Matérias / Irati de Todos Nós

25/06/12 - 09h47 - atualizada em 25/06/12 às 11h07

O maravilhoso futebol de Irati - Parte I

O esporte imita a vida.
Não haverá vitória
Sem ação inteligente
Ordenada
Sem garra, sem bravura,
Sem luta, sem humildade,
Perseverança.
O fraco se torna forte,
O pequeno vence o grande,
O individual se torna ativo, 
Altivo, coletivo;
O egoísmo se transforma
Em solidarismo;
O vazio fica repleto,
O escuro se ilumina,    
A razão domina a força.
A medida da vida a ser
Conquistada tem na vitória
Esportiva o exemplo
E o treinamento.
No esporte todos têm
Coração e alma de menino.
Vencer é resistir, sempre.
O jogo é a liberdade.
                                                     
Antes do futebol, as atividades lúdicas em Irati – nosso Rio de Mel eram a caça, a pesca, as corridas de cavalos em raias ou canchas retas e, mais raramente, as “cavalhadas”, com suas justas e torneios, um antigo costume ibérico, que rememorava a luta entre mouros e cristãos. Segundo o professor José Maria Orreda, possivelmente uma influência trazida de Sorocaba via Lapa, na força do tropeirismo. As nossas cavalhadas foram poucas, senão raríssimas e significaram resquícios das colonizações portuguesa e espanhola, representadas pelos costumes feudais da cavalaria. 

Depois de ganhar adeptos e praticantes nos grandes centros brasileiros, o futebol que seria o grande esporte e a maior paixão nacional, começou a conquistar o interior do Brasil, chegando até as pequenas cidades e minúsculas vilas. Tudo começava com uma igrejinha, uma pequena praça, uma importante casa de comércio como centro social da comunidade, ai, então, um campo de futebol. Tudo como embriões de agregação humana social, religiosa, política e esportiva.

Em 1913, desembarcou na Vila do Irati um farmacêutico que atendia pelo nome de Antonio Xavier da Silveira que, já no ano seguinte, 1914, reuniu um grupo de interessados e foi até Curitiba onde adquiriu uma reluzente bola de futebol inglesa número 5, da afamada marca inglesa Mac Gregor, uma câmara de ar sobressalente, uma agulha e uma bomba para inflar a mesma. Comprou, também, por sugestão do próprio vendedor, um apito e um livro contendo as regras do novo esporte, ainda bastante desconhecido no interior do Brasil. Tudo pelo preço de 160:000 (cento e sessenta mil reis).

Os primeiros bate-bolas, ainda muito desajeitados, onde a única prática usada pelos futuros atletas eram os chutões para o alto, aconteceram em um terreno baldio, então existente na, recém nominada, Rua XV de Julho, no espaço hoje ocupado pelo complexo comercial G CENTER. 

Preocupados em melhorar as condições para a prática do novo esporte, que já começava a fascinar a todos os habitantes da Vila, o grupo de jovens esportistas movimentou-se na procura de um outro local mais adequado para seus treinos e jogos. Espaços não faltavam em Irati, naqueles tempos, então logo surgiu o primeiro campo de futebol oficial de Irati. A confluência das Ruas Quintino Bocaiúva com 24 de Maio, tornou-se então, o centro de convergência de toda a população da jovem esportista Irati. Ali, então, passaram a se realizar aguerridos treinos e disputadíssimas partidas intermunicipais de futebol.

Tornou-se, então, fundamental a fundação oficial do Clube, cuja diretoria se  responsabilizasse pelas reuniões sociais, treinamentos e competições. Após vários encontros do grupo, que se realizavam nas dependências da Farmácia Apolo, de propriedade de Antonio Xavier fundou-se, no dia 21 de Abril de 1914, o glorioso Iraty Sport Club. (Neste último 21 de abril, o I.S.C. completou 98 anos de existência, sendo um dos clubes mais antigos do Paraná). 


Ainda hoje, existem dúvidas sobre quem foi o primeiro presidente do clube, os nomes mais prováveis ou até únicos são os de David Araújo e Antonio Xavier da Silveira. (Se alguém dos nossos ouvintes ou leitores possua informações seguras sobre o assunto, favor nos informar que o esporte iratiense ficará muito agradecido).

São considerados Sócios Fundadores do I.S.C.: David Araújo, Antonio Xavier da Silveira, João Baptista Dantas, Hyran Peixoto, Luiz Phelippe dos Santos, Alderico de Paula Pires, Vidal Marinho, Saturnino Keppen, Estanislau Broboski, Evandro Sabóia, Gumercindo Esculápio, Basílio Sapla, Rosemiro da Cunha Teixeira, Sebastião Sampaio, Antonio Oliveira, Trajano Algauer, Pompilio Munhoz, Leopoldo Alves, Manoel de Ramos, Armando Alves da Costa, Emilio Gomes Sobrinho,  Eduardo Ferreira Peixoto,  João de Andrade, Waldomiro Conrado de Sampaio, João Baptista de Mello, José Berlintes Sobrinho, Valentin Xavier, Arthur Xavier da Silveira, Julio Vieira Lisboa, Flávio de Araújo, Emilio Baptista Gomes, Alcides Boese, Álvaro de Paula Pires, Antonio Itaciano Esculápio, Julio Posselt, Joanin Zarpellon, Bernardino Saldanha Muniz, Joaquim Ordilhano de Oliveira, Mário, Francisco e Osvaldo Vieira de Araújo, Antonio Braga dos Santos Ribas, Arcélio Baptista Teixeira, José Borba, Hélio Hélling e Plínio da Cunha Teixeira. Ufaaaaaaaaaa! Se não me enganei na conta, foram 46 cidadãos de Iraty os responsáveis pela fundação do nosso querido Iraty Sport Club. Será que, a menos de dois anos deste glorioso clube social e esportivo completar um século de existência, teremos o dissabor de vê-lo desaparecer??????????


Ao final desta série, que intitulo de “O MARAVILHOSO FUTEBOL DE IRATI”,  baseada, primordialmente, nos textos do Livro O ESPORTE EM IRATI do professor José Maria Orreda, pretendo fazer um apelo a todos os iratienses para que, em conjunto, façamos um grande esforço para que não deixemos o Azulão se extinguir. Mas vamos em frente, pois, para que cada um de nós saiba pelo que estará lutando, importante se faz conhecer profundamente, o objeto da nossa luta. 

Já tendo assegurado o local para o desenvolvimento de seus treinos e jogos, o grupo passou a selecionar os atletas que comporiam o primeiro time do nosso futebol, o qual ficou assim constituído: João Baptista de Mello (João Bota), Basilio Sapla e Álvaro Pires; João Dantas, Antonio Xavier da Silveira e Vidal Marinho; Eziquiel Gomes, João de Andrade, Artur Xavier, Luiz Felipe dos Santos e Valentin Xavier. Sei que alguns dos nossos ouvintes mais novos, que não conheceram o nosso futebol do passado, devam estar curiosos com a escalação que o I.S.C. apresentava no passado. (Um, dois, treis, cinco). Baseado nos princípios táticos da época e até, aproximadamente, o final da década de 60, mais ou menos, esta era a formação oficial de todos os clubes do Brasil: com um goleiro, dois beques (um direito e um esquerdo). Treis alfs (alf direito, ceter-alf e alf esquerdo) e cinco atacantes (Ponta direita, meia direita, centro avante, meia esquerda e ponta esquerda). Eu pelo menos, comecei e encerrei a minha carreira futebolística jogando inicialmente em times de moleques, depois no meu querido Iraty Sporte Club, Grêmio Esportivo Madeirit e Grêmio Esportivo do Oeste, ambos de Guarapuava, onde encerrei minhas atividades oficiais no futebol, em 1965. E dava certo, o Brasil foi bi-campeão, utilizando-se desta formação (um, dois, treis, cinco) Acreditam? Pois é a pura verdade! 

A primeira partida oficial do Iraty foi disputada logo após a sua fundação e o adversário foi o Imbituvense Foot Ball Club, da cidade de Imbituva. Ganhamos por 3 X 0. Nesta ocasião a senhora Angela Kulczycki, assim se pronunciava: “Eu assisti o primeiro jogo realizado em Iraty, entre o Iraty Sport Club e o Imbituvense. Não ficou ninguém em casa, todos os moradores da vila foram ao campo, que ficava perto da Igreja. O Imbituva perdeu para o Iraty por 3 X 0. As moças disseram para os jogadores do Imbituva: Perderam o jogo! E um deles respondeu: Perdemos, no jogo, mas ganhamos da simpatia”. Conta, ainda Dona Ângela, que algum tempo depois o Iraty foi retribuir o jogo em Imbituva e ganhou outra vez.

Professor José Maria Orreda, vou abrir um espaço neste nosso assunto, para que o amigo poça dizer aos ouvintes desta emissora, qual é a sua concepção para a pratica do esporte.

Sabe, Zé Maria Araújo:

“O esporte é força de agregação social, cooperação, solidariedade, escola de tenacidade, companheirismo, amor ao próximo, fonte de energia vital. No esporte o egoísmo não triunfa. Apesar das divergências que possa gerar, mesmo assim o caráter lúdico do esporte une e reúne, difundindo a alegria, a emoção e a fraternidade. O futebol e outros esportes são exercícios de criatividade. Toda comunidade cresce na medida em que os esportes são praticados em seu meio”.

Sabe professor Orreda, me permita chama-lo assim. O meu pai, Primo Araújo, veio para Irati no ano de 1919 e, desde então passou a treinar e jogar pelo Iraty Sport Club, convidado que foi pelo seu primo José Berlintes, que já batia a sua bolinha no club. Contava-me o velho Primo, meu pai, que quando o viam magrinho, correndo pelo campo todo, logo perguntavam: Quem é aquele rapaz franzino lá no meio do campo? E a resposta sempre era: “É o “primo” do Berlintes. E de “Primo” em “Primo”, o apelido pegou e até o seus 97 anos, idade com a qual faleceu, meu pai sempre foi mais conhecido como “Primo Araújo” do que por “Dario Araújo” seu nome de batismo. Pede? Coisas do futebol! 

“Eu sei muito bem disso Zé Maria Araújo. E sei também, que é pela habilidade do teu pai “Primo Araújo” que hoje temos muitas gravuras, nos quais ele retratou, magistralmen, alguns dos locais onde o seu querido Iraty Sport Clube fez seus primeiros treinos e jogos de futebol. Ele foi excepcional com o lápis ou o pincel nas mãos. Haaa, se foi!”.

No seu livro “O ESPORTE EM IRATI”, caro José Maria Orreda, já na página 32, aparece uma foto de 1921, na qual estão perfilados vinte e dois jogadores do Iraty e um diretor. Outras pessoas aparecem ao fundo da foto, os famosos “papagaios de pirata” da época. 

A vocês, amigos ouvintes, que estão acompanhando o áudio deste programa, informo que as imagens a que me refiro durante os meus programas, aparecem todas, na matéria que é editada na página desta emissora: http://home.radionajua.com.br/AM/noticias/materias,5,13/

Mas voltando a foto da página 32, algumas curiosidades podem ser apreciadas na mesma. Além dos vários “papagaios de pirata”, que já mencionei, pode-se notar que a camisa do clube, na época, era branca com faixas horizontais, provavelmente azuis. Alguns atletas, não todos, utilizavam-se de gravatas ao pescoço, presas a gola das suas camisas. Elegante, não? Pode-se notar, também, que dois dos atletas do time, alem do diretor, possuíam alturas acima da média, principalmente o Goleiro, Agostinho Zarpellon, que meu pai dizia apelidado de Camelo, que deveria ter, pelo menos, uns dois metros e deis centímetros. Mas vamos aos nomes dos valentes rapazes do I.S.C. versão 1921:

Para aqueles que visitarem o “SITE”, em pé, da esquerda para a direira: Trajano Teigão (Diretor Presidente), Joanim Zarpellon (um dos altinhos do time), Dantas, Mãozinha, Pedro Bobroski, Primo Araújo (meu pai), Flavio Ferreira, Índio, Sandrini, Alberto Lineiro e Agostinho Zarpellon (dois metro e deis, pelo menos,só podia ser avo do Vanderlei Zarpellon). Sentados, na segunda fila: Lourival Martins, Filuca, Eduardinho, Vidal, Marinho, Luiz Veiga e Maurílio Martins. Sentados no chão: Luiz Zarpellon (bem alto também), José Berlintes, José Galiciolli (um de nossos prefeitos) Antonio Xavier, Alfredo Prestes e Oscar Ferreira (Casito).
De todos estes atletas, os onze titulares que formavam o primeiro time, eram:
Alfredo; Cazito e Xavier; Vidal Marinho, Luiz Veiga e Maurílio; Primo Araújo, Flávio, Índio, Sandri e Lineiro.
O segundo quadro era formado por: Berlintes; Luiz Zarpellon e Galiciolli; Lourival, Filuca e Eduardinho; Joanim, Dantas, Mãozinha, Bobroski e Agostinho.
 

Araújo, você nem imagina quanto trabalho eu tive para conseguir algumas das fotos do Iraty Spor Club que estão publicadas no meu livro; O ESPORTE EM IRATI. Em especial as mais antigas, que mostram os primórdios do nosso futebol. Visto isso, eu sugiro a você que faça uma campanha para arrecadação de outras possíveis relíquias futebolísticas, como essas que estão em meu livro, pois o centenário do querido Iraty Sporte Clube, está aí, há menos de dois anos, para acontecer. Seria bom que pudéssemos editar um volume só sobre esta importante data. O que você acha Zé Maria?

To contigo e não abro, professor Orreda. Só esperamos que a população iratiense nos apóie nesta batalha que é de todos nós, para que o Clube não venha a desaparecer, justo agora que falta tão pouco para o seu glorioso Centenário de existência.

Continuando a falar sobre os benefícios, morais e físicos que os esportes nos propiciam, tenho ainda a dizer, Zéca Maria, que:

“No mundo de hoje, sem cooperação não haverá civilização, sem tenacidade não haverá conquistas, sem humildade não haverá vitória, sem decisão e força coletiva não haverá evolução. O esporte ensina, a bola aprimora. O mundo sem a bola seria muito triste, sem esperança. Um menino com a bola, eis um verso, universo encantado, mágico. O homem com a bola se torna menino, igual, fraterno, sem ódio. A bola será sempre instrumento de paz de entendimento e calor humano e não de guerra. O esporte será sempre escola de liberdade, criatividade, fortalecimento do corpo, do espírito e da alma; ele aprimora o movimento a coordenação muscular, educa a vontade, fortalece o ânimo, forma a personalidade. O jogo é liberdade”.

Sábias palavras, professor Orreda. Isso tudo, em um passado ainda recente, era o grande ideal dos esportes, porém hoje, podemos notar que muitos desses princípios estão sendo relegados a um segundo plano. Será que não devemos trabalhar, com afinco e dedicação, para que tudo volte a ser com antes? Um esporte puro, amador, sem artimanhas, isso sim, é que deveria ainda estar prevalecendo, fazendo com que o símbolo dos esporte, a “BOLA” volte a ser respeitada e valorizada, nos clubes esportivos, nos campinhos de rua, nas escolas, nos grandes e pequenos estádios, em fim, onde quer que ela estiver que haja honradez, altruísmo, seriedade e fraternidade.

Mas vamos voltar para a parte histórica do nosso futebol. Onde é mesmo que paramos? Haaaa! Sim:

A primeira grande conquista do Iraty Sport Club foi, sem dúvida, alcançada no ano de 1923, quando, memoravelmente, sagrou-se campeão da LINHA SUL do Paraná. Deste campeonato participaram equipes de Ponta Grossa, Palmeira, Teixeira Soares, Castro e Irati. As partidas que decidiram o campeonato foram disputadas contra o Teixeirasoarense e foram necessários quatro jogos para que se conhecesse o campeão do torneio. A primeira partida foi ganha pelo time de Teixeira Soares, por 2 X 0, aqui mesmo em Irati. Em Teixeira Soares o Irati ganhou por 4 X 0, fazendo com que houvesse a necessidade de um terceiro e decisivo jogo, que foi disputado em Ponta Grossa no campo do Operário. Houve empate de 2 X 2 e como, naquele tempo, não haviam decisões por pênaltis, foi então, marcada uma quarta partida para o mesmo campo. Foi aí então, que o Irati sagrou-se campeão da LINHA SUL Paranaense, com uma vitória por 2 X 0, com gols de Primo Araújo e Neto Martins. O Irati jogou, nesta ocasião, com Camelo, Friduca e Lotario; Oswaldo, Gonçalo Pena e Lourival; Primo Araújo, Berlintes, Flávio, Moacir e Neto Martins. Como reservas ficaram José Leite, Nho To e Eduardinho.

Professor José Maria Orreda, para encerrarmos este 1º capitulo sobre a História de um dos mais antigos Clubes de futebol do Paraná, e talvez, até do Brasil, queira por favor, dirigir ao publico do meu programa IRATI DE TODOS NÓS uma última citação de homenagem e incentivo aos esportes praticados no mundo e, em especial ao futebol, que é o esporte da preferência da nação brasileira.

“A seu pedido, quero evidenciar que: A medalha da vida a ser conquistada tem na vitória esportiva o exemplo o treinamento. Vencer é resistir, sempre; derrota é não lutar!”.

Professor Orreda, eu e meu programa, agradecemos a sua decisão em nos consentir que usássemos trechos extraídos do seu livro ESPORTE EM IRATI, para compormos esta série de programas intitulados de O MARAVILHOSO FUTEBOL DE IRATI. Muitas partes dessa maravilhosa história tomei conhecimento por palavras de meu pai Primo Araújo, que desde o alvorecer do Iraty Sport Club, teve a honra e a satisfação de defender as suas cores, BRACA e AZUL CELESTE, porém, sem o seu apoio uma grande parte desta coletânea de informações não seriam possíveis de serem levadas até este povo maravilhoso que nos acompanha. Pretendo dar continuidade a tão palpitante assunto nos programas que seguirão, esperando com isso estar, de alguma forma, contribuindo para que o nosso querido AZULÃO – Iraty Sport Club não corra o risco de deixar de completar o seu primeiro centenário e quiçá segundo, terceiro... centenários de gloriosa existência. Me ajudem! 

Bem, meus prezados ouvintes, nosso tempo já esta se esgotando e temos de encerrar o programa desta tarde, mas aqui estaremos novamente no próximo sábado para darmos continuidade a este maravilhoso assunto chamado Futebol. Até lá!
                                            




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