Matérias / Irati de Todos Nós

19/03/13 - 16h15 - atualizada em 21/03/13 às 17h23

A felicidade não faz aniversário - Parte I

José Maria Grácia Araújo                                     


Em um sábado, dia 23 de fevereiro, um grupo de jovens da terceira idade me convidou para acompanhá-los em um passeio até a belíssima cidade de Antonia, em nosso litoral. Na realidade este convite me foi feito através do amigo Alfredo Van Der Neut. 


A saída de Irati foi marcada para as 05h00min da madrugada de sábado, de fronte ao Clube Polonês. Como sempre acontece comigo, já desde a sexta-feira comecei a me programar para que nada acontecesse de errado com a minha participação no alegre evento. 

Escolhi a roupa que vestiria, o que comeria no café da manhã, vistoriei e separei a minha máquina fotográfica, verifiquei se tinha na carteira uma importância suficiente para alguma emergência ou guloseimas litorâneas, acertei o meu despertador para me tirar da cama, pelo menos, uma hora antes do horário estipulado e, mesmo assim, solicitei ao Alfredo que me ligasse de sua chácara assim que tivesse levantado, pois ele havia prometido me apanhar em meu rancho a fim de irmos até o local da partida. 


Fomos os últimos que chegamos e o microônibus já estava com o motor ligado e com vinte e cinco outros companheiros e companheiras de viajem em seus devidos lugares. 

Como merecido castigo nos restavam apenas lugares na última fila de poltronas do veículo, mas não reclamamos. Comigo, o Alfredo e sua esposa e neto, completamos vinte e oito, felizes e afoitos adolescentes, cujo espírito relutantemente se nega a envelhecer. Ao som das palavras de duas ou três orações, puxadas por uma companheira de viagem, partimos alegres e esperançosos de termos nossas vidas vigiadas por entidades de nossa devoção. 

Passamos por Palmeira por volta de seis horas da manhã e chegamos à Curitiba um pouco antes das oito, que era o horário marcado para a saída da litorina que nos levaria ao nosso destino: Morretes 

Bem, agora então, é que desejo narrar a todos os amigos ouvintes que ainda não tiveram essa maravilhosa oportunidade de transitar de litorina pelo trecho ferroviário compreendido entre Curitiba e Morretes, atual ponto final dessa modalidade de passeio.


A Ferrovia Curitiba-Morretes guarda inúmeras histórias que principiam com sua construção. O primeiro projeto deveria ligar o litoral do nosso Estado ao vizinho Paraguai, porém não deu certo. 

Em 1880, então começou a sua construção que durou cinco anos. A obra foi bastante ousada para a época, pois além de moderna se comparada aos recursos tecnológicos que se possuia naqueles anos, foi uma das primeiras em todo o mundo a ser realizada com mão de obra escrava. 

Foi inaugurada em 1885, em Paranaguá, por D.Pedro II. Com mais de 40 pontes e inúmeros túneis. Hoje as suas atividades se dividem entre o turismo e o transporte de cereais e minerais. Bem, visto isso, voltemos ao nosso grupo, que já estava bastante agitado e conversador. 

Assessorados por belas e competentes guias turísticas, transitamos inicialmente pelos arredores da Estação Ferroviária da nossa capital Curitiba, o que nos proporcionou o reconhecimento de alguns pontos turísticos, tais como as dependências do Jardim Botânico Paranaense que nos dias de hoje é administrado com muita competência pela Empresa O Boticário. 

Sempre tocando seu apito ao passar nos cruzamentos, o trem seguiu vagarosamente passando por bairros mais afastados de Curitiba, pequenos sítios, pelas nascentes do Rio Iguaçu que forma o complexo das Cataratas do mesmo nome até atingir algumas cidades da zona metropolitana de Curitiba, como Pinhais e Piraquara. 

Piraquara, que em Tupi-Guarani, significa “toca do peixe”, assim como Pinhais, faz parte da Região Metropolitana de Curitiba, e localizam-se nas encostas da Serra do Mar e possuem centenas de nascentes que dão origem ao Rio Iguaçu.

Passamos por duas represas, sendo uma delas a do Ipiranga, até atingirmos o primeiro túnel da ferrovia, chamado Túnel Roça Nova, que é o mais elevado de todo o trajeto, ficando a 955 metros acima do nível do mar. Então a escuridão foi total, com seus 457 metros de extensão e sem nenhuma iluminação interna, fez com que a escuridão fosse tanta que nada dava para enxergar, sequer a pessoa que estava sentada a nosso lado. 


A natureza é um dos maiores atrativos da viagem. Nosso país possui hoje apenas 7% de Mata Atlântica, sendo que 4% delas se encontram nesta região do nosso Estado. A sua impressionante beleza impressiona aos passantes e, por isso, o trajeto Curitiba-Morretes é o segundo roteiro turístico mais visitado do Paraná, perdendo apenas para as Cataratas do Iguaçu. 


Os demais atrativos deste trecho do passeio são:

- Véu da Noiva – Nome dado a uma cachoeira do Rio Ipiranga que possui 70 metros de altura, um dos pontos mais cobiçados para se obter uma bela foto. 

- Santuário de N.S. do Cadeado – A história conta que neste local existia uma moradia dos operários que trabalhavam na obra da ferrovia e que ao acabarem o trabalho, eles decidiram deixar ali uma imagem de N. Senhora que os acompanhava por todos os lugares onde fixavam pousada, e assim, foi criado o santuário. Para os aventureiros que desbravam a Serra do Mar a pé, transitando pelas Trilhas do Itupava, o Santuário serve como mirante para a observação da farta natureza que existe no local. 


Por falar no Caminho do Itupava, não posso deixar de lembrá-los, prezados ouvintes, que ele é uma trilha de um grande significado histórico que, entre 1625 e 1654, foi aberta para ligar Curitiba a Morretes. O trabalho de sua abertura foi executado por índios e mineradores e seu revestimento de pedras foi feito pelos escravos. 

Durante, aproximadamente, 300 anos este tipo de caminhos eram as únicas trilhas existentes que davam acesso entre a costa e o planalto e que, posteriormente, deram origem as rodovias e ferrovias que impulsionaram o progresso do Paraná. Em 1885, quando o Caminho do Itupava foi então abandonado, iniciou-se a ocupação dos Campos de Curitiba. 

- Ponte São João – É uma obra arquitetônica de tirar o fôlego. Foi inaugurada em 1885. Na época foi considerada uma das grandes perolas da engenharia brasileira e um fato muito curioso que conta-se sobre ela é que foi o próprio D. Pedro II que lançou a sua pedra fundamental. Com 110 metros de comprimento e 55 metros de altura, faz parte do patrimônio cultural do Estado e, certamente, é o principal cartão postal da viagem.

- Pico do Marumbi – A estação Marumbi é, atualmente, a única que ainda é usada para embarque e desembarque de passageiros. Infelizmente, devido aos descuidos das empresas que mantém a ferrovia, as outras estações já foram totalmente desativadas. Esta estação foi mantida ativa devido ao grande número de passageiros que visitam o Parque Estadual do Pico do Marumbi para praticarem escaladas ou mesmo para simplesmente acamparem no local. A visão do local é maravilhosa. Segundo alguns visitantes, que já estiveram por lá, subir no Pico do Marumbi e visualizar toda a beleza da Serra do Mar é um prêmio inesquecível. 


Em todo o percurso, entre Curitiba e Morretes, existem aproximadamente 13 túneis de diferentes tamanhos, alguns viadutos e pontes, uma maravilhosa vista do Pico Marumbi e diversas estações, como eu já disse, algumas em boas condições e outras, totalmente, abandonadas. Em alguns trechos da estrada, quando a composição atinge uma longa curva, da janela de seu vagão dá para visualizar e fotografar, outras partes do comboio e até as locomotivas que o conduzem.

Enfim, o passeio do nosso grupo pela Ferrovia Curitiba-Morretes foi, de fato, uma viagem através do tempo. Depois de termos atravessado toda a Serra do Mar, de nossas máquinas fotográficas terem trabalhado incansavelmente, de nossos corações quase terem saído pela boca, de tanto palpitar, finalmente chegamos a estação de Morretes. Morretes nasceu com o nome de “Povoado do Menino Deus dos três Morretes”, baseado na crença católica de seus habitantes e sua situação geográfica, cercada por três pequenos morros, ou morretes. 

Seus primeiros desbravadores foram mineradores paulistas que chegaram à região e por volta de 1646. Além de garimparem no rio Cubatão, hoje conhecido como Nhundiaquara, também buscavam ouro em minas dos arredores de Porto de Cima. Em 1721, o Ouvidor Rafael Pires Pardinho determinou que a Câmara Municipal de Paranaguá demarcasse 300 braças de terra, para que fossem ocupadas pela futura povoação de Morretes. Seu primeiro morador, conta-se, foi João de Almeida e sua família. 

O ouro encontrado por ali, no entanto, foi em quantidade muito menor que a esperada fazendo com que Morretes só prosperasse realmente, no século 19, durante o ciclo da erva-mate. Em 1841, o povoado foi elevado a categoria de Vila e, em 24 de maio de 1869, ganhou o status de cidade, com a denominação de “Nhundiaquara”, voltando a se chamar novamente Morretes em 07 de abril de 1870. 


Hoje, Morretes é uma cidade que surpreende, não somente pela sua belíssima arquitetura colonial, mas também pela sua gente, pela sua calma, pelo seu sossego. Fundada em 1721 nos dá a impressão que parou no tempo. Com seus casarões muito bem conservados, ruas revestidas em pedras, muitas árvores e uma ótima estrutura turística. 

Mas, apesar de toda a sua belíssima paisagem e cultura local, Morretes é mais reconhecida pela sua gastronomia. O Barreado e muitos frutos do mar. Aos finais de semana, muitas famílias de Curitiba vão até Morretes a fim de saborear suas iguarias. 

O Barreado, por exemplo, é um alimento de origem açoriana e começou a ser preparado já no século 17 e desde essa época ainda preserva todo um ritual, próprio da sua tradição. Ao se abrir a panela do Barreado, solta-se alguns foguetes, para anunciar o início da comilança. Ele é à base de carne, que permanece em cozimento em panela de barro, barreada, por aproximadamente 10 horas e é servido acompanhado de por farinha de mandioca, arroz branco e bananas ao natural. Outra curiosidade mais, também faz parte da cultura gastronômica de Morretes. Rica na plantação de gengibre e bananas, lá é servido um delicioso sorvete de gengibre e um saboroso licor de banana. É pouco ou querem mais. 

No que diz respeito ao artesanato, Morretes possui como principais matérias primas coletados da própria natureza. Licores e doces feitos, artesanalmente, com banana, pêssego, goiaba, mamão, laranja, côco. Peças feitas com palha de milho, cascas de côco, raízes, trocos de árvores caídas e secas, e outros produtos que a própria natureza se encarrega de fornecer aos artesões locais. 


Morretes, também, se destaca por suas inúmeras festas populares, dentre elas, a mais importante é:

A procissão da Nossa Senhora do Porto – que é realizada todo dia 08 de setembro e dedicada a Santa que é a padroeira da cidade. 

Missa às 10 horas e após os fiéis se dirigem para o educandário, onde ocorre a festa da paróquia. Churrasco, barreado e comidas típicas do local, alimentam os moradores que se divertem e se confraternizam. Por volta das 4 horas da tarde muitos vão até suas casas para tomar banho e trocar de roupa, a fim de se prepararem para a procissão em homenagem a Nossa Senhora do Porto. 

Exatamente às 17hs e 45 minutos, os sinos da igreja começam a dobrar, avisando os fiéis que a procissão esta pronta para sair pelas ruas da cidade. A frente da comitiva segue um senhor carregando uma cruz e, logo atrás, um grupo de fiéis com o andor, ao lado de um veículo de som que transmite o entoar das orações e dos cantos do padre e dos demais participantes do couro de acompanhamento.

No que se refere a hábitos e costumes entre os moradores de Morretes, um dos mais populares é o de ficar sentado à frente da porta principal de entrada de suas casas. 

Segundo um antigo morador, de nome Zito, o hábito nasceu já há muito tempo. Conta ele que muitas casas da cidade foram construídas em um nível mais alto do que a calçada para evitar que o barro das ruas adentrassem casa adentro, ou as águas do Rio Nhundiaquara as inundasse. Com o tempo esses degraus foram assumindo mais uma função, a de cadeira ou poltrona. Logo após o almoço ou o jantar os mais velhos se assentam nesses degraus, para apreciar o movimento da rua, enquanto as crianças brincam nas proximidades. Os conhecidos ao passarem a pé, de bicicleta, a cavalo, de charrete, ou mesmo de automóvel, sempre dão uma paradinha para conversar, ou mesmo para uma breve saudação. 

Como não poderia deixar de acontecer, Morretes também é farto em causos e lendas. Sendo uma cidade tão antiga, como é isso é muito justificável. E para encerrarmos esta primeira parte dos relatos do passeio do nosso grupo a Morretes e Antonina, vou lhes contar algumas lendas e causos de arrepiar os cabelos. Tomem um grande copo de água com açúcar, respirem fundo e, me escutem atentamente:


O NEGÃO DO CAIXÃO

Conta-se que na época da mineração no litoral do Paraná, tinha-se o costume de matar um escravo e enterra-lo junto a um baú de ouro para marcar o local onde a riqueza foi escondida. Ocorre que em certa ocasião o baú não foi mais encontrado, forçando o escravo que o guardava carrega-lo pela eternidade toda.

Este enterro foi na região de Barreiros, em Morretes, e até hoje o escravo anda a procura de alguém que lhe ajude a carregar o caixão pela eternidade. É possível, portanto, que quem encontrá-lo pelos becos ou vielas de Morretes, possa ficar com o ouro que ele guarda. 

A lenda diz mais, que quem encontrar um negão alto e forte, carregando um baú em uma noite escura, deve fazer-lhe a seguinte pergunta: “o que você carrega nesse baú?” Ele, provavelmente, responderá: “Eu estou levando ouro dentro do baú e se você quiser tê-lo para você terá de me ajudar nesse sacrifício”.  

Certa pessoa de Morretes contou que já o encontrou e lhe foi pedido que mandasse rezar, em seu nome, 100 missas em uma só semana. Não aceitou, mas ficou sabendo que quem topar fazer o sacrifício, mas não conseguir realizar o prometido, ficará penando, após a morte, no lugar do Negro do Caixão. Porém, se conseguir cumprir a promessa, fica com o ouro todo, com um porém: se não gastar a fortuna até o final de sua vida, também, ficará penando com o Negão do caixão: Quem vai encarar? Se quiser topar me avise que tenho linha direta com o NEGÃO DO CAIXÃO de Morretes.


O BOITATÁ NO BANANAL

De vez em quando os bananais de Morretes amanhecem com diversos faixas no chão, como se fossem estradas abertas na terra. 

Seus moradores explicam que são indícios da presença do Boitatá, entidade que surgiu quando cunhada e cunhado se apaixonam e traem seus respectivos marido e mulher e por isso lhes é rogada uma praga: São transportados em duas bolas de fogo, transformando-se em boitatá e que jamais voltam a se tocar pois, quando se encostam, faíscas explodem e as duas bolas seguem queimando tudo o que está a seu redor. 

Quem os encontrar e não tomar o devido cuidado pode morrer queimado, se for atacado pelas criaturas. O conselho de alguns moradores mais experientes é de permanecer parado e esconder dentes e unhas, que são as únicas partes do corpo que eles conseguem ver. Esta entidade, também, é conhecida como "fogo-fátuo". Durma com um barulho desses.


O SACI DO LITORAL DO PARANÁ

Em muitos lugares, o moleque perneta, chamado de SACI, personagem do folclore brasileiro, é conhecido por suas perversas trapalhadas. Mas, no litoral do Paraná, sua marca está nas surras que dá em suas vítimas. 

Dentre os casos que me foi relatado, nesta minha passagem por Morretes, está o de um senhor que, quando ainda jovem costumava ir namorar sua amada pras bandas da Mata Atlântica. Muitos o preveniam sobre a maldade do SACI, mas ele sempre dizia que não tinha medo e que se o encontrasse saberia muito bem como enfrentá-lo. 

Porém um dia aconteceu! Levou uma surra bem lá no meio da mata, se que pudesse ter visto quem o espancará, pois um dos poderes do Diabinho do SACI é o de poder ficar invisível. Nosso amigo, não satisfeito, resolveu voltar para a mata e enfrentar novamente o dito cujo. Dizia que em uma segunda chance iria esmurrá-lo pra valer. Apanhou outra vez e, então, aprendeu a respeitar a entidade maligna.

Outro causo que me contaram em uma roda de prosa, foi o de um jovem que quando voltava para casa, após uma noite de biritas, levou uma chicotada do SACI. Assustado entrou em casa, e até o dia amanhecer ouviu os assovios do desgramado do perneta que perambulava pelo seu quintal.

Segundo os moradores de Morretes e de Superagui, é pelo assovio que se consegue descobrir que o SACI está por perto. Dizem que ele tem um assovio duplo e curto, um aspirar e um expirar que soam fino e forte, dentro da noite. 

Conta-se, também, que outra forma de visualizá-lo é quando está em seu segundo corpo, pois a noite ele tem a forma de um menino negro perneta, mas durante o dia, transforma-se no Fin-Fin, um pássaro negro que habita as florestas e que é muito difícil de ser encontrado. Isso acontece porque o assovio do Fin-Fin parece estar bem próximo de nós, ele está é muito distante e vice versa. Além disso, ele não morre. Pode-se esmagá-lo debaixo de uma pedra, mas tão logo ela é retirada de cima dele, ele não está mais lá e seu canto volta a ser ouvido no fundo da mata.

Mas se você, meu amigo, ou amiga, ouvinte que seja muito corajoso, quiser encontrar o Fin-Fin e, consequentemente, o SACI, deverá entrar na mata durante a noite e, com muita perícia, imitar o seu assovio. Com isso, ele se aproximará e te concedera três desejos, que não são como aqueles próprios do gênio da lâmpada. Os desejos concedidos pelo Fin-Fin ou pelo SACI são desejos de vingança, como o de dar uma surra em algum suposto inimigo seu. Topas? É só me informar, tenho uma linha direta com ambos os diabinhos da mata.


O VÉU DE PINGO D’ÁGUA

O nome da mais famosa cachoeira do nosso litoral, O Véu da Noiva, é explicado através de uma lenda indígena. Conta uma velha lenda que o pai de Pingo d’Água, uma bela índia, certa vez a chamou e disse que ela estava prometida para Pucaerin, um bravo caçador pertencente a uma tribo vizinha. A jovem assustada, disse a seu pai que não amava o valente índio, e sim Itaerê. Chorou muito e pediu que seu pai mudasse de idéia e respeitasse seu amor por Itaerê. Seu pai ficou com o coração partido, mas não mudou de idéia, pois o casamento era importante para que houvesse paz entre as tribos.

Pingo d’Água ainda pediu forças ao Deus Tupã, e a Deusa Jaci, na esperança de que seu destino pudesse ser modificado. Mas as preparações para os festejos prosseguiram.

Sem a atenção dos Deuses, a bela indiazinha rezou para que Itaerê descobrisse o que estava acontecendo e viesse buscá-la para que juntos fugissem para a Terra dos Pinheiros. Mas ele também não apareceu e Pingo d’Água teve de vestir-se de noiva.

Quando o grande chefe iniciou a cerimônia e ordenou que trouxessem a noiva, Pingo d’Água não apareceu. Não estava na sua oca ou, mesmo em qualquer outro lugar da aldeia. Todos saíram a sua procura.

Um dos índios achou o seu rastro perto da mais bela cachoeira das vizinhanças da aldeia, de onde as águas caíam de grande altura. Mas próximo a ela o rastro misteriosamente desaparecia.

Dias depois, uma criança correu para avisar à tribo que havia um corpo boiando próximo as rochas da cachoeira. Era Pingo d’Àgua, a noiva que morreu pelo amor a outro homem. A cachoeira, então, recebeu o nome de “VÉU DA NOIVA”.

Bem, caros ouvintes, a viagem do nosso grupo de adolescentes da terceira idade não termina por aqui, ainda vamos a Antonia, outra pérola do litoral do nosso estado. Mas este trecho do caminho e de meus relatos, só será possível concluir na próxima semana, quando aqui estaremos mais uma vez, trazendo-lhes sempre um pouco mais das maravilhosas histórias do nosso povo e da nossa gente. Até lá.

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