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18/10/17 - 20h45 - atualizada em 19/10/17 às 14h40

Kuhn desiste de pedir cancelamento de votação que absolveu Karas

Vereador alegou não se sentir seguro para fazer seu trabalho dentro desta legislatura e informou que o andamento do caso vai prosseguir na justiça

Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch 

Rogério Kuhn explicou os motivos de ter solicitado cancelamento da sessão de julgamento de Wilson Karas e respondeu questionamentos de outros parlamentares sobre sua atuação na Câmara
O vereador Rogério Kuhn (PV) manifestou ter se sentido ofendido com os discursos de outros parlamentares durante a sessão da semana anterior, ao subir à Tribuna para a Palavra Livre na reunião ordinária da Câmara de Irati nesta terça (17). Ele expressou seu ponto de vista sobre a conduta na votação que absolveu Wilson Karas (PSD) da acusação de incompatibilidade parlamentar por supostamente integrar a diretoria de uma cooperativa que possui contrato com o Executivo.

“Fui acusado de estar perseguindo um vereador desta Casa. Estou aqui para salientar que este fato é mentira”, comentou o vereador do PV, que enumerou argumentos para desmentir a suposta perseguição, levantada pelos pares. De acordo com ele, em primeiro lugar, Karas foi denunciado pelo Ministério Público e pela Câmara. Em segundo lugar, a Câmara instaurou uma Comissão de Ética para apreciar a denúncia.

“Nessa comissão, estavam presentes Wilson Karas (PSDB), eu, Roni Surek (PROS) e Marcelo [Rodrigues] (PP). E evidentemente o presidente não poderia aceitar quatro, porque são apenas três membros. Após alguns minutos, o seu Wilson se retirou. Nós três aceitamos a denúncia contra o vereador”, enfatizou.

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Em terceiro lugar, frisou o vereador, a denúncia passou pela Comissão Processante (CP), formada por outros três vereadores: José Bodnar (PV), Nei Cabral (PDT) e Soldado Elias (PSDB). “Os três vereadores foram favoráveis à denúncia. No entanto, nenhum deles foi acusado de perseguidor”, disse.

Em quarto lugar, a denúncia seguiu para Plenário. “Houve a votação e o vereador foi absolvido”, afirmou. Kuhn ainda acusou vereadores de faltarem com o decoro. “Na última sessão [do dia 10], os dois vereadores que afirmaram seu apoio incondicional ao vereador que passou pelo processo me tacharam de louco, dizendo que eu precisaria apertar meus parafusos, quebrando todo e qualquer respeito e decoro dentro dessa Casa de Leis. Foram os mesmos vereadores que votaram e assinaram o parecer de continuidade do processo”, ressaltou.

Kuhn apontou irregularidades na tramitação do processo e disse que os vereadores foram mal orientados pelo advogado contratado para assessorá-los na Comissão Processante. Segundo ele, o advogado estaria sendo investigado por possível fraude nesta contratação.

Thiago de Araújo Chamulera foi contratado através de dispensa de licitação pelo valor de R$ 7,9 mil para atuar entre 25 de maio a 25 de agosto, antes mesmo de a instauração da Comissão Processante ser aprovada. A CP foi instaurada no dia 29 de maio.

“Quero salientar que o mérito do processo não importa. O que eu quero é que o rito [da Comissão Processante] seja respeitado. E ele não foi. O vereador em questão [Wilson Karas] não poderia ter votado em favor dele próprio, como expõe o artigo 155 do nosso regimento interno”, destacou.

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O vereador do PV frisou que o parágrafo 1º do mesmo artigo anula o efeito da votação de que tenha participado vereador impedido quando for matéria de interesse particular. Ele também enfatizou que o parágrafo 2º do artigo determina que qualquer vereador pode pedir a anulação da votação nesses casos. “Pergunto aos nobres: quantas vezes vamos errar nesse rito? O que falar sobre o advogado contratado para assessorar o rito, que está sendo investigado por possível fraude nessa contratação? Fomos mal orientados. Se o vereador me acusa de perseguição, ele deve saber que o único responsável pelo seu próprio sofrimento e pelo da sua família, que eu não conheço, é ele mesmo e não eu”, disse.

O vereador comunicou que não vai reapresentar o pedido de cancelamento da sessão extraordinária da votação que o inocentou para preservar sua integridade, mas informa que este pedido já está tramitando na justiça por requerimento popular.

“Quanto às críticas que fizeram sobre as minhas gafes, eu estou aberto e sempre estive a aprender e melhorar. Eu não venho aqui para fazer jogo político. Não me sinto seguro para defender minha ideologia e meu trabalho dentro dessa Casa, sendo tachado de louco e perseguidor. Por isso, peço desculpas aos meus eleitores, aos meus amigos, às pessoas de bem, aos meus correligionários, que querem que os vereadores os representem com orgulho, com dedicação e com justiça. Não vou reapresentar o pedido de cancelamento da votação da sessão extraordinária em questão para me preservar. Até porque este pedido já está tramitando na Justiça, sob requerimento popular”, concluiu.

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