Rádio Najuá

Bancos de Irati aderem à paralisação nacional

07/10/11 - 18h50 - Atualizado em 07/10/11 - 18h50

Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub e Nilton Luy



A greve dos bancários continua. Nesta sexta-feira, 7, chegamos ao 11º dia de paralisações do atendimento em todo o País. Ao todo são 8.758 agências fechadas.  Somente nas últimas 24 h, mais 202 unidades aderiram à paralisação. Cinco delas em Irati, que aderiu ao movimento na manhã desta sexta-feira. A informação foi divulgada em primeira mão pelo vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa, Marcos Costantin, que esteve ao vivo nos estúdios da Najuá FM participando do Programa Sintonia Máxima.

“A partir de hoje todas as agências bancárias, públicas e privadas, ou seja, as cinco agências de Irati estarão fechadas. Estamos com uma ação, inclusive em Rebouças onde deve haver a adesão do Banco do Brasil”, afirmou Costantin.

Na região Centro-Sul, a paralisação atingiu Imbituva, que tem 100% de adesão e Teixeira Soares, com o fechamento do Banco do Brasil. Já na região dos Campos Gerais, as cidades de Palmeira, Carambeí, Castro, Ipiranga e Piraí do Sul aderiram ao movimento desde ontem.

Aumento do piso e melhoria das condições de trabalho

A greve dos bancários teve início na última terça-feira, 27. Entre as reivindicações estão o reajuste salarial de 12, 8% e aumento do piso de R$ 1.250 para R$ 2.290. A proposta patronal da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é de reajuste de 8%, 0,56% superior a inflação, e participação nos lucros e resultados.

“Em termos financeiros estamos solicitando este aumento real de 5%. O que não é muito devido à alta lucratividade dos bancos que tiveram seus lucros acrescidos em torno de 20 a 30%. Justamente no setor que é mais lucrativo no território nacional que tem plenas condições de pagar o reajuste para os empregados é onde se encontra a maior dificuldade”, argumenta Costantin.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a reivindicação apresentada por Costatin apresenta certo fundamento, já que o setor financeiro apresentou o terceiro maior crescimento (4,5%) na economia, em 2010, superando, inclusive o Produto Interno Bruto (PIB) do país que atingiu 3,1%.

Vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa, Marcos Costantin
De acordo com Costantin, outra meta dos bancários é garantir mais segurança aos clientes. Ele lembra que os funcionários solicitam entre outras coisas, aumento nas contratações para diminuir o tempo de espera nas filas, melhoria no atendimento aos clientes e fim de “assédio moral” imposto pelos bancos. “Muitos funcionários sofrem este tipo de perseguição em função de não venderem produtos para os seus clientes, muitos deles que as pessoas nem necessitam. Outro pedido é para que o atendimento seja melhorado porque os bancos cobram muito e oferecem muito pouco a seus clientes”, concluiu.

Negociações

Sobre as negociações e o impasse que parece sem solução, Costantin disse que todas as cláusulas e condições do acordo coletivo de trabalho foram enviadas a Fenaban, que ainda não respondeu à carta enviada na última terça-feira, 4, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) cobrando a retomada do diálogo com as instituições financeiras.

Vale lembrar que a Fenaban informou através de nota que considera a greve fora de propósito e disse que está preparada para continuar as negociações com os bancários.

“Embora a Fenaban tenha ido à imprensa dizendo que está disposta a continuar as negociações desde que foi deflagrada a greve nacional ela simplesmente se retirou da fila de negociação. Se não houver outra solução fatalmente será recorrido à justiça coisa que os bancários não querem, eles querem o diálogo com os patrões”, destaca Costantin relatando que o Comando Nacional de Greve está reunido em São Paulo para avaliar os dias de paralisação e também a postura da Fenaban.

Alternativas

O brasileiro pena para pagar contas, saldar dívidas ou sacar dinheiro. E agora tem que conviver com mais um problema. Com os bancos em greve todo mundo está tentando resolver a vida nos caixas eletrônicos, que tem um limite de saque que é definido a critério de cada instituição durante o período diurno. Já os saques noturnos são limitados a R$ 300. Quem não receber alguma conta pelos Correios tem que entrar em contato com quem emite o boleto (prestador de serviço) por telefone ou internet para não pagar multa e juros.

As casas lotéricas são as únicas opções para alguns pagamentos que deveriam ser feitos na rede bancária. Por isso, a população deve ter paciência porque o tempo de espera para ser atendido e as filas aumentam a cada dia nestes estabelecimentos.

As alternativas apresentadas por Costantin para os clientes pagarem as contas são a utilização de internet, telefone e terminais de auto atendimento.

“As salas de auto atendimento dos bancos permanecessem normal, através de cartão e senha as pessoas podem realizar depósitos e fazer saques, pagar contas, assim como toda a rede de correspondentes bancários e lotéricos que estão a disposição dos clientes e usuários”, relata.