Rádio Najuá

Experiência do parto em casa: tradição do passado vem sendo retomada

21/03/19 - 17h08 - Atualizado em 21/03/19 - 17h08

Paulo Henrique Sava

Fotos: Denise Moletta


A tradição de nossos pais e avós de ter filhos em casa se perdeu ao longo dos anos, dando espaço para procedimentos médicos, considerados “mais seguros”. Porém, nos últimos tempos esta tradição vem sendo retomada.

Em Irati, quem teve a experiência foi a terapeuta naturalista e ex-secretária de cultura Fernanda Popoaski. O nascimento de Helena, sua segunda filha, ocorreu no dia 18 de fevereiro. Ela contou sobre sua experiência em entrevista ao Jornal Folha de Irati, em matéria publicada no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Fernanda participou do programa Espaço Cidadão da Super Najuá, juntamente com o historiador José Maria Gracia Araújo e a jornalista Fernanda Hraber, do jornal Folha de Irati.

Fernanda Popoaski, que já teve a primeira filha em casa através do chamado “parto humanizado”, decidiu ter a segunda filha através do trabalho da parteira Vanessa Carvalho e da aprendiz Letícia, vindas da Bahia para fazer o parto. O contato se deu a partir da 38ª semana de gestação. A parteira já havia visitado a família para conhecer o ambiente e realizar alguns exames para saber como está a saúde da mãe e do bebê.

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“A experiência foi muito interessante porque, após toda esta vinda delas antes aqui, como já havíamos analisado a possibilidade de a Helena nascer através das nove luas, elas vieram e ficaram em Irati duas semanas antes do previsto, bem próximo da data em que Vanessa previu o nascimento da Helena. Elas ficaram até após a descida do leite, então tem todo este cuidado antes, durante e depois”, frisou.

Fernanda explicou que, antes de vir para Irati, Vanessa enviou uma lista das ervas medicinais que foram utilizadas durante o parto. Elas pediram também que fosse providenciado mel e outros produtos da chamada “sabedoria popular” que ajudaram no alívio da dor através de massagens e outros cuidados.

O esposo de Fernanda, Allan, reagiu com estranhamento no primeiro parto. O casal chegou a participar de diversas rodas de conversa para se preparar para aquele momento. Já no segundo parto, a aceitação ocorreu de forma mais fácil. “A participação dele foi importantíssima porque a gente sempre comenta que a figura do ‘sagrado masculino’ no horário do parto faz esta conexão direta com o feminino. Este elo protetor, de amparo, de estar ali segurando a mão e nos auxiliando neste momento é muito importante até mesmo para gerar este vínculo com a própria criança”, comentou.

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Na opinião de Fernanda, a primeira atitude a ser tomada pelas mães que querem ter seus filhos em casa é a quebra de paradigmas. “Com uma reportagem, já vai se quebrando isto. Hoje, o que vocês estão fazendo através da rádio, vai chegar mais informação para as mulheres. Às vezes, elas ficam receosas no próprio hospital, dizendo que não podem gritar e queriam andar ou ficar em outra posição. Para quem não quer ter em casa, que faça este acolhimento no hospital. Eu indico o parto em casa através deste método pelo alívio da dor e pelo bom andamento do parto e a respeito do acolhimento destas mulheres que estão ali para cuidar”, frisou a mãe, que teve o bebê em menos de duas horas de trabalho de parto.

Um dos primeiros pedidos das parteiras é que a gestante não deixe de fazer o pré-natal e todos os exames de forma correta, inclusive aferição de pressão. “Se eu estiver com a pressão alta em um momento destes, eu não consigo ter (o bebê) em casa. Tem que ter todo este cuidado e atenção”, comentou.

A parteira Vanessa Carvalho, responsável pelo nascimento de Helena, fala um pouco sobre sua experiência nesta área. “Ser parteira para mim é algo muito amplo e profundo, é antes e acima de tudo uma missão na construção de uma sociedade mais justa e humana”, comentou.

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Para ela, a forma como a criança nasce irá refletir toda a nossa vida, mesmo que não estejamos conscientes disto. “Desde que o mundo existe, tem mulheres dando à luz e outras ajudando, e isto vem através da experiência, das vivências com as plantas medicinais, então as parteiras são agentes de saúde desde que o mundo existe”, frisou.

Vanessa vê o trabalho das parteiras como parte essencial da sociedade, que segundo ela foi tomada pela atividade médico-hospitalar, que chegou até mesmo às áreas mais remotas, como aldeias indígenas. Atualmente, nas aldeias, a maioria das mulheres prefere ir para o hospital para ter seus filhos. “As parteiras tradicionais já não atendem mais por sentirem este sistema opressor. Em muitos lugares se diz que é proibido partejar, que tem que ter diploma, mas não se valida estas mulheres que trabalham há 30 ou 40 anos atendendo outras mulheres porque elas não têm diploma. Lutamos para que elas sejam reconhecidas”, pontuou.

Auxiliar no parto aproxima as parteiras da família, criando vínculos de amizade e cuidados, segundo Vanessa. “A gente se torna comadre e compadre por toda a vida e cria vínculos através da criança com esta família. Muitas vezes, o bebê adoece e a família se reporta à parteira para pedir uma orientação. Se ela mora na mesma cidade, já leva a criança para dar uma olhada. É um vínculo eterno, e não fica só no momento do parto”, finalizou.

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