Rádio Najuá

Comissão justifica negativa em prorrogar doação de terreno à PM

10/01/20 - 10h54 - Atualizado em 10/01/20 - 10h54
Da redação, com reportagem de Jussara Harmuch 


O presidente da Comissão de Manutenção, Proteção, Fiscalização, Melhorias e Embelezamento do Parque Aquático do Rio Bonito da Cidade de Irati, Alfredo Van Der Neut, justifica a negativa em prorrogar a doação do terreno de 3.649m² dentro do Parque Aquático para a construção de uma sede própria para a Polícia Militar. O terreno, que fica ao lado da sede administrativa da 8ª Companhia Independente de Polícia Militar, foi cedido à Secretaria de Estado de Segurança Pública em 2011, ainda durante a gestão do ex-prefeito Sergio Stoklos. A escritura foi assinada em novembro de 2012 e tinha validade de 24 meses, prorrogáveis pelo mesmo prazo.

Alfredo Van Der Neut

“A Polícia Militar é muito bem-vinda. Não estamos aqui retalhando ou querendo tirar aquilo que a PM precisa: um espaço para construir a unidade da Companhia Independente. Acima de tudo, acho que todos nós, iratienses, queremos que tenha aqui uma construção própria para a PM. Mas não podemos concordar que seja dentro do Parque Aquático, até porque já aconteceram tantas construções erradas”, justifica o presidente da Comissão de Manutenção, Proteção, Fiscalização, Melhorias e Embelezamento do Parque Aquático do Rio Bonito da Cidade de Irati, Alfredo Van Der Neut.

Quer receber notícias pelo WhatsApp? 

O presidente da Comissão, que também é secretário municipal de Cultura, Turismo e Legado Étnico, foi o prefeito responsável pela construção do Parque Aquático, um dos principais cartões postais da cidade desde 1989. Van Der Neut foi eleito para presidir a Comissão para o biênio 2020-2022, por aclamação, em reunião realizada em dezembro. Uma única chapa concorreu.

“Tudo que se relacione ao Parque Aquático, essa Comissão tem força de lei para se posicionar dizendo sim ou não”, explica Van Der Neut. A deliberação mais recente, em reunião extraordinária convocada a pedido do prefeito Jorge Derbli e da Polícia Militar, na terça (7), se posicionou contra a extensão do prazo da doação do terreno de 3.649m² de área. Passaram-se oito anos desde a doação do imóvel, mas a lei municipal 3389/2011, que trata da doação, estipulava a validade de 24 meses, prorrogáveis por outros 24, a partir da data da escritura. Nesse período, deveria ser iniciada a construção ou o terreno seria revertido ao município.

“Defendemos o Parque Aquático. Não temos nada a absolutamente dizer ‘não’ à Polícia Militar. Acredito que com nosso ‘não’ preservamos apenas o nosso Parque. A Polícia Militar, o prefeito e a Secretaria de Estado de Segurança Pública, com esse desejo de construir [uma sede própria] aqui em Irati, vão achar outra localidade, outro terreno para isso. Não vamos perder com isso. A Polícia Militar não vai sair de Irati. O importante é que ela construa e que o prefeito indique outro terreno”, argumenta.


O secretário de Cultura e Turismo acredita que o município possui condições de oferecer outro terreno, mais bem localizado e maior do que o destinado dentro do Parque Aquático. A própria Companhia expressou a necessidade de um espaço maior para a construção da nova unidade, a fim de comportar no mesmo prédio a parte operacional e a administrativa e abrigar o aumento de efetivo e os próximos que venham a surgir.

Van Der Neut acredita que o terreno situado no Parque Aquático é pequeno para comportar essas necessidades e para a eventual instalação futura de um Batalhão da Polícia Militar, com Cavalaria e setor de cães adestrados, por exemplo. “Acredito que estamos nos ajudando, preservando o Parque e ajudando a Polícia a se adequar num outro terreno que a Prefeitura vai ter que localizar para essa construção”, sustenta.

PUBLICIDADE

A Comissão teme que o Parque Aquático seja encolhido por construções que não se destinem exclusivamente à promoção do esporte e do lazer. “Estão espremendo esse espaço. O Parque, inaugurado em 1989, fez 30 anos agora. Vai ter 50, vai ter 100, vai ter 200 e cada vez vai ter mais gente e precisar de mais espaço. Não podemos tirar nem um centímetro do Parque Aquático, porque vai fazer falta no futuro”, argumenta.

Quanto à sede da 8ª Companhia, a Polícia Militar vai permanecer onde está, nos dois prédios que já ocupa – um no Parque Aquático e outro em frente a ele. Porém, sem o terreno que outrora foi cedido para a construção de uma sede própria. “É um prédio cedido pelo município e, se precisar ficar ali mais cinco ou 10 anos, não atrapalha em nada. Pelo contrário, ajuda bastante a segurança regional e do próprio Parque. Ela tem um prédio próprio, embora alugado, do outro lado da rua. No que eles usam, cedido pela Prefeitura, não se mexe. No dia que eles saírem para um local definitivo, aquele imóvel, que era para ser uma biblioteca, será, com certeza, destinado para algum evento que seja interessante ao Parque”, diz.