Rádio Najuá

Família Sandri manifesta surpresa quanto a cancelamento de leilão

14/12/19 - 15h44 - Atualizado em 14/12/19 - 15h44

Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub 

Imagem do estádio Coronel Emílio Gomes durante jogo realizado em 2018 entre Iraty e Rolândia, pela segunda divisão do Campeonato Paranaense

Através de nota assinada pelo advogado Roberto Pedrotti, a família de Lori Sandri se manifestou a respeito do cancelamento do leilão de parte do terreno do Iraty. Parte da área do Estádio Coronel Emílio Gomes seria leiloada, no dia 4 de dezembro, para saldar dívida milionária que envolvia o percentual que o ex-treinador do Azulão teria direito na negociação de um atleta com um clube internacional. No dia 5, os vereadores aprovaram, em sessão extraordinária com dispensa de interstício legal, a reversão do mesmo terreno ao município, devido à quebra de cláusula contratual.

Segundo o advogado da família, a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça, suspendendo o leilão, não acarreta qualquer prejuízo ao credor neste momento. “A cautela do Ilustre Magistrado ao suspender o leilão até a análise do mérito do recurso se justifica ante as argumentações trazidas pelo clube executado, mesmo que inverídicas”, expressa, em nota encaminhada à Rádio Najuá. A família deve recorrer para derrubar a liminar, pois afirma que apresentará, nos autos, em sua defesa, as provas de seu direito.

A família Sandri expressou surpresa quanto à atitude do prefeito Jorge Derbli, que pediu a reversão do imóvel ao município, fato que impediu a realização do leilão. A surpresa manifestada pela família se estende aos argumentos apresentados para o pedido de reversão, como a alegação de que o clube descumpriu os termos da condição de doação, com base na declaração do Presidente do Iraty Sport Club, que “confessa” que o clube, efetivamente, não realizou as ampliações das modalidades esportivas estabelecidas.

“Analisando a Escritura Pública de Doação do Imóvel é possível verificar que não consta na mesma nenhuma informação de que houvesse alguma benfeitoria no mesmo, de modo que, é possível, concluir que o terreno doado não possuía nenhuma forma de construção em cima”, diz. A nota menciona, ainda, que o terreno objeto da reversão possui várias benfeitorias, a exemplo das piscinas do clube.

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Leilão cancelado

Via liminar, a Justiça Estadual determinou o cancelamento do leilão do imóvel, que está avaliado em R$ 8.187.263,36 e teria lance inicial de apenas 50% do valor de avaliação - R$ 4.093.631,68. O cancelamento do leilão ocorreu graças ao pedido de reversão (devolução) do imóvel ao município. A Prefeitura doou o terreno para o Iraty Sport Club em 1978, sob a condição de que o clube ampliasse as modalidades esportivas ofertadas. O descumprimento da cláusula, que consta na escritura pública do terreno, incorreria em sua reversão.

O juiz de direito substituto em 2º grau, Jefferson Alberto Johnsson, da 6ª Câmara Cível do Poder Judiciário do Estado do Paraná, concedeu medida liminar em face do Iraty, na terça (3), por entender que o bem que seria leiloado é impenhorável, uma vez que se trata de terreno doado ao clube pelo município, através da lei municipal 500/1978, de 8 de dezembro de 1978.

O Iraty, no pedido de medida cautelar para suspender o leilão, argumentou que o leilão e a consequente penhora do bem ocasionariam a devolução do imóvel ao município, o que tornaria o bem inalienável, de acordo com o artigo 100 do Código Civil. Esse artigo prega que bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis – ou seja, não pode ser vendido. Outro argumento do clube para solicitar o cancelamento do leilão é a ausência de parâmetro que justifique a avaliação do oficial de justiça para a avaliação do metro quadrado em R$ 500 e que a avaliação de um perito particular chegou a um valor muito superior. Além disso, a dívida de R$ 2.396.452,95 corresponde a menos de um terço do valor de avaliação do terreno que seria leiloado: R$ 8.187.263,36.

O leilão cancelado era resultado de ação cível movida por Leandro Sandri, filho do ex-treinador Lori Sandri, já falecido. O processo envolve a negociação do jogador Tiago Fernandes Cavalcanti, vendido ao FC Köln, clube da cidade de Colônia (Alemanha), em 2007.

Lori defende que teria direito a receber 20% da negociação pela venda do atleta, a partir de um acordo firmado com a diretoria. Leandro, que representa o pai na ação, cobra esses valores.

O clube alemão teria comprado o passe do jogador por US$ 1.875.000,00, mas pagou apenas a primeira de cinco parcelas de US$ 300 mil, depois que o atleta foi “devolvido”, por não passar nos exames médicos porque teria uma perna mais curta que a outra, segundo justificativa do ex-presidente do Iraty, Sérgio Malucelli.

Arrematados por R$ 370 mil

A empresa PCI & Z Gestão de Negócios e Participações Ltda. arrematou outros dois lotes, à vista, por R$ 370 mil, em leilão realizado no dia 4 de dezembro. Um dos terrenos é de 1.000 m², avaliado em R$ 500 mil, tinha como lance inicial R$ 250 mil. O outro, de 324 m², avaliado em R$ 160 mi, tinha como lance inicial o valor de R$ 80 mil.

O leilão desses dois lotes referia-se a uma ação trabalhista movida pelo ex-jogador André Dias, que foi contratado pelo Iraty em 2005 e teve o contrato rescindido três anos depois. O ex-atleta cobra valores do Fundo de Garantia (FGTS), diferenças salariais, aviso prévio, 13º salário e multas. As diferenças salariais requisitadas pelo ex-jogador se referem ao fato de que seu contrato previa o pagamento de R$ 10 mil mensais, dos quais recebeu apenas R$ 3 mil, conforme notas apresentadas por ele.

O Iraty Sport Club foi condenado a pagar as diferenças salariais de R$ 7 mil por mês a partir da admissão até dezembro de 2006; a pagar os 30 dias de aviso prévio indenizado; 13º salário integral referente ao ano de 2006 e a dobra das férias vencidas relativas ao período aquisitivo 2005/2006, acrescidas da gratificação de férias. A carta precatória executória de penhora teve o valor atualizado, em 30 de junho de 2019, para R$ 445.108,93, pela 10ª Vara do Trabalho de Curitiba. A ação foi ajuizada em 11 de novembro de 2008, na Vara do Trabalho de Irati.