Matérias / Irati de Todos Nós

28/03/12 - 00h44 - atualizada em 28/03/12 às 01h07

Médico de família VI

O Programa Irati de Todos Nós é idealizado por José Maria Grácia de Araújo e vai ao ar pela Najuá AM, todos os sábados, às 14 horas
Já sei... Já sei... Zé Maria! Você quer começar o teu programa com mais um dos meus causos, não é mesmo?

Pois é, doutor Fornazari, o nosso último programa iniciou com um poema em homenagem ao senhor e a todos os abnegados médicos de família, que atenderam a nossa população. Recebi, então, muitos pedidos de ouvintes para que não deixasse de lhe solicitar que conte sempre um de seus “causos” ao inicio dos meus programas.
 
Porém, antes que o Doutor inicie a sua prosa, quero desejar, em seu nome, em nome desta emissora e em meu próprio nome, um Boa Tarde a todos os nossos maravilhosos ouvintes de todos os sábados, com muita paz, harmonia e amor em seus lares e em seus corações.

Agora sim, doutor Fornazari, vamos então, atender a vontade soberana dos nossos ouvintes. Qual o causo que o senhor reservou para este sábado?

Zéca Maria, no programa passado, muito emocionado, eu falei sobre a Mãe de Irati, Nhá Pierina – parteira e seu esposo Sr. Ângelo Nadal, e para não deixar o assunto esfriar, o causo que vou contar hoje é sobre Seu Ângelo Nadal, sua “fubica”, conhecida como “cegonha” e a “Maria Fumaça” de Irati.

Angelo Nadal x Maria Fumaça


Certo dia fui chamado para atender a um acidente ocorrido próximo ao meu consultório. O marido da parteira Nhá Pierina, seu Ângelo Nadal, ao atravessar a passagem de trem da Rua XV de Julho com sua “fubica”, conhecida como “cegonha”, não viu que a “Maria Fumaça”, perigosamente, se aproximava. O maquinista acionou os freios, mas mesmo assim a composição arrastou a “cegonha” por uns cinco metros. Seu Nadal levou um tremendo susto.

Cheguei ao local do acidente, que já estava com uma multidão de curiosos ao redor, e encontrei Seu Nadal vermelho como um camarão em água fervendo, o que me preocupou muito, pois ele era hipertenso. Nervoso o velhinho esbravejava com o maquinista.

Perguntei a Seu Ângelo: - Mas o senhor não viu o trem vindo?
E ele me respondeu todo atrapalhado, apontando para o maquinista da locomotiva: Esse filho da pita, nunca aputa!!! Todos os presentes caíram na gargalhada, inclusive o próprio acidentado, Senhor Ângelo Nadal.

Dr. Fornazari, vamos dar um tempinho para que nossos ouvintes se recuperem das gargalhadas que, com certeza, estão dando por mais este hilariante causo que o senhor nos contou.

Bem! Pronto! Acredito que todos já se recompuseram, podemos então dar continuidade ao assunto que o senhor nos trás para o programa de hoje. Qual é ele Doutor?

Bem, amigo Zé Maria, já falei muito sobre serviços médicos, consultas, operações e outras atividades que desenvolvi em meu tempo de médico da família iratiense. Como não sou de ferro, hoje vou falar um pouco sobre o meu lazer preferido: AS CAÇADAS.

Otto Smoger, Julinho Wasilewski, Jorge Hilgemberg


Já estou até prevendo, doutor, quantas aventuras o senhor tem para nos contar sobre esse assunto, tão próprio daqueles anos em que nossas matas e campos eram povoados por infindáveis espécimes de pássaros e animais de silvestres.

Pois, amigos ouvintes, o único hobby que eu tinha eram as caçadas, que fazia junto com meus amigos Otto Smoger, Julio Wasilewski, Julio Michinski, Jorge Hilgemberg, Mariano Gontarski, Ariosto e Fernando Phol, Jango Grechynski e Ricardo Hirsr, isso nas décadas de 50, 60 e 70.

No mês de maio era aberta a temporada de caça e ficávamos como “cachorros na corda”, ansiosos para ir caçar. Geralmente íamos aos campos do Pinhão, próximo à Guarapuava, onde caçávamos codornas e perdizes. As caças naqueles tempos, Zé Maria, eram muito fartas.

Essa era uma das poucas oportunidades que eu tinha para me despreocupar, era uma temporada em que eu reativava minhas forças. Mas, após cindo dias no campo, eu já ficava com vontade de voltar para o meu trabalho, que eu deixara nas mãos de um substituto. Entretanto, nunca achamos que os outros fazem o trabalho igual a nós.

Quando 1º de maio se aproximava, preparávamos as nossas espingardas e munições. Meus amigos ajudavam-me, pois eu não tinha muito tempo. Durante o ano, eles levavam meus cães perdigueiros para se exercitar, senão ficavam muito gordos e teriam dificuldades para correr no campo, cansariam com facilidade. Aí, então, fazíamos as compras de mantimentos. O Julinho Wasilewski, que tinha uma padaria, preparava um pão especial, com bastante banha para que não ficasse duro. Era pura banha, mas era gostoso. Também levávamos carne e lingüiça, para no primeiro dia de caçada fazer um churrasco.

Jeep Willys – Velho de Guerra
MEU JIPINHO DE GUERRA

Eu conseguia chegar a lugares de difícil acesso, no meio do mato, graças a um valente jeep de guerra, Willys 1948, que não quebrava nunca. Ele, também, foi de grande utilidade no começo de minhas atividades como médico em Irati, nos anos 50. Com ele eu conseguia fazer o atendimento às famílias rurais mais remotas do município.

Esse meu jipe não tinha macaco, pois o haviam roubado, mas como  tinha muita força muscular, quando ainda jovem, eu mesmo levantava o veículo para efetuar a troca de pneus. Levantava o veículo e colocava em toco debaixo do rodado e efetuava a troca do pneu.

Em nossas viagens para o Pinhão, saíamos de madrugada, passando pelo município de Inácio Martins, pegávamos a estrada do Zattar, que era bem conservada e, finalmente, chegávamos à vila do Pinhão.

Quando o tempo estava ruim, não íamos diretamente à fazenda onde costumávamos caçar, que se localizava a uns 40 quilômetros da vila; pousávamos, então, no hotelzinho do amigo Vasco, um homem formidável, que era manco de uma perna. Chegávamos sempre cansados, dávamos de comer a cachorrada, nos lavávamos e íamos dormir. No dia seguinte, saíamos bem cedo para poder chegar na fazenda do seu Bento Faustino na hora do almoço. Nhô Bento e sua esposa Nhá Chica eram meus clientes. Operei Dona Francisca de um cisto no ovário que continha, pelo menos, uns 8 ou 9 litros de líquido.

Chegando lá, enquanto uns armavam a barraca, outros montavam a cozinha, coberta com uma lona presa em alguns galhos de árvores e, então, já começávamos a preparar o esperado almoço, pois a essa altura todos já estavam com uma fome danada.

Wasilewski, Fornazari, Michinski, Smoger, hilgemberg e seus “Pecas”


O nosso cozinheiro era o Julinho Michinski, um grande amigo meu. Ele levava um avental branquinho para cozinhar, porém, já no terceiro dia da caçada, ele já o vestia pelo lado do avesso, de tão sujo que ficava. Tudo isso, Zé Maria, enriquecia as nossas saídas para caçar.

O Michinski, também, trazia uma gamela de madeira para lavar os pés, pois tomar banho de corpo inteiro, só se fosse de rio. Ele colocava água quente no recipiente lavava seus pés e, com toda a humildade, se oferecia para lavar os meus também. Como estávamos entre amigos eu aceitava, de bom grado.

Em pé – Otto, Fornazari, Julio Michinski. Sentados – Ariosto e Mariano


Era muito especial e gostosa a hora do nosso almoço no acampamento. Ocasião em que comíamos tranquilamente entre amigos, tomávamos umas cervejinhas e jogávamos conversa fora. Almoçávamos muito bem, fazíamos uma cestinha e, por volta das 2 ou 3 horas da tarde, saíamos com as espingardas e os cães pelo campo a procura das primeiras codornas e perdizes.

Sabem, senhores e senhoras, ouvintes deste importante programa que o Zé Maria leva até vocês. Quando se meche com armas de fogo sempre temos de ter um cuidado muito grande, por esse motivo, em nossas caçadas, tínhamos regras de segurança para evitar qualquer tipo imprevisto de acidentes. Todas as armas tinham de permanecer “quebradas”, isto é, dobradas e sem cartuchos de munição no seu cano, isso, tanto na chegada, quanto na saída do acampamento. Eram carregadas somente na hora do início da caçada.

Seguíamos atrás dos cachorros, que iam andando alegres pelo campo; de repente, algum deles “amarrava” uma caça, ficando na típica posição dos cães perdigueiros quando se deparam com a presa: Com a calda ereta e, às vezes, com uma das patas dianteiras levantada. Era um momento de emocionante expectativa, ficávamos apreensivos, até que, finalmente, priiiiiiiiiiiiiii, levantava vôo uma codorna. Na primeira, quase sempre, não conseguíamos atirar, pois o susto era inevitável. Já, a segunda, não nos surpreendia mais, não nos levava na conversa. Entretanto, tínhamos de dar muitos disparos, pois as malandras eram bastante rápidas, como foguetes, e descreviam loopings no ar, o que dificultava a nossa mira.

Ali, onde abatíamos as aves, já as limpávamos, depois as pendurávamos para enxugar em um varalzinho que sempre preparávamos para isso. Quando chegávamos de volta ao acampamento, as caças já estavam preparadas para, à noite, serem recheadas com farinha de mandioca, o que as preservava. Mais tarde, substituíamos a farinha por papel higiênico, que terminava de retirar toda a umidade das caças.

Ao término de cada caçada, procedíamos a divisão de todas as peças abatidas em partes iguais. Era a maneira de compensar a todos, principalmente, à aqueles que eram principiantes ou que, por algum motivo, tinham abatido poucos exemplares. Um por todos, todos por um, era o nosso lema. A camaradagem era sempre grande entre nós e nunca houve atrito algum dentro do grupo. Aí, então, jantávamos e, antes de irmos dormir, jogávamos um animado “truco”. Eu, Zé Maria, gostava mais de apreciar a paisagem crepuscular dos campos e serras, sentado em um banquinho, meditando enquanto saboreava o meu cachimbo.

Nhô Rosa e Nhá Chica, deixaram saudades


Pô! Dr. Fornazari, assim o senhor me deixa com uma enorme inveja. Se ainda fosse permitida a caça em nossa região, juro que iria fazer um curso de tiro ao prato, e formaria um grupinho, igual ao seu, para sairmos por aí em busca deste tipo de congraçamento e lazer.
É, Zé Maria, só que hoje os campos da região e, principalmente, do Pinhão, não são mais aqueles. As perdizes e codornas não mais os habitam em profusão, como naqueles bons e inesquecíveis tempos. É uma pena!

Mas, vamos em frente, Doutor. Ainda temos mais alguns minutos e a prosa esta animada. Acredito que, se pudéssemos estar vendo o rosto de cada um de nossos ouvintes, veríamos que todos estão iluminados por um sorriso de satisfação, por tudo isso que o senhor está nos relatando.

É isso aí, então, vamos em frente!

Para essas nossas caçadas eu comprei uma boa barraca, para seis pessoas, com fecho de zíper, janelinha e com forração na parte inferior, local onde colocávamos nossas traias. Para trocarmos de roupa, aquecíamos o seu interior, acendendo uma latinha com álcool. Eu tinha um pijama e era de “pelúcia”, o que fazia com que meus companheiros caçoassem de mim: “E aí, Fornazari, trouxe o pinico também?”. A minha cama era uma dessas dobráveis e com molas. Como forro, eu usava um pelego, de um metro e setenta de comprimento, retirado de um carneiro que eu criei especialmente para isso. Cobria-me com um cobertor e uma coberta de penas, e quando estava muito frio, eu acrescentava ainda, uma pesada coberta de lã. Os outros companheiros riam de mim, mas o que importava mesmo era não passar frio. O meu compadre, Julinho Wasilewski, que é calvo, para proteger a cabeça das baixas temperaturas, vestia um gorro que o deixava lindo, por demais.

Smoger e Pohl, demoraram a se reconciliar


Eita, friozinho arretado, sêo! Imagino que tudo isso acontecia em pleno inverno, não é mesmo Dr. Fornazari?

- Claro, Zé Maria, se não fosse assim, não era necessário todo esse cuidado. Mas, deixa pra lá, e vamos em frente!

Para você sentirem o drama, para nos aquecermos ainda tínhamos de nos “sacrificar” levando algumas garrafas de vinho para o acampamento. Teve uma vez em que compramos um vinho tinto chileno, mas descobrimos que não era legítimo, pois nos deu uma enorme sede. Quando dormi, cheguei até a sonhar com as Cataratas do Iguaçu, de tanta sede que tive. Acordei durante a noite e resolvi levantar para beber água. Sai da cama quentinha e tive de enfrentar um tremendo frio. Na porta da barraca, onde havia uma pequena área, coberta com uma lona, deixávamos um balde com água potável. Um balde desses esmaltados, de uns 10 litros mais ou menos, e uma canequinha para bebermos a água ali existente. Zé Maria, eu não me lembro bem, mas acredito que levantei mais umas cinco vezes para beber água e sempre me encontrava ali, no balde, com os outros companheiros. E aí, então, vem o mais trágico desta história toda. Enchemos tanto nossas bexigas de água, que a correia então, também, era para urinar sem parar, a ponto de, ao redor do acampamento, só se ouvir o típico ruído de jorros e jorros de urina batendo nas folhas secas do chão.
A certa altura, todos resolvemos não ir mais dormir e ficamos conversando e tomando chimarrão o resto da madrugada, até o raiar do dia.

Já sei, já sei... O nosso tempo esta acabando, não é mesmo, Zé Maria. Mas hoje eu reservei para todos os nossos ouvintes uma pequena surpresa. Vou contar a todos vocês, não propriamente um causo de encerramento, mas sim, um caso verídico que aconteceu conosco em uma dessas nossas caçadas. Vamos lá:

Otto e Fornazari e suas fieiras de codornas


A PRIVADA DE CAMPANHA

Quando chegava a hora de irmos embora recolhíamos toda a nossa “parafernalha”, mas deixávamos as prateleiras e outras toscas edificações que construíamos com tábuas e galhos de árvores, já que só nós é que caçávamos naquela propriedade. Ficava tudo pronto para a próxima caçada.

Ainda não havia uma privada onde acampávamos, então tínhamos de fazer nossas necessidades no mato mesmo. Resolvi, então, comprar uma tampa de privada, mas utilizei somente o assento – aquela parte que é vazada – o levei para o acampamento e disse para o Otto.

- Alemão, já que você é construtor, providencie uma privada descente para nos! Não agüento mais ficar de cócoras, pois me dá câimbras.

O Otto, que era muito criativo, pegou um tronco cortado e que tinha dois galhos em forquilha, ajeitou-o em forma de tripé, fixou o assento entre os dois galhos, e fez uma “privadinha” de primeira qualidade. Ela era ventilada, pois, passava ar por todos os lados!

A “privadinha” ficou para nosso uso exclusivo e nós a deixamos lá, para usarmos a cada nova temporada de caça. Entretanto, quando voltamos no ano seguinte, o assento tinha sido arrancado da forquilha que o sustentava. Nós já imaginamos que alguém poderia tê-lo roubado, a fim de montar uma “privadinha” igual em sua propriedade.

No dia seguinte, o homem que cuidava daquela área da propriedade, um velhinho cego de um olho, muito pobrezinho, me pediu:

- Dotor, o senhor não qué dá uma olhadinha na minha muié? Ela num tá boa, já faiz uns treis ou quatro dia. Nóis num temo recurso nenhum  pra saí daqui, atrais de médico da cidade. Eu não quero perde ela, dotor, faiz essa caridade!

A palavra “caridade” sempre me sensibilizava muito. Peguei a minha malinha com os meus instrumentos e alguns medicamentos, que sempre eu levava comigo e acompanhei o velhinho até o seu rancho, que era próximo dali. Convidei o Otto para ir comigo.

Ao chegarmos, passamos pelo portão e ao entrarmos no rancho, tive que me esforçar para manter a seriedade. Aquele nosso assento da “privadinha” que havia sumido estava sobre uma cômoda, com sua parte plana apoiada sobre ela e, bem no seu centro estava a fotografia do casamento dos velhinhos. Ele fizera daquele assento de privada uma moldura para a importante foto do casal. Olhei aquilo, não disse nada e nem conseguiria dizer. O Otto deu meia volta e saiu da casa, e foi rir lá no potreiro, para não ser ouvido.

Examinei a mulher e verifiquei que ela estava com um problema gripal que não era de muita gravidade Ela tinha uma saúde muito boa, costumava tomar chazinhos com ervas medicinais plantadas no seu próprio quintal. Dei-lhe uma medicação e no dia seguinte já estava melhor. Então eu disse para o seu marido:
- Olhe meu senhor, quem deve se cuidar melhor é o senhor, porque ela é muito forte e vai ficar boa.

O homem estava com medo que ela morresse, pois eram somente os dois, um para atender do outro, não haviam tido filhos. Como eram caseiros da fazenda, ganhavam leite, plantavam milho, feijão e outras culturas para sua subsistência.
Eu ia as caçadas me divertir, mas sempre me deparava com pessoas que sofriam e que passavam privações e não poderia deixar de atende-las. A final, eu era um MEDICO DE FAMILIA, mas não só da família urbana, e sim, também, daquelas de todos os cantos e recantos onde eu pudesse estar em algum momento da minha vida, mesmo que esse momento fosse de lazer.

Sabe, doutor Fornazari, desde que o senhor lançou o seu livro MEDICO DE FAMÍLIA eu já o possuía lá no meu rancho, mas tenho de lhe confessar, nunca tinha pegado nele pra valer, sempre dava uma folhadinha aqui, outra ali, e lá ia ele, de novo pra prateleira. E agora que estou me dedicando a ele com mais carinho, vejo o quanto havia perdido em satisfação e emoção, até então. Por isso, se meu conselho valer para todos os ouvintes que estão nos ouvindo, eu lhes digo: “Vão até a Banca do Cavallim, ponham a mão no bolso, tirem alguns cruzeiros e adquiram este importante documento da nossa história. Eu lhes garanto que não vão se arrepender, pois além de terem em suas casas um livro muito bom, alegre e descontraído, vocês estarão demonstrado a sua grande estima por aquele que, por muitos e muitos anos, foi o GRANDE MEDICO DA FAMÍLIA IRATIENSE. (09)

Gostou doutor? Então esteja conosco novamente no próximo sábado, que muito nos alegrara. Até lá.

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