Matérias / Irati de Todos Nós

12/04/16 - 12h15 - atualizada em 05/05/16 às 17h23

Escola Apostólica de São Vicente de Paulo - Capítulo I

Professor José Maria Grácia Araújo                                         

Prezados e queridos ouvintes do meu programa “IRATI DE TODOS NÓS”, depois de muito pensar, refletir e ponderar, resolvi lançar mãos de um importante e maravilhoso conteúdo histórico relacionado ao nosso querido município de IRATI, cujo desenrolar está gravado indelevelmente, tanto no magnífico livro IRATI – Congregação da Missão, do meu amigo o nobre saudoso professor, José Maria Orreda, como e também, gravado e armazenado em minha então, ainda jovem e ativa memória de um dos primeiros aluno do GINÁSIO DE SÃO VICENTE DE PAULO.

O Meu boa tarde a todos vocês prezados ouvintes, desejando-lhes muita paz, harmonia em seus lares e em seus corações.

A história que lhes vou relatar em meus próximos programas, é fruto do esmero e carinho do saudoso Professor José Maria Orreda, somado á minhas lembranças juvenis, e servirá também como uma homenagem aos dedicados cidadãos iratienses que estão, em nobre missão, revitalizando este que é um dos mais antigos e importantes estabelecimentos de ensino do nosso querido RIO DE MEL – IRATI, o COLÉGIO SÃO VICENTE DE PAULO.


Esperando que todos vocês, prezados ouvintes, como sempre o fazem, continuem me acompanhando, não somente nestes próximos programas, como também, em todos os demais que pretendo vos oferecer até que minhas forças me impeçam de dar continuidade a esta missão que desenvolvo apoiado e prestigiado por esta nobre emissora RÁDIO NAJUÁ, que é a de enaltecermos e divulgarmos a rica e maravilhosa historia da nossa querida IRATI.

Então vamos lá!


 A plataforma vazia concentrava o mistério da noite e o segredo do silêncio. Uma pequenina lâmpada ao lado do sino de bronze. Os trilhos eram dois filetes de prata na raiz da Serra da Floresta. Cansa dos do trabalho, porém fortalecidos pelo triunfo do dia, os operários tomavam uma suculenta sopa. No Hotel Veiga a cozinheira fritava linguiça. No Hotel Estrela a tenue luz mortiça no delírio do primeiro andar. No Hotel Brasil, aguardente do reino. Um quadro do Primo Araújo. Um poema de Dona Olga Zeni. Uma tela a óleo do Mestre Rozinha. Madalena e Fabiana seguravam minhas mãos. Quase chovia. Há noventa e um anos, na mesma hora e local, chegava o Padre Sebastião Mendes.

Irati nem sequer era paróquia, ainda tinha dependência de Imbituva. E já teria uma ESCOLA APOSTÓLICA. Padre Tadey e Padre Gonzales haviam demonstrado as razões da escolha do sul do Paraná para o empreendimento e haviam conseguido o apoio da comunidade iratiense.

A Capela de Nossa Senhora da Luz, encontrava-se na Praça da Bandeira, o Club Internacional na Rua Velha, Nho Ministro dizia versos na porta do cinema, o ciclo da batatinha inglesa começava, os pinheiros eram tão altos que bugiu em jejum não subia, Flitz Neumann morava na Campina, Juca Paulista no Bom Retiro, Alexandre Bufrem em Itapará, Manoel da Cruz Nascimento e Nho Jeca de Andrade no Irati Velho, Bonifácio Faceiro fazia chicote como artesão de verdade, Nho Joaquim de França caçava anta no Rio do Couro, Benedito da Cruz abatia pacas na Serra dos Nogueiras, o Toríbio se vestia de urso para o corso na Rua Munhoz, o Candinho era cantor da madrugada, Dona Albertina Nascimento dos Santos era professora, a bandinha do Abílio Bastos fazia sucesso nas festas de igreja, o Grego vendia peixe, Guiomar Pimenta vendia retrato no poleiro do Circo do Nhô Bastião, o Chico do Hospital com seus cavalos brancos refletiam seu perfil na aurora da Rua 19, não havia Padre no Iraty. Nossa Senhora Bendita! Lembrei-me que o trem chegaria em alguns minutos, quando ouvi o seu apito na curva das serrarias.


 






 A Santa do Morro virou-se no pedestal para ver de frente aquele instante de enlevo. O Padre Motta, quase sufocado pelos meninos, traduzia frases para o latim. Quem é o orador designado? Alguém perguntou. O Coronel Pires, por delegação de Nho Pacífico Borges, Nho Esculápio, Nho João Thomaz, Nho José Monteiro, Nho José Pacheco, Nho Pacífico Ribas da Lagoa, Nho Olimpio de Maraes do Irati-Velho e o povo todo de Iraty. O Coronel Zeferino entregará a chave da cidade ao Padre Mendes. Coronel Sabóia, João Batista Anciutti, Caetano Zarpellon, Coronel Grácia, Emilio Gomes, Theodoro Cichewicz, José Smolka, Julio Vieira Lisboa, Cesário Fortes, Dona Rosalina. Dona Maria Ferrari, Dona Mercedes, Dona Maria Vaz, Dona Gertrudes, Dona Virginia, Dona Helena, Dona Angela aguardavam o ilustre Padre visitante. Gumercindo Esculápio ao sentir a elevação do momento, desembainhou a espada e fundou o Correio Do Sul para registrar a dimensão humana daquela jornada. A Banda do Padre Pacheco começou a tocar um dobrado. Quase 500 alunos haviam ocupado todos os espaços vazios. Indios Iratyns queriam curtir o instante mágico do sonho dourado. O trem apontou e preparou-se para atracar no cais da estação, nas rodas o segredo das estepes, no coração do viajante, a paz do infinito, a luz do horizonte, a noite se tornou dia e todos o abraçaram, o amor e a esperança triunfaram. Estavam todos ungidos de santa sabedoria. O Coronel Zeferino, com a chave da cidade na mão, era quase um São Pedro. Padre Mendes, pise firme que o chão é nosso, disse um homem gordo, forte e seguro. Ao descer, o bom Padre exclamou: “VIM PARA FICAR, AQUI É A ANTE-SALA DO CÉU!”

Gostaram, meus prezados ouvintes? Acredito que sim, não é mesmo? Pois este é só um poético peâmbulo da história que virá a seguir. Relatos que nos apresentarão a histórica trajetória da implantação, em Iraty, ainda com “Y”, da Escola Apostólica de São Vicente de Paulo, atualmente, Colégio Estadual de São Vicente de Paulo.

Coincidentemente, inserido neste apaixonante histórico, eu José Maria Grácia Araújo, apareço como um jovem ainda na flor de sua idade que por motivos familiares, ingressou no ainda seminário São Vicente de Paulo, em 1948, sob a expectativa frustrada de que seguisse a trajetória sacerdotal. Quem diria? Como todos podem deduzir, não deu certo.

Mas, com a permissão de vocês, meus caros e assíduos ouvintes, vou adentrar de imediato nesta bonita e importantíssima iniciativa da Congregação da Missão, apoiada pelos cidadãos iratienses dos anos 20.

Durante a Assembléia Provincial realizada em Petrópolis no final do ano de 1925, foi proposto e aceito por unanimidade a iniciativa da Congregação de fundar uma nova escola a ser construída no Sul do País.

Pouco tempo depois, por indicação de Dom Fernando Taddey, então superior do Seminário de Curitiba e do Pe. Manoel Gonzales escolheu-se a Vila do Iraty (ainda com “Y”), no estado do Paraná, para tão importante iniciativa religiosa/educacional.

No inicio de abril do mesmo ano, o Pe. Manoel Gonzales que exercia as funções de Mestre de disciplina religiosa no Seminário de Curitiba, veio a Iraty participar dos atos litúrgicos da Semana Santa, com o propósito de lançar a idéia da fundação da Escola Apostólica em nossa jovem cidade. Grande foi o entusiasmo dos iratienses, que prometeram ajudar a tão nobre empreendimento. O terreno seria doação da municipalidade.

Diante destas notícias, o Conselho Provincial no Rio de Janeiro, aceitou a Vila do Iraty para a sede da futura Escola Apostólica. Porém, dizia-se que em Iraty não havia água, pedra ou sequer areia.

Por determinação do Pe. Eugênio Pasquier, visitador da Província, no final do mês de maio, daquele ano de 1925, chegava a Iraty o Pe. Francisco Pimenta, Superior de Petrópolis, para verificar as condições e recursos disponíveis, acompanhado do Pe. Fernanbdo Taddey. Constatou-se, então, após algumas visitas ao local escolhido, que haviam duas aguadas: uma nascia no próprio terreno destinado à Escola e não muito longe do ponto em que deveria ser construído o edifício; uma outra vinha de um pouco mais longe, uns seiscentos metros aproximadamente e passava a uma distância de duzentos metros do local. O Pe. Pimenta voltou muito satisfeito para Petrópolis. E como nada mais havia que impedisse a execução do projeto, o Visitador transferiu para Iraty o Pe. Sebastião Mendes, que se encontrava na Bahia, considerando-o apto para acompanhar e dirigir os trabalhos da Escola.

Decorreram dois anos e seis meses da abertura da Escola, tempo em que, dirigidos pelos Pes. Sebastião Mendes e José Maria Silva Pe., auxiliados competentemente pelo Pe. Francisco Souza desenvolveram-se com rapidez os trabalhos de construção do tão esperado prédio.

Linda história, não é mesmo caros ouvintes? Estão gostando, não é mesmo? Então vamos em frente!

O Pe. Sebastião Mendes partiu da Bahia no dia 21 de junho de 1925, passando pelo Rio de Janeiro e seguindo para Iraty, via Paranaguá. Chegou em nossa cidade, em uma de suas datas mais importantes, dia 15 de julho daquele mesmo dourado ano de 1925, data do aniversário do nosso Município, tendo sido recebido na nossa pequenina estação de trens, pelo então prefeito Coronel Zeferino Salles Bittencourt, vindo a hospedar-se no Hotel Veiga.

Já, no dia 20 daquele mesmo mês de julho de 25, Pe. Sebastião Mendes passou a residir em uma casa cedida pela Prefeitura, de propriedade do Coronel Júlio Vieira Lisboa, ao lado da igreja velha, na Rua Mal. Deodoro.

O nobre padre, durante algum tempo alimentou-se ma casa de D. Maria Vaz, sua vizinha. Depois veio a contratar os serviços culinários de D. Gertrudes.

Desde os primeiros dias, o padre entregou-se aos encargos paroquiais, não se esquecendo da sua principal missão que era a construção do prédio destinado a Escola Apostólica. No dia 29 de julho, foi então escriturado o terreno da escola, adquirido pela importância de R$ 9:056$000 (Nove contros e cinquenta e seis mil reis) doados pelo município e cidadãos iratienses, conforme havia sido prometido. No dia 17 de agosto chegaram os operários, vindos de Curitiba, e logo se iniciou a obra dos alicerces. Como estivesse sendo difícil conseguir-se grandes quantidades de tijolos, o Pe. Mendes comprou, em dezembro de 1925, a olaria de propriedade do sr. Luiz Fillus, situada no Nhapindazal, pela quantia de R$ 12.062$000 (Doze contos e sessenta e dois mil reis)

Em Dezembro de 1926, o Pe. Sebastião Mendes deixou Iraty para assumir a direção da Província da Congregação em Portugal. Durante os 18 meses que permaneceu em Iraty, as obras do Colégio ganharam o impulso necessário para sua breve conclusão.

O Pe. Que veio substituir o Pe. Mendes chamava-se José Maria Silva e chegou a Iraty em Fevereiro de 1927, dedicando-se, porém, com mais empenho aos encargos da paróquia de N.S. da Luz, então ainda, ocupando espaço junto a Praça da Bandeira.

A direção dos trabalhos de construção da Escola ficou por conta do Pe. Francisco Souza, que desde os primeiros dias tinha se tornado o principal assessor do Pe. Sebastião Mendes, que recente mente tinha partido para Portugal. Pe. Sebastião vinha frequentemente a Iraty, supervisionar a obra. Durante todo o ano de 1927 muito se fez para tornar o prédio em condições de abrigar a Escola Apostólica. Neste período, adquiriu-se mais duas áreas anexas, com a finalidade de aumentar as dimensões da propriedade. Em outubro do mesmo ano de 1927, o Pe. Eugênio Pasquier, desejando informações seguras a respeito do andamento da obra, sobretudo se a casa poderia receber alunos no início do ano letivo de 1928, enviou a Iraty o Pe. Carlos Calleri. Ao regressar, o emissário apresentou um relatório totalmente favorável a questão, sendo então designado como o seu primeiro diretor.

Um outro sacerdote de nome Vicente Peroneille, diretor do Seminário se Petrópolis, foi então nomeado, em dezembro de 1927, para instalar a Escola Apostólica de Iraty. Ele deixou Petrópolis no dia 7 de janeiro do ano seguinte,.1928, chegando a Iraty, via Paranaguá, no dia 18 daquele mesmo ano. Veio acompanhado pelo Irmão Clérico Estevam Gubata, sendo recebido na Estação Ferroviária pelo Pe. Silva e Pe. Souza e hospedou-se na Casa Paroquial. Nos dias que se seguiram, foram tomadas as primeiras providências para o inicio das tão esperadas aulas, previsto para o dia 1º de março de 1928.

Fez-se, então, a pintura de algumas instalações já concluídas e encomendou-se os móveis necessários, enquanto o Pe. Souza instalava a rede elétrica. No dia 20 de fevereiro, a Escola já estava semi-acabada, então o Pe. Peroneille benzeu-a, acompanhado dos irmãos Estevam e Bailleul, dando residência ao novo edifício. Três dias depois chegava a Iraty o Pe. Pasquier, tendo recebido a prestação de contas da administração precedente, pois a seguir os encargos da obra seriam atribuições do seu novo diretor, enquanto o Pe. José Maria Silva continuaria a atender serviços da paróquia. Como alguns setores ainda exigiam atenções deliberou-se o adiamento do inicio das aulas para o dia 08 de março. Então o Pe. Eugênio Pasquier pode determinar a conclusão da frente do prédio e tudo aquilo que se achava por concluir no andar terreo, inclusive o páteo externo e demais instalações complementares.

O primeiro ano letivo da Escola Apostólica iniciou no dia 8 de março, encerrando-se em 15 de agosto daquele ano de 1928. Inicialmente, compareceram 8 alunos e logo a seguir mais 2: Aleixo Francisco Rosot, Aleixo José Rosot, Anselmo Mazurkiewicz, Eduardo Klosowski, Felix Biudziak, Felix Obrzut, João Czekalski, Casemiro Spyra e Eduardo Spyra. Os primeiros professores desta primneira turma de apostólicos, foram: Pe. Vicente Peroneille, Irmão Estevam Gubata e Pe. Luiz Gonzaga, O calendário escolar, daque ano, foi organizado de forma que nos cinco primeiros meses, com quatro aulas diárias, cumpriu-se todo o programa de LATIM. Alguns meninos que estavam bastante atrasados na matéria de português, foram recuperados e já em agosto prestaram exames bastante satisfatórios. As férias puderam, então, ser marcadas entre os dias 15 de agosto a 15 de setembro. No ano seguinte (1929) muitas melhorias mais foram realizadas no prédio e em seu exterior. No dia 7 de Março foi ligada a energia elétrica, estendendo-se as linhas que vinham somente até a altura do Clube Alemão (Ginásio Irati) fazendo-a atingir o prédio da Escola. No mês de março, daquele mesmo ano de 1929, iniciou-se a canalização da água que seria tirada da represa a chegaria a caixa d’agua do prédio principal e que estava situada no forro em cima do dormitório dos alunos, serviços estes executados pelo sr. Augusto Salmon. Foi contratado, também, os serviços do sr. Carlos Spech, que chegou a Iraty no dia 8 de junho com sua turma de pedreiros e serventes, que exatamente no dia l9 de julho daquele importante ano de 1929, Dia de são Vicente de Paulo, foram colocadas sobre o altar da capela as imagens de São Vicente e Nossa Senhora da Luz. No refeitório foi colocada a imagem de Santa Luiza de Mirallac e no dia 19 de julho, sem determinação prévia, hastearam uma bandeira brasileira, acompanhada de um ramo de folhas, na cumieira do setor que ficava sobre a capela da tão sonhada ESCOLA APOSTÓLICA DE SÃO VICENTE DE PAULO.










Bem, meus amigos ouvintes deste meu programa IRATI DE TODOS NÓS, todo esse belíssimo relato histórico que acabo de lhes apresentar, que nos remete aos meados da década de 20, do século passado, é apenas o primeiro capítulo deste enredo maravilhoso. Desta forma, desejo desde já deixar o meu convite para que estejamos juntos novamente no próximo sábado, neste mesmo horário, para darmos sequencia a este que é um dos mais importantes episódios da história da Educação religiosa e leiga do nosso querido Rio de Mel – Irati. Até lá!
 

         

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