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14/10/17 - 11h53 - atualizada em 16/10/17 às 13h48

Professores e advogados debatem movimento “O Sul é meu País”

Debate aconteceu durante o programa Espaço Cidadão, da Super Najuá FM 92,5, nesta quinta-feira, 12

Paulo Henrique Sava

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No último sábado, dia 07, o movimento “O Sul é meu país” realizou uma consulta popular para saber a opinião da população dos três estados da região sul do Brasil sobre uma possível separação dos mesmos do território brasileiro e a criação de um novo país. Em toda a região, foram registrados 364.256 votos. Destes, 350.666 defendem a secessão e 13.623 são contrários à divisão.

Em Irati, 701 pessoas participaram da pesquisa, sendo que 681 votaram a favor, 18 votaram contra, uma votou em branco e outra anulou o voto. A referida pesquisa, apesar de se chamar “Plebisul”, não tem validade como plebiscito, uma vez que não passou por votação na Câmara dos Deputados e nem foi realizada pelo sistema eleitoral brasileiro. 

O programa Espaço Cidadão, da Super Najuá FM 92,5, promoveu um debate sobre o tema na última quinta-feira, 12. Participaram o presidente da Comissão Nação Sulina de Curitiba do Movimento O Sul é meu país, Pedro Liss, o professor do Departamento de Geografia da Unicentro, Zaqueu Luiz Bobato, e os advogados Adaílton Machado e Giordanni Dangui.  

Sobre a secessão, Liss comenta que não se trata de discriminação com os demais estados brasileiros porque o movimento não tem característica étnica. “Nós não estamos nos separando porque somos diferentes, mas somos povo sul brasileiro, tão iguais quanto qualquer outra região do Brasil”, comentou.

Veja o vídeo completo do debate no fim desta reportagem  

O professor ressalta que o único motivo para a luta pela secessão são as dificuldades econômicas que o Brasil enfrenta. Ele lembrou ainda que o Rio Grande do Sul esteve por nove anos separado do Brasil, no período de 1836 a 1845, quando chamou-se República Rio-grandense. “O nosso problema econômico reside no seguinte: nós mandamos 80% de tudo o que nós produzimos de toda a riqueza para Brasília. A capital tem um poder centralizado, e todos os países que têm poderes centralizados têm dificuldades para administrar o seu território”, comentou. 

Ainda de acordo com Liss, a causa separatista do sul vem sendo defendida desde 1854. “Hoje, através do movimento O Sul é meu país, nós pretendemos propor a criação de um país para que nós não sejamos mais escravos de Brasília. Esta é a maior motivação que nós temos para criar este país”, pontuou. 

Outro ponto destacado por Liss é a representatividade política da região. “Nós somos muito mal representados em Brasília. Enquanto nós temos aqui nove senadores, o Nordeste tem 27. Quando nós queremos criar um partido político aqui, precisamos da representação de 9 estados. Um senador, no Acre, obtém 180 mil votos, e aqui precisa de 2 milhões. Porém, quando eles vão aprovar um Projeto de Lei no Congresso, o peso do voto é o mesmo. Esta disparidade é muito grande”, frisou.  

Professor Pedro Liss, presidente da Comissão Nação Sulina do Movimento O Sul é Meu País, em Curitiba

O professor destaca que outras regiões, como São Paulo, Norte e Nordeste, iniciaram movimentos separatistas no país. “A população percebe que já não é mais possível conviver com um país onde o poder é centralizado, todos os nossos recursos vão e a gente não sabe para onde. Para nós, aqui do sul, retorna cerca de 20%, e esta é a principal motivação (do movimento)”, frisou.  

Outro lado

O professor Zaqueu Luiz Bobato comenta que as regiões brasileiras se relacionam umas com as outras. Ele destaca que a integralidade do território nacional é cláusula pétrea da Constituição, ou seja, uma divisão territorial dificilmente aconteceria de forma pacífica. “Ou seja, esta integralidade do território seria por meio de conflito, pela guerra propriamente dita. Eu não vejo possibilidade e muito menos viabilidade disso dentro da integralidade do nosso território”, frisou. 

Zaqueu Luiz Bobato, professor do Departamento de Geografia da Unicentro

Liss discorda de Bobato, dizendo que nenhuma região brasileira se beneficia da outra. Ele discorda também da existência de um país “integral”. “Nós temos um feudo, um sistema feudal. Se nós voltarmos a 500 anos atrás e virmos como se constituíam os feudos na Idade Média, Brasília repete exatamente um feudo. Nós temos até características geográficas parecidíssimas: temos a capital, com o Lago Paranoá à sua volta, como existiam os fossos, com água em volta dos castelos medievais. Do outro lado, estão os quartéis que dão toda a segurança para a grande autoridade que está ali. Nós não temos exatamente uma interligação entre as regiões, e somos completamente distintos na questão econômica”, conta. 

O advogado Giordanni Dangui ressalta que o plebiscito não é permitido por lei. Ele compara a secessão com a implantação da pena de morte. Ele contesta o resultado da consulta, dizendo que o número de votantes não chegou a 97% da população, como foi dito durante o programa. Dangui comenta que o plebiscito teria que ter sido realizado pela Justiça Eleitoral. Ele opina que a separação do sul do restante do Brasil representa uma forma de discriminação para com os demais estados. “Não tem cabimento, pois o Brasil é o total dos estados. Esta separação do sul é uma discriminação com o resto do Brasil. Em vez de ficarmos tentando separar o sul, vamos tentar combater a corrupção”, comentou.  

O advogado acredita que acreditar que a secessão acabaria com a corrupção é uma ilusão. “Fazer a população participar da política é a melhor forma de a gente tentar resolver a corrupção”, completou. 

No entanto, de acordo com Liss, se o plebiscito for legalizado e a população optar pela separação, a decisão tem que ser acatada imediatamente. “Quem é o detentor do poder não é a constituição, mas sim o povo. O povo tem o direito de se manifestar e criar uma situação em que ele busque uma vida melhor”, pontuou.  

Advogado Giordanni Dangui diz ser contrário à secessão

Na opinião do advogado Adaílton Machado, a participação da população iratiense na consulta popular foi muito expressiva. “Eu acho que isto já demonstra que a sociedade, como um todo, está dando o seu recado”, frisou.  

Advogado Adaílton Machado, um dos coordenadores do movimento em Irati


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