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16/11/17 - 09h46 - atualizada em 16/11/17 às 14h46

Pingue-pongue entre Kuhn e Marcelinho na Câmara de Irati

Vereadores monopolizam discussão em cima de assuntos recorrentes provocando um vai e vem sobre Aciai, caso Karas, subsídios e aumento de vereadores

Jussara Harmuch


A discussão começou com Rogério Kuhn (PV) que fez um exame de consciência durante a sessão semanal da Câmara de Irati, na terça-feira, dia 14. Com o objetivo de virar o ano livre de sentimentos ruins, ele propõe uma trégua e diz que não falará mais da Aciai, mas não sem antes provocar Marcelo Rodrigues – Marcelinho (PP) com uma pergunta no ar: Cabe aos vereadores fiscalizar todas as cooperativas agrícolas, sindicatos e ONGs?

Da mesma forma, Marcelinho fala que é importante estar em paz, porém, não deixou Kuhn sem resposta. “Diferente de outras instituições particulares, a Aciai tem um bem público, por isso podemos fiscalizar e o aluguel que Vossa Excelência falou que é R$ 25, na verdade é R$ 50”. 

O caso Karas também veio à tona, Kuhn afirma que Rodrigues votou a favor da cassação, apesar dele ter sido impedido pelo Regimento de votar no julgamento que absolveu o vereador do PSD [de acordo com as regras, a Mesa Diretora não vota]. Segundo o raciocínio de Kuhn, como ele assinou o parecer da comissão de Ética, da qual participa, concordando que o denunciado cometeu crime de improbidade administrativa, então não poderia se posicionar de forma diferente depois, caso fosse permitido a ele votar. 

Rodrigues não nega que tenha encaminhado o parecer para prosseguir a investigação. “Nós, enquanto vereadores da Comissão de Ética não poderíamos ouvir testemunhas, então demos a oportunidade ao vereador de trazer as informações”, justifica e lembra o fato de Kuhn ter pedido para fazer um parecer em separado. Neste ponto "a trégua" levou a uma baixa. Marcelinho pede para ser substituído na Comissão de Ética onde atua como secretário e Kuhn preside.

Relembrando  

Em maio de 2017 um parecer da Comissão de Ética da Câmara encaminhou à Mesa Diretora a solicitação de instauração de uma Comissão Processante (CP) para investigar o caso por apresentar fortes indícios de que Wilson Karas praticou incompatibilidade parlamentar ao permanecer como membro da diretoria da Cooperativa Girassol, que teria contrato assinado com a Prefeitura de Irati. A Lei Orgânica proíbe a participação de vereadores e do próprio prefeito na diretoria de empresas ou cooperativas que tenham contrato com o município.

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Fraude na contratação de advogados

Quanto à possível fraude na contratação do escritório de advocacia que auxiliou os parlamentares na condução da CP, Rogério contradiz as insinuações lançadas pelo parlamentar na semana passada, alegando que a investigação partiu do Ministério Público. Marcelo responde que a intenção de sua fala na semana passada não foi de acusar e sim de proteger a Casa evitando suposições.

Afinados na redução de salários e aumento de cadeiras 

Mas em uma coisa os dois concordam. “Tenho que dar o braço a torcer e concordo com o vereador”, comenta Kuhn, reconhecendo o pensamento manifestado por Marcelinho de diminuir o subsídio para um piso mínimo nacional e aumentar o número de vagas para 13 cadeiras.

Desta vez quem tomou a dianteira para responder foi Roni Surek (PROS) que defende a manutenção do atual valor. “Quanto aos subsídios, aqueles que não merecem que devolvam ou façam doações a instituições de caridade, porque eu tenho feito por merecer”, disse. 

Também o presidente Hélio de Mello (PMDB) se pronunciou a este respeito. Ele lembrou que, embora haja discussão de redução de salários e aumento de vereadores, não existe documento algum tramitando e caso venha a ter alguma iniciativa, ele acredita que deva preceder de uma audiência pública.

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De novo sessões itinerantes  

De forma a retribuir a provocação inicial, Marcelinho lembra que Kuhn chegou a sugerir que o recesso parlamentar que acontece nos meses de janeiro, fevereiro e julho, fosse suprimido, por não concordar em receber o subsídio neste período em que não há sessões. Já ele acha que em vez de suprimir, deveria se voltar a fazer sessões itinerantes neste período de recesso.

Outra ideia sugerida é de aumentar para duas sessões semanais em 2018, já que os funcionários da Câmara trabalham normalmente, reservando uma para que a sociedade participe mais. Desta forma “na sessão ordinária não vai perder o encanto, o foco das votações dos projetos e indicações”, comenta Rodrigues.

A justificativa para ambas iniciativas é a mesma que o parlamentar vem apresentando, como fez em junho deste ano. Para ele, este tipo de ação leva a sociedade a conhecer melhor o trabalho dos vereadores e, consequentemente, a valorizá-los.

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