Futebol / Esportes

03/12/11 - 10h41 - atualizada em 03/12/11 às 11h52

Último ato

Atletiba de domingo (4) será o último jogo da Arena da Baixada no formato atual. Depois, estádio fecha para virar o palco da Copa de 2014

Sandro Gabardo / Gazeta do Povo

 

Arena da Baixada, amanhã (4), às 17 horas. Assim que o árbitro Sandro Meira Ricci apitar o início do Atletiba, estará também decretando os minutos finais da casa atleticana como ela foi originalmente projetada. Depois de uma hora e meia de bola rolando, será fechada para se transformar em estádio de Copa do Mundo. Só voltará a receber jogos em março de 2013, se os prazos desta vez forem cumpridos.

Assim, quem deixar o clássico em vantagem no placar terá sido o protagonista do último capítulo da atual versão do Joaquim Américo. Um gosto que tanto os anfitriões rubro-negros quanto os visitantes alviverdes adorariam saborear.

O Coritiba já teve o privilégio de vencer o primeiro Atletiba do estádio: 2 a 1, no dia 28 de novembro de 1999, pela Seletiva da Libertadores – a vaga, porém, ficou com o Atlético. Ao todo, foram 19 clássicos na Arena, com sete vitórias atleticanas, sete empates e cinco triunfos do Coxa.

Vista panorâmica da parte interna da Arena da Baixada: Atlético tenta se despedir do estádio em grande estilo, enquanto o Coxa joga para pregar nova peça no rival
A conclusão da Arena teve suas obras adiadas inúmeras vezes até finalmente começar em câmera lenta, no dia 4 de outubro, no terreno ao lado que antes abrigava um colégio. Protelado, o trabalho deu um tempo extra para o Furacão dentro de seu caldeirão, pois as primeiras previsões indicavam que o clube não terminaria o Brasi­leiro atuando lá dentro.

A crise técnica que levou o time à rabeira da tabela desde a primeira rodada, aliada à falta de dinheiro para pagar os custos da construção, ajudou a convencer a diretoria a não fechar o estádio antes.

A solução para os cofres vazios surgiu de uma engenharia financeira envolvendo o dono do estádio e o poder público. A prefeitura cederá papéis imobiliários – o potencial construtivo – no valor de R$ 90 milhões para o clube. O Furacão, por sua vez, se encarregará de usar esse trunfo para pedir um empréstimo de R$ 123 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), intermediado pela Agência de Fomento do governo paranaense.

Essa ponte é obrigatória, pois o BNDES não aceita os documentos da prefeitura como garantia do financiamento. Isso significa que, caso o Rubro-Negro não honre a dívida, o governo estadual terá de vender os documentos para “fazer dinheiro”. Outros R$ 57 milhões terão de ser levantados pelo Atlé­tico para bancar a sua parte nos R$ 180 milhões necessários para adaptar a Baixa­da às exigências da Fifa.

Para o clássico deste domingo, a capacidade do estádio é de 28 mil torcedores, a maioria atleticanos preocupados com o futuro próximo do clube. Se perder pontos para o rival, o Furacão terá de mandar seus jogos como inquilino na luta para voltar à elite – seja na Vila Capanema ou no Couto Pereira. Um desafio extra para um caminho já árduo, desgastante e sem brilho.

A expectativa dentro do Atlético, então, é evitar a catástrofe da queda para ter tranquilidade na sua temporada de desabrigado. E para garantir público pensando na Arena “internacional”. Quando os portões forem reabertos, as arquibancadas do palco do Mundial em Curitiba terão possibilidade de abrigar até 42 mil pessoas. Garantir a ocupação desses espaços seria mais fácil na Série A.

Do outro lado do maior clássico do futebol local, carimbar a despedida do estádio seria a cereja do bolo para os coxas-brancas. Até porque o segundo triunfo seguido no campo do rival valeria a vaga na Libertadores e a continuidade do tabu no clássico: o Alviverde não perde para o Rubro-Negro desde 5 de maio de 2008 – 11 jogos. Lá, no reduto adversário, deu três voltas olímpicas, em 2004, 2008 e 2011.

 

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