Política e Eleição / Notícias

11/11/17 - 13h42 - atualizada em 11/11/17 às 13h49

Marcelo Rodrigues e Hélio de Mello contrapõem críticas feitas à Mesa Diretora

1º secretário rebateu insinuação de que polêmica em torno da ACIAI seja retaliação ao Observatório Social de Irati

Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch

Marcelo Rodrigues e Hélio de Mello rebateram as críticas feitas à Mesa Diretora
O 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara de Irati, Marcelo Rodrigues – Marcelinho (PP), rebateu a insinuação, feita na semana passada, pelo vereador Rogério Kuhn (PV), de que a polêmica em torno do aluguel do terceiro pavimento do prédio da ACIAI seja retaliação ao Observatório de Irati. O contraponto foi apresentado durante seu discurso na Tribuna, durante a Palavra Livre, na sessão de terça (7).

Rodrigues negou que o questionamento sobre o aluguel seja retaliação contra o Observatório e negou discordar de Kuhn quanto à importância que a ACIAI representa para Irati. “O Observatório de Irati, esta Câmara apoia. Queremos que a instituição progrida e fiscalize, porque não podemos condenar o saco de laranja por causa de duas ou três laranjas podres, que estão lá infiltradas. Estive em Curitiba e protocolei uma ata notarial e levei os vídeos em que, de dois ex-presidentes, um chamou a esta Casa de idiotas. O presidente do Observatório Nacional [Ney da Nóbrega Ribas, presidente do Observatório Social do Brasil – Seção Campos Gerais e do OSB nacional] estará almoçando com todos os vereadores. Ele me dizia que não comunga daquela forma que foi executada aqui [o protesto] com nariz de palhaço”, disse.

PUBLICIDADE
A ata notarial, protocolada pelo vereador, trata-se de um instrumento público através do qual, a pedido de pessoa capaz, o tabelião formaliza um documento narrando fielmente tudo aquilo que verifica com seus próprios sentidos sem emissão de opinião, juízo de valor ou conclusão, ou seja, narra e materializa os acontecimentos em sua essência, constitui prova para ser utilizada quando conveniente, de modo que a veracidade somente poderia ser retirada através de sentença transitada em julgado.

Sem citar nomes, o 1º secretário afirmou, ainda, que “Irati tem 60 mil habitantes, mas tem um cidadão que está se achando o dono da razão”. Ele concluiu dizendo que a Câmara não é contrária ao Observatório Social nem à ACIAI, por questionar o uso do pavimento, apenas é favorável que a lei seja seguida à risca.

O presidente Hélio de Mello (PMDB) apoiou o discurso de Rodrigues e afirmou que a Câmara precisa de parceiros e não de concorrentes. “Graças a deus, no nosso País, a democracia diz que não precisa ser advogado, nem contador, muito menos trabalhar num banco e estar aposentado para ser vereador. Esta casa é composta por muitas classes, mas uma coisa que nunca poderão nos questionar é sobre o voto. Cada um dá o seu voto de acordo com seus conceitos, valores e com a educação que teve na vida. Aqui em Irati não tem Sérgio Moro e muito menos ladrão, quem nem em Brasília. Às vezes dá impressão que esta casa é citada e vista como o Congresso Nacional. Somos cidadãos, trabalhamos e,às vezes, não podemos desenvolver nosso trabalho porque temos que ficar respondendo processo. Calúnia de pessoas que foram lá em Curitiba, e foi [denúncia] anônima. Não tiveram coragem nem de assinar um documento, dizendo quem era”, desabafou.

PUBLICIDADE
Segundo Mello, é fácil estar acomodado, fora da Câmara, e criticar a atuação do Legislativo. Ele desafiou “a quem a carapuça servir” que, nas próximas eleições, experimente se candidatar a um cargo público e “sentir na pele” a pressão que a classe política sofre.

Entenda a polêmica

Na semana passada, Rodrigues e o presidente Hélio de Mello (PMDB) apresentaram requerimento, aprovado por unanimidade, solicitando informações quanto à utilização do terceiro pavimento do prédio da Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI) que, de fato, pertence ao Município de Irati. No requerimento, os vereadores questionavam quando teve início a cobrança de aluguel pelo uso do espaço, o valor do aluguel, se há diferença de valores para associados e não-associados e qual a destinação dos valores arrecadados com a locação.

O vereador Rogério Luís Kuhn (PV), ex-presidente da ACIAI, saiu em defesa da entidade e mencionou que o terceiro pavimento do prédio já tinha sido alvo de fiscalização pela Câmara, à qual ele não se opõe. Por outro lado, insinuou que a fiscalização teve caráter subjetivo e que seria uma retaliação ao Observatório Social de Irati (OSI), que ocupava aquele andar do edifício e que, nas sessões anteriores, fez manifestações na Câmara, usando narizes de palhaço. Além disso, o OSI tem desempenhado ações de fiscalização aos atos da Câmara.

Diante da polêmica, houve resposta imediata da ACIAI e da Prefeitura de Irati, que retomou, na segunda (6), a posse do pavimento que vinha sendo utilizado pela ACIAI. A entidade divulgou uma nota de esclarecimento, na quarta (8), sobre a reunião do prefeito Jorge Derbli (PSDB) com o Conselho Superior da ACIAI, composto por ex-presidentes da entidade, para tratar da retomada da posse do terceiro pavimento do prédio.

O encontro teve a participação do prefeito e dos ex-presidentes da ACIAI: Airton Trento, Marcielo Mazzochin, Ademar Chami, Fátima Jenczmionki, Tadeu Jenczmionki, Elias Mansur, e diretora executiva, Simone dos Anjos.

A sede própria da Associação Comercial e Empresarial de Irati começou a ser construída no início da gestão do empresário Airton Trento (2002-2006). Na época, o ex-prefeito Antonio Toti Colaço Vaz, assinou a permuta do terreno, pertencente ao município e cedido para a construção da entidade. Em contrapartida, a ACIAI deveria ceder o terceiro pavimento, para ser edificado às custas e sob responsabilidade do município. A contrapartida não se consolidou e a própria ACIAI arcou com as custas da execução da obra, em 2010. A partir daí, e nas gestões seguintes, a ACIAI tem buscado, através de ofícios encaminhados à Câmara e à Prefeitura, a regularização da situação do prédio.

Na segunda (6), em comum acordo, a ACIAI devolveu à Prefeitura o terceiro pavimento, que voltará a ser ocupado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, que estava instalada no segundo andar.

A mudança foi providenciada no início desta semana e o Executivo encaminhou ofício à Câmara com o comunicado sobre a decisão, em resposta ao questionamento sobre o fato de não usar um espaço que é seu, de direito.

Conforme a ACIAI, o espaço era usado pelo município até 2015. Por opção de espaço, da gestão anterior, teria ocorrido a mudança. O Edifício Virgílio Moreira, na Travessa Frei Jaime (Rua da Cidadania) abriga, além da ACIAI, o Observatório Social, o SICOOB, o SPC, o ponto de atendimento do SEBRAE, a agência correspondente da Fomento Paraná, a Junta Comercial e Certificação Digital.

PUBLICIDADE

Comentários

Enquete

Supermercados abertos em domingos e feriados é uma boa ideia?

  • não
  • sim
Resultados