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24/06/18 - 08h56 - atualizada em 24/06/18 às 10h49

Pároco da Matriz São Miguel defende criação de feriado dedicado a Nossa Senhora das Graças

Padre Luiz Carlos Mirkoski usou a Palavra Livre, na sessão ordinária da Câmara de Irati na terça (19), e mostrou pontos positivos sob o aspecto religioso

Edilson Kernick

Padre Luiz Carlos Mirkoski defendeu feriado da Santa na Câmara de Irati

O padre Luiz Carlos Mirkoski, pároco da Paróquia São Miguel, da qual faz parte a colina onde está situada a imagem de Nossa Senhora das Graças, defendeu a criação de feriado no mês de novembro, dedicado à Santa, sob o ponto de vista da Igreja Católica, durante a sessão ordinária da Câmara de Irati na terça (19). O sacerdote utilizou o espaço da Palavra Livre para se manifestar na Tribuna.

“A igreja oferece respostas que são críveis pela fé de cada fiel, sendo esses pressupostos inatingíveis. Entre os princípios da contabilidade, como dias de trabalho e horas, está o princípio da continuidade. Esse princípio estabelece que a entidade ou organização nasce para crescer ao longo do tempo. A Paróquia São Miguel tem 70 anos. A Santa completa 61 anos. Duas crianças que querem crescer. Entendemos que a Santa nasceu para viver a sua missão por um longo período de atividades e ampliar suas ações no tempo para melhor servir à comunidade de Irati”, comparou.

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Na visão do padre Luiz Carlos Mirkoski, a criação de um feriado dedicado a Nossa Senhora das Graças em Irati vai além do aspecto religioso, pois a imagem possui também significados históricos e culturais diretamente relacionados com a identidade do iratiense. “Ao olharmos a história da Santa, reconstruiremos a história de um povo, seus anseios, suas conjunturas, sua evolução. E assim, ao fazermos e trazermos à tona essas memórias, reavivamos algo que jamais morreu, porém, tornou-se uma cultura viva de realidades profundas. O valor de um monumento religioso de 61 anos não pode ser quantificado, pois não existem formas de averiguar sua incidência objetiva e valor quantitativo para uma sociedade como a de Irati”, sustentou o pároco.

Ao mencionar a resistência que a proposta de criação do feriado enfrenta, da parte de setores empresariais de Irati, o padre Luiz Carlos Mirkoski, enfatizou que a Igreja Católica compreende a necessidade de preservar as garantias particulares, mas ressalvou que desde que elas não prejudiquem a construção de uma sociedade justa e equilibrada. “Os conflitos favorecem a melhora dos procedimentos jurídicos utilizados quando esses incidem positiva ou negativamente na vida das pessoas”, disse.

“Não vejo nada de negativo em venerar Nossa Senhora em um feriado. Antes, é um projeto que pretende assegurar a convivência harmônica, pautada no diálogo institucional, visando a elementos da ética e da moral cristã. Perder esses elementos ocasionaria na falta de propostas, por parte da Igreja e a perda dos elementos básicos que constituem o conceito de justiça deixado por Jesus Cristo”, argumentou o sacerdote.

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Controvérsia

É a segunda vez que o vereador Hélio de Mello (MDB) propõe criar um feriado religioso municipal para celebrar Nossa Senhora das Graças, em 27 de Novembro, em que se comemora o Dia da Santa. Objeto de devoção de católicos, a imagem tem um caráter simbólico, cultural e histórico para os iratienses: foi um presente recebido por ocasião do Cinquentenário da cidade, em 1957, e é reconhecida mundialmente como a maior imagem de Nossa Senhora das Graças, com 22 metros de altura. Uma imagem inaugurada em janeiro, na cidade catarinense de Laurentino, superou essa marca: tem quase 25 metros. A cidade mineira de Bom Repouso possui uma imagem de 20 metros, ao lado de um santuário, e atrai muitos peregrinos e movimenta o turismo religioso, o que também é intenção da cidade de Laurentino, que inaugurou a imagem de 25 metros. Irati, apesar do potencial, ainda ignora a capacidade de atração do turismo religioso.

Em 2014, a proposta também sofreu resistência de setores empresariais, e chegou a ser cogitada a apresentação de uma emenda para que, em vez do feriado, se criasse um ponto facultativo. Os evangélicos também apelaram para a laicidade do Estado para defender que não fosse criado um terceiro feriado em novembro, que os obrigassem a fechar os comércios, ainda que não guardem o dia santo. No fim, o proponente retirou o projeto de pauta antes de ser submetido à segunda votação.

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O projeto foi reapresentado pelo vereador Hélio de Mello (MDB) neste ano e reacendeu a discussão. Comerciantes entendem que a criação de um terceiro feriado no mês de novembro seria prejudicial às suas atividades e sugeriram substituir o feriado pela criação de uma semana religiosa devotada a Nossa Senhora das Graças. Se antes eles rejeitavam a criação de um feriado, porque teriam que fechar, agora defendem uma semana inteira de comemorações que inclua manter o comércio aberto em dois domingos.

Enquete

No site da Najuá, uma enquete criada dia 8 de junho teve 129 cliques entre as pessoas que acessaram a página: Feriado de N.S.das Graças em Irati, 27,13% não concordam e 72,87% disseram que concordam com o feriado. Participe você também.


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