pouco diferentes dos demais processos em geral, pois são mais difíceis de serem produzidas. O eleitor, que está na outra ponta da compra de votos, também está cometendo um crime, e quando ele aparece para registrar uma denúncia, também é responsabilizado pelo ato”, relatou. 

De acordo com a promotora, existem pelo menos três provas distintas nesta ação: uma gravação em vídeo, o depoimento de Romildo Aksenen e uma terceira pessoa que presenciou os pedidos de entregas de cestas básicas.  

Na sentença, o juiz alega que não foi encontrado nenhum material que comprovasse a compra de votos. Durante os depoimentos, uma das testemunhas, Luciano Wagner, que é filho do proprietário de um estabelecimento comercial, disse ter ouvido Pedro Renhuk e Jair de Ramos conversando sobre a suposta compra de votos. Ele apresentou um vídeo, gravado por celular, comprovando a conversa. No entanto, na sentença, o juiz alega que esta prova é nula por não ter sido feita por nenhum dos interlocutores envolvidos na conversa. De acordo com o documento, “Tal prova somente seria lícita sem a participação de algum envolvido nos fatos tido como criminosos, se tivesse sido obtida mediante autorização judicial e quando utilizada como prova em investigação criminal ou processo penal, sendo a proteção à privacidade direito fundamental estabelecido na Constituição Federal”. 

Promotora diz que irá recorrer ao TRE para dar continuidade às investigações

O juiz alega ainda que a gravação mostra uma “conversa de bar” entre os interlocutores. Segundo a sentença, o próprio Jair teria afirmado em juízo que as afirmações foram feitas em tom de “brincadeira”. No entanto, Luciano afirmou que Jair teria oferecido a quantia de R$50 para Zaiac “vender” seu voto. No depoimento, Jair disse não estar embriagado na ocasião. 

“O MP entende que, apesar de tratar-se de uma ‘brincadeira’ aparentemente, porque todos estão rindo [na gravação], por trás existiu a verdade, tanto que relata um esquema, inclusive dando nomes das pessoas que estavam presentes na gravação”, relatou Gabriela.  

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Outras testemunhas ouvidas, caso de Romildo Aksenen, que também foi candidato a vereador, e Luiz Carlos Dziadzio, que na época era secretário municipal de agricultura, afirmaram terem presenciado cabos eleitorais de Karas dizerem que ofereceriam dinheiro e cestas básicas para eleitores votarem no vereador. Porém, segundo a sentença do juiz, as afirmações não foram comprovadas. A Promotora contesta esta afirmação. 

“No próprio vídeo, o senhor Jair relata que Lúcio estaria entregando uma cédula de dinheiro com o conhecido ‘santinho’ do candidato. Na mercearia, uma das testemunhas afirmou que, quando chegou ao local, viu que estavam sendo encomendadas cestas básicas para entrega em troca de votos. Nós temos duas provas diferentes que levam ao mesmo fim, que seria a entrega de cestas básicas”, afirmou.  

A promotora afirmou que o MP irá recorrer ao TRE e aguardar a decisão do Tribunal. “Independentemente deste resultado, o MP continuará buscando e combatendo a compra de votos, porque uma das formas de a comunidade ter uma resposta do que precisa em relação à saúde, a estradas e educação, é através dos poderes Legislativo e Executivo. O MP atua quando falha estes poderes; ele não é a primeira mão, então a população tem que pensar muito antes de colocar alguém nos cargos destes dois poderes”, frisou.  

Segundo a promotora, o objetivo do MP é desvendar um esquema de compra de votos existente em Irati.  

"Tudo não passou de uma brincadeira", sustenta Karas

Vereador fala pela 1ª vez sobre o caso

Procurado pela reportagem, Karas alegou que os denunciantes tentaram prejudicá-lo após sua reeleição para a Câmara de Irati. O vereador argumentou que dois deles foram candidatos, além da esposa do secretário também ter concorrido no pleito de 2016. “Meus eleitores ficaram tão aborrecidos porque eles [denunciantes] andaram falando que eu já estava cassado, mas não é bem assim. O juiz entendeu, ouviu as testemunhas e viu as provas, e [o caso] está nas mãos das autoridades. O juiz viu que não havia provas suficientes, que o [Leomar] Jacumasso era candidato, e não me prejudicou. Eu faço um trabalho social, e me elegi por isso, daí eles ficam bravos comigo”, desabafou. 

Apesar das acusações, Karas disse que não vai processar nenhum dos denunciantes. 

A sentença foi publicada no site do TRE-PR. O Ministério Público foi notificado sobre a decisão na tarde de ontem. O órgão tem três dias para apresentar recurso ao tribunal, que terá um prazo de até 15 dias para analisar o caso. 

Procurado pela reportagem, o juiz eleitoral Fernando Eugênio Martins de Paula Santos Lima não quis se manifestar sobre o assunto.  


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