Rádio Najuá

Políticas Públicas para a saúde: qual o papel do cidadão?

19/03/19 - 17h01 - Atualizado em 19/03/19 - 17h01

Paulo Henrique Sava

Renato Marochi participou do programa Espaço Cidadão ao lado da Secretária Municipal de Saúde, Magali Salete de Camargo, e do presidente do Conselho Municipal de Saúde, José Jair Pereira, o "Jairzão"

Todos nós somos afetados quando a saúde apresenta dificuldades. Uma sociedade é capaz de apontar os problemas desta área; porém na hora de apontar soluções, poucas pessoas se manifestam. Esta foi a crítica feita pelo presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Irati, José Jair Pereira, se referindo à baixa adesão da comunidade ao órgão e à pouca participação nas pré-conferências de saúde, realizadas durante todo o mês de março.

Jair discutiu sobre a participação da comunidade na elaboração de políticas públicas para a saúde durante o programa Espaço Cidadão da Super Najuá nesta segunda-feira, 18. O programa contou com a participação da secretária, Magali Salete de Camargo, e do diácono Renato Marochi.

Jair reclamou que, durante as pré-conferências, houve comunidades nas quais não foi possível realizar reunião por falta de quórum. Ele citou como exemplos as comunidades de Guamirim e do bairro Lagoa. Neste último caso, moradores do Alto da Lagoa decidiram se responsabilizar pela marcação de consultas da população do bairro. O presidente do CMS solicitou que a Igreja, o Núcleo de Educação e outras entidades indiquem representantes para participar do Conselho. “Temos Associações de moradores e de agricultores e os próprios sindicatos não participam. Aí, depois da conferência, ligam para a rádio e reclamam da falta de remédios e de médicos. A hora é agora (na Conferência) de reivindicar, criticar e trazer a solução para nós”, frisou.

PUBLICIDADE

Como forma de preparar assuntos para serem discutidos na Conferência de Saúde, marcada para a próxima sexta-feira, 22, a Secretaria  e o Conselho Municipal de Saúde organizaram pré-conferências nos bairros Canisianas, Vila São João, Lagoa e Rio Bonito, e nas comunidades de Gonçalves Júnior e Guamirim. Renato Marochi aponta que o grande problema da população é acreditar que a saúde é apenas de responsabilidade dos governos municipal, estadual e federal, e por isso muitas pessoas não participam destes eventos, nos quais é possível apontar os problemas e sugerir soluções.

“Quando você não se apropria disto como algo necessário para a sua dignidade de vida, os outros (gestores) vão fazer do jeito que é possível. O que é participação política? É a vontade daquelas pessoas que participam: se você não participa, sua vontade não está ali manifestada. É preciso assumir como uma causa pessoal, comunitária”, comentou.

O diácono pede que seja dado um incentivo maior para a participação junto à comunidade dentro das diversas associações e mesmo nas próprias empresas. “Na hora em que se estabelece uma reunião para discutir o bem-estar de toda a comunidade, temos que ter representante desta associação. Não podemos deixar para os outros decidirem, pois vão fazê-lo de acordo com a sua vontade. Política pública é participação”, destacou.

PUBLICIDADE

A secretária Magali ressalta que foram enviados convites para todas as escolas e as unidades de saúde comunicaram as famílias por grupos de WhatsApp, mas nem isso atraiu as pessoas para as reuniões. “Daí, para discutir políticas de saúde, não temos participação da população. Quando vou fazer um plano sobre onde investir em saúde e o que é preciso fazer, tem que ser aquilo que eu acho que deve ser, porque a demanda da população não vem”, desabafou.

Renato diz que falta “experiência democrática no Brasil”, pois a população ainda não entendeu de fato o que significa a expressão “participação do povo”. “A esperança do povo é de que apareça um candidato, uma pessoa que possa resolver estes problemas, mas quais? O problema que está na cabeça dele, e o que está na nossa cabeça nós não manifestamos. Manifestamos apenas uma vez no voto e depois calamos para sempre, então a execução vai depender sempre do comandante político. Um programa só terá continuidade se houver participação nos Conselhos”, comentou.

De um total de 150 instituições convidadas para a Conferência Municipal de Saúde,apenas 28 haviam confirmado presença. “É quase nada, e nós precisamos ter a participação. Eu peço às instituições que encaminhem suas inscrições e venham participar da Conferência, pois vamos falar de democracia e financiamento”, frisou.

PUBLICIDADE

Renato destaca que é necessário participar deste tipo de evento para que a população possa ajudar, de maneira legítima, a elaborar políticas públicas para a saúde. “Se não participamos, não adianta ‘fofoca’. O mundo virou mais de ‘fofoca’ e de falsas denúncias, pois uma denúncia que não contribui é falsa. Se está errado, vamos contribuir de maneira correta, e o único jeito é participando”, comentou.

Serviço

Durante a Conferência, participarão delegados de instituições, sejam prestadores de serviços, gestores, trabalhadores da saúde e usuários, representados pelas associações de moradores, agricultores, APMF, entre outros. Os demais participantes podem se inscrever como observadores. A Conferência será realizada na sexta-feira, dia 22, a partir das 08 horas, na Churrascaria Italiano da Rua 19 de dezembro. 

Quer receber notícias de Irati e região? Envie SIM NOTICIAS para o WhatsApp 42991135618 ou simplesmente clique no link a seguir http://bit.ly/CliqueAquiWhatsSuperNajua

 Por e-mail: http://bit.ly/2BiE4tC