Cultural / Entretenimento

05/03/12 - 17h33 - atualizada em 05/03/12 às 17h51

Teatro Essencial em Irati

Em entrevista, a atriz, diretora e autora iratiense Denise Stoklos defende que “Irati é uma cidade madura o suficiente para auto-gerir um centro cultural com enorme sucesso”

Letícia Torres - Assessoria da Prefeitura de Irati

 

Foram cinco apresentações da peça "Louise Bourgeois: Faço, Desfaço e Refaço" com auditório lotado. Assim, Denise Stoklos passou por Irati na última semana intrigando e encantando as pessoas ao apropriar-se de vivências da escultora francesa Louise para propor a reflexão sobre o medo, a busca por ideais, o amor, a ira, as convenções sociais, a arte...

Essencial como sempre, a atriz, diretora e autora iratiense encerrou a série de apresentações em sua terra natal tomando partido em favor da arte e da liberdade que ela proporciona ao ser humano.

Em entrevista à imprensa, Denise Stoklos comenta aspectos cotidianos e compartilha fragmentos do conhecimento que apreendeu ao longo dos 42 anos de carreira, consagrada mundialmente. Ela fala do sentimento em relação a Irati, da viabilidade do centro cultural de mais de 500 lugares que está sendo edificado no Município, do preço dos ingressos de espetáculos culturais, de política, e principalmente da evolução humana provocada pela arte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há um grande carinho do público iratiense por você e expressiva admiração pelo seu trabalho. O que você sente ao “voltar para casa” e observar isto?
Um privilégio. Nem todo lugar no mundo provoca o amor que temos a esta cidade e nem todo lugar oferece a seus conterrâneos o afeto que aqui se dedica ao outro. No meu trabalho de teatro eu sinto isso concretamente e valorizo muito a energia que recebo de volta e que tanto me estimula.
 
Você cita que é de Irati em todas as suas apresentações, nos mais variados países do mundo. Por quê?
Porque aqui em Irati é que cresci livre e amada, e aqui iniciei minhas concepções cênicas, dentro da família que me proporcionava todos os meios de desenvolvimento criativo. Foi aqui que meus escritos eram publicados por José Maria Orreda no seu jornal “O Debate” e com isso o exercício muito cedo da responsabilidade com a comunidade.

Como a cultura colabora para o melhor desempenho de uma região na economia, na educação, na saúde?
Sabemos que quanto mais acesso a expressão artística, mais livre e realizado um povo é. O encontro com a necessidade de colocar as emoções para fora é de primeira necessidade! Quando uma sociedade dá importância a seus pensamentos, suas idéias, suas dúvidas, que é muito do que a arte faz, ela escreve sua história com mais consciência e, portanto, com mais possibilidades de experimentar a liberdade e o amor.
 
Irati comporta um Centro Cultural do tamanho deste que está sendo construído, que tem mais de 500 lugares? Haverá público suficiente?
Agora nas minhas mais recentes apresentações vimos quantas lotações tivemos para uma só peça no Auditório da Faculdade. Os iratienses merecem um teatro de 500 lugares e discordar disso é o mesmo que relevar a capacidade dos habitantes, portanto, praticamente um insulto ao público de Irati.
 
Hoje, o preço dos ingressos dos espetáculos culturais no Brasil são altos para grande parcela da população. Por exemplo, quem ganha um salário mínimo não tem condições de assistir as peças principais do Festival de Teatro de Curitiba 2012, cujo ingresso custa R$ 50,00. Em Irati, como seria possível tornar os espetáculos acessíveis a um público maior?
Um dos fatores de ser um teatro com grande capacidade tornará possível menos apresentações e mais usufruto da população, isso diminui gastos e, portanto, também o custo de ingresso.
 
Como deverá ser a administração do Centro Cultural de Irati para que ele consiga manter-se em funcionamento ao longo dos anos, independente de possíveis cortes de verbas municipais no setor de cultura?
Claro que tudo que é feito com senso de cidadania traz dentro de si a possibilidade de resistência e racionalidade. Acredito que Irati é uma cidade madura o suficiente para auto-gerir um centro cultural com enorme sucesso. As pessoas aqui sempre tiveram muita intuição para a vontade de se exercer plenamente e cultura é isso.
 
Considerando que já há uma emenda parlamentar para terminar o teatro, como você acredita que Irati deva se posicionar politicamente para que as obras sejam retomadas rápido?
Eu faço pessoal e publicamente aqui meus agradecimentos ao prefeito Sergio Stoklos que tem feito o seu máximo para que exista o espaço para a elevação do ser humano. Há o dito: “pão e circo”, as necessidades do homem significando basicamente os alimentos primários do corpo e também da reflexão sobre nossas ações (que é o que acontece primordialmente no teatro). Um povo que não pode fazer isso fica condenado à mesquinhez e à inanição do criativo.
 
Denise, como você encara algumas críticas que surgiram pelo fato do Centro Cultural, que está sendo construído na gestão do seu irmão (prefeito de Irati Sergio Stoklos), ter recebido o seu nome?
Quem deu o nome foi o governador Roberto Requião. Foi ele quem mandou fazer as plantas, indicou o orçamento e mandou as verbas para a construção. Jura que tem alguém que possa estar dizendo não pra isso?

 

 

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